Crítica – Milk, A Voz da Igualdade (2008)

direção: Gus Van Sant
elenco: Sean Penn, Emile Hirsch, James Franco, Diego Luna
país: EUA
gênero: drama
ano: 2008
título original: Milk
Uma das primeiras cenas de Milk – A voz da igualdade é reveladora: numa estação de metrô, o personagem-título aborda um jovem e o convida insistentemente para irem para cama juntos, mesmo que o outro renegue o tempo todo, mas Milk o convence. Esses pequenos minutos revelam, na verdade, não (só) a preferência sexual do protagonista, mas sim a personalidade sagaz, inteligente e megaolomaníaca que ele levará em conta para tomar as atitudes que movem sua própria história.
Milk – A voz da igualdade é a cine-biografia de Harvey Milk, um ativista do movimento gay que empenha diversas campanhas nessa linha, até chegar a concorrer diversas vezes a cargos públicos em São Francisco, EUA, nos anos 70, e a vencer a eleição para ser um dos supervisores da cidade (espécie melhorada de um vereador) em 1977.
E falar dessa história é também elogiar a performance de Sean Penn, talvez o melhor ator de sua geração. Incrível como ele imerge em seu personagem a ponto de quase esquecermos quem é aquele cara que está ali. Adotando uma postura nada caricata, Penn nos transporta para a América dos anos 70, mais especificamente a América gay, na imagem da cidade de São Francisco. Somos fisgados pelo simpático Harvey de tal maneira que passamos a nutrir especial carinho por ele e torcemos de toda maneira para que sua luta não se perca pelo caminho. E Milk é também inteligente e carinhoso, nostálgico e, de certa forma, megalomaníaco, sentimentos que Penn exprime de maneira brilhante.
Se Sean Penn consegue esse feito, não podemos dizer o mesmo do diretor Gus Van Sant, autor de obras igualmente belas e criativas. Dessa vez, Sant, que é gay assumido, resolveu adotar uma prática que não é comum em sua trajetória. Diante de uma história forte e solene por si própria, o diretor optou por interferir o mínimo possível no filme, inventando pouco e apenas trabalhando para que a obra flua da maneira mais real possível.
E o filme é assim, real. Tanto é que em diversos momentos imagens reais são mostradas, dando um tom documental que a própria história exige. Com uma montagem bem estruturada, o filme não perde o ritmo em momento algum, embora a narração do protagonista não seja completamente eficiente. As cenas reais fazem com que a história pule em nosso colo e abra os nossos olhos para fatos que hoje parecem brutais: como aceitar, hoje, que digam que homossexualidade é coisa do demônio? Que homossexualidade é contra a família? Contra Deus? Que professores gays não possam dar aulas a crianças? Pior que isso, é constatar que há apenas 30 anos essas aberrações eram comuns na sociedade. A trajetória de Milk, portanto, mais do que traçar o percurso histórico de um movimento social importante, joga luz sobre um tema pouco tratado no cinema e que diz respeito a todos nós, ou alguém ainda acha que, como um determinado personagem do filme diz, “apenas 10% da população é gay”? É curioso também lembrar do belíssimo Filadélfia, em que um homem é demitido por ser gay e briga na justiça para receber indenização da empresa. Na história, rodada no começo da década de 90 e no auge das mortes por AIDS, alguns argumentos vistos em Milk também são usados no filme protagonizado por Tom Hanks, ou seja, aparentemente muita coisa ainda continua a mesma.
De qualquer modo, voltando ao filme de Sant, a história parece cair perfeitamente no colo dos jovens atores que interpretam os amigos de Harvey: Diego Luna, James Franco e Emile Hirsch, esse último com um adendo importante: Cleeve Jones, ativista gay que Hirsch leva à tela, esteve presente o tempo todo no set, ajudando na construção artística e também na execução do longa. Sant, em entrevista à Rolling Stone, disse inclusive que se não fosse por Jones, que levou o roteiro a seu conhecimento, o filme não sairia do papel e poderia até ter sido feito por Oliver Stone, que uma década atrás chegou a trabalhar no roteiro, mas largou pela metade. Todos os atores, na verdade, conseguem dar o tom real que o filme sugere, realizando cenas extremamente eficientes.
Se, de alguma forma, Gus Van Sant adota um tom romântico demais no começo e nas cenas finais, o “miolo” do filme permanece quase intacto pelo diretor, que conduz a narrativa de uma maneira correta e, em dados momentos, quase em sintonia de documentário, mas sem nunca deixar o ritmo se perder e sempre dirigindo cenas belas, tirando o melhor de seus atores, especialmente de Sean Penn.
Café com Pop é uma produção do jornalista baiano Rodrigo Carreiro, 25 anos, atento ao mundo da música e apaixonado pelo cinema. No cardápio, comentários, notícias, vídeos, sons, fotos e tudo quanto é coisa pop que possa vir acompanhado de um bom e velho cafezinho.














Sean Penn mereceu o Oscar!
O filme realmente parece um documentário, não tem nada excepcional, mas a atuação do ator principal rouba as atenções e já vale o ingresso!
Bom filme, vou postar sobre ele agora no meu blog.
ihhhh, tah xique hein!??
adorei aqui!
de tudo um pouco!!!
parabéns Carreiro
Poxa, ainda não vi esse filme, mas comentários elogiosos não faltam. Já sou fã do Emile Hirsch! Vejo que está afiado, vendo tudo!
Bom está de volta, Rodrigão!
Abraços!!!
Ficou bacana o site! Não esqueça de justificar a formatação dos textos
Parabéns, Rodrigo, ficou um site muito bacana mesmo. E grande. Grande abraço,