Crítica – Sim, Senhor

nota06

direção: Peyton Reed
elenco: Jim Carey, Zoey Deschanel, Bradley Cooper
país: EUA
gênero: comédia
ano: 2008
título original: Yes Man

Quando a comédia “Sim, Senhor” estreou, Jim Carey mais uma vez foi acusado de repetição e de ser muito caracto em seu personagem – embora essa seja uma prática comum entre comediantes. Porém, de um outro lado, muita gente elogiou e gostou bastante do tema que é o pano de fundo para Carey fazer das suas. E “Sim, Senhor” é assim: ou você ama ou você odeia desde os primeiros minutos.

A história segue Carl (Jim Carey), um homem que realiza trabalho burocrático num banco que vê sua vida mudar ao adotar a teoria do “sim”, ou seja, dizer “sim” a tudo a e a todos. Esse novo estilo de vida, obviamente, leva Carl a situações que ele nunca imaginou viver na vida.

Afora paixões de ambas as partes, “Sim, Senhor” é um tipo de longa que Jim Carey já vem flertando a algum tempo. No seu último trabalho, o ator contracenou ao lado de Tea Leoni no ótimo “As Loucuras de Dick and Jane”, uma comédia que usava como pano de fundo a história verídica da quebra de algumas empresas americanas do ramo da comunicação e tecnologia no final dos anos 90. Todas conseqüências sociais daquele fato foram satirizadas de forma inteligente e, anos depois, Carey volta a interpretar um personagem que tem como pano de fundo uma história verdadeira: os gurus da auto-ajuda e suas teorias fantásticas.

Essa aproximação da realidade denota uma preocupação do roteiro em tratar de um assunto comum a todos. Quem nunca foi importunado por e-mails, cartas, livros, telefonemas, amigos, etc., falando sobre uma nova maneira de melhorar de vida? E esse é o mote do filme. Com um roteiro bem construído, somos apresentados a um Carl isolado, solitário e de mau humor com tudo que o cerca. Quando encontra a essa nova teoria do “sim”, ele parece aceitar a oferta de conhecer mais a fundo a ideologia somente para poder zombar dela posteriormente, como faz com muitas coisas em sua vida. Mas não é o que acontece.

A partir daí, o roteiro abusa um pouco de diversas situações feitas claramente para explorar o talento de Jim Carey, o tipo de astro de comédia que em todas as cenas rouba os holofotes apenas para si. E não é difícil entender isso. Nas cenas em que vê a nova teoria dando certo na prática, Carey não poupa caretas e pequenas gags extremamente criativas, e outras nem tanto. No saldo final, algumas ótimas saídas cômicas (para quem conhece mais a fundo o ator, sabe do poder de improvisação que ele tem em cena. Não me surpreenderia se metade das cenas foi fruto de pura inventividade do comediante) e outras nem tanto. Repito: em alguns momentos ele parece repetir um modelo que o consagrou na década passada e que muita gente já não engole mais.

Mesmo tendo um astro no elenco, o resto das piadas deixa bastante a desejar. O roteiro inclui algumas das piadas já consagradas, aquelas do tipo que, aconteça o que acontecer, vai gerar riso por parte da platéia: sexo na terceira idade, quedas, tropeções e insanidade. Porém, a relação de Carl e Alisson (a ótima Zoey Deschanel) parece funcionar bem, sempre prontos a realizar loucuras bem dosadas e cenas sem nenhum constrangimento. Peyton Reed conduz as cenas de forma correta, não abusando de cores nem nenhum outro tipo de estilismo narrativo.

Ao final do filme, a história não poderia deixar de alfinetar as teorias fantásticas de bem estar e auto-ajuda que pipocam a cada esquina. Talvez faltando explorar um pouco mais esse assunto, “Sim, Senhor” se escora no talento de Carey para mais uma comédia engraçada, mas com prazo de validade curto.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.