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Crítica – Verônica (2008)

nota04

direção: Maurício Farias
elenco: Andrea Beltrão, Matheus de Sá e Marco Rica
país: Brasil
gênero: ação/drama
ano: 2008

Adotando o ponto de vista de uma professora primária, “Verônica” apresenta ao espectador uma personagem que, embora bem interpretada por Andréa Beltrão, pouco convence o espectador na busca por um sentido à vida. A direção atrapalhada de Maurício Farias (o mesmo de “A Grande Família”) compromete o resultado, o que piora ainda mais com um roteiro frágil e repetitivo.

Verônica é uma mulher solitária e carente, que vê sua vida mudar ao tentar ajudar o garoto Leandro (Matheus de Sá), que teve os pais mortos por causa do tráfico de drogas. Agora eles fogem da polícia e dos bandidos, que estão atrás de um pen drive em posse do garoto que pode incriminar ambos da lei.

Verônica é uma mulher forte, mas que perde as estribeiras à menor bagunça feita pelos alunos inquietos. Essa parece ser uma das poucas informações da personagem-título, já que em nenhum momento sabemos do passado dela ou dos seus problemas pessoais, afora algumas poucas cenas com os pais e uma ou duas com o ex-marido. Escorregando no clichê da mulher independente e frágil e do homem machista e frio, o longa não estabelece uma relação convincente entre ambos e nem nos apresenta uma continuidade na história que realmente transmita suspense.

O roteiro, aliás, é o ponto mais fraco em “Verônica”. Inicialmente apresenta os personagens de forma simplória e depois o conflito principal. Desse ponto até o desfecho, o filme se repete em todas as cenas. É sempre Verônica e o menino fugindo de alguém e se escondendo na casa de outro alguém, mas em nenhum momento há uma real tensão ou algo que pareça indicar uma mudança no rumo da história. Mesmo as subtramas não emplacam e são mal exploradas – talvez querendo fugir do clichê do filme de morro, o filme não toca no assunto, mesmo ele sendo extremamente importante para que o espectador entenda melhor as motivações de ambos os lados da história.

Matheus de Sá como o menino Lenadro não compromete o filme, mas também não consegue estabelecer uma relação forte com o espectador, nem com a prória personagem de Andréa. Eles só conversam como mãe e filho apenas uma vez em todo o filme, embora ela o chame de filho, ele o chame de mãe e ela passe o filme todo correndo de bandido para proteger o aluno. As cenas de ação são muito artificiais e não convencem em momento algum, mesmo quando o filme chega a seu clímax, numa seqüência óbvia e simplória.

Dois aspectos técnicos chamam a atenção. A trilha sonora, sob direção de Emerson Villani e Branco Melo, suja o filme toda hora que é solicitada, marcando os passos e cenas de ação da maneira mais grosseira possível. Somos sempre avisados, através da trilha, do que vai acontecer, mesmo que a seqüência seja óbvia e o desenrolar previsível. Além disso, a fotografia de José Guerra muda radicalmente em certo momento, justamente na hora que Verônica descobre o que aconteceu com os pais do menino, adotando uma granulação excessiva somente para enfatizar uma tragédia que por si só já é bastante densa.

Embora tenha um argumento interessante e pouco explorado, o diretor Maurício Farias e equipe bateram de frente com alguns clichês e uma infinidade de erros no roteiro. Isso se torna ainda mais latente na última cena do longa, em que uma narração de Verônica surge na tela para dar o desfecho (como se ninguém tivesse percebido) e uma irritante “moral da história” para o filme.

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