
direção: Susanne Bier
elenco: Halle Berry, Benício Del Toro, David Duchovny
país: EUA
gênero: drama
ano: 2007
título original: Things We Lost In The Fire
“Coisas que perdemos pelo caminho” é um filme de detalhes, e não só em sua composição narrativa, mas também na estética apresentada pela cineasta dinamarquesa Susane Bier. Contando uma história que alia tristeza e esperança, o longa se desenvolve amparado nas boas atuações do elenco e numa direção cheia de nuances, embora nunca soe exagerado nem melodramático.
Vemos no filme a história de Audrey Burke (Halle Berry), uma dona de casa que perde o marido Brian (David Duchovny) assassinado e que tenta reconstruir a vida. Para isso, conta com a ajuda do melhor amigo do falecido, Jerry Sunborne (Benício Del Toro), que passa a conviver mais de perto com a família do falecido.
De início, Bier adota uma caracterização interessante para Barry, que se repetirá em muito momentos do longa. Como já disse, atenta aos detalhes, a diretora põe constantemente uma leve sombra em parte do rosto de Audrey, demonstrando com isso duas coisas: o momento trágico e delicado que ela vive e uma certa dualidade da personagem, que só iremos entender do meio para o final. Essa prática funciona muito bem com ela e com outros personagens, dando uma visão mais dúbia a certos fatos aparentemente naturais. A montagem, porém, compromete a primeira parte do filme, já que prefere um vai-e-vem na trama totalmente desnecessária e que na maioria dos casos só confunde o espectador e não apresenta o mínimo motivo para tal.
A trama em si é cuidadosamente conduzida e pouco se perde pelo caminho – trocadilho inevitável, sorry -, mas muito desse triunfo se deve a Benício Del Toro, que encarna Jerry de forma impecável. Este é um viciado em heroína que tenta largar a droga a todo preço, muito embora o único que acredite nele seja Brian (Duchoveny numa atuação correta). Fazendo um Jerry introspectivo e louco, Del Toro em momento algum exagera; faz sim uma bela ligação entre ele e a viúva, num jogo de ambigüidades fortíssimo que permeia toda a história. Nesse aspecto também ele consegue estabelecer uma relação boa com os filhos do amigo, que o adotam quase como pai e que vai servir de base para outras interessantes discussões que o filme traz, como por exemplo o sentimento da perda e a tentativa de superação. Claro, tema recorrente, mas que aqui o roteiro de Allan Loeb se mostra mais sutil, ancorando-se nas relações de um amigo com a família do morto, e não em conseqüência matrimoniais ou judiciais.
O problema do filme, porém, é se tornar insosso na primeira parte, desde a confusão de vai-e-vem do roteiro, até a primeira hora do longa. As cenas se perdem um pouco e, em muitas delas, o excesso de preciosismo detalhista de Bier enjoa. A conseqüência são algumas cenas de dar sono, que só vão dar mais mobilidade narrativa depois da primeira hora, quando iremos acompanhar mais de perto o que levou Jerry a ser viciado, como ele foi ajudado pelo amigo, porque ele aceita fazer certas coisas que a personagem de Barry pede, etc. É a partir daí também que a trilha belamente composta pelo aclamado Gustavo Santaollala se destaca, mais uma vez servindo de suporte para momentos íntimos de Bier com a tela (exemplos: momentos flagrantes do “nada”, como uma folha caindo ao chão, a chuva batendo na janela, uma mero acariciar de mãos…).
No final, na verdade, é que vamos entender o porquê do nome em inglês “Things We Lost in The Fire”, numa analogia interessante entre um acontecimento banal do passado do casal com o destino que ambos tiveram na vida.













Não tinha me interessado muito em ver esse filme, até estou pensando em ver agora.
ja tinha visto esse filme e concordo que ele é um pouco monotono e cansativo. é necessario um pouco mais de interesse para ve-lo do inicio ao fim.
esperava mais dele.
Esse ai eu tb nunca tinha me interessado em ver
Eu vi e gostei, bastante até.
Só fico puta com a Halle Barry que tem um puta corpão e já tem seus pra lá de 40 anos. Vadia.
Havia visto o filme antes de ler a crítica. Como leiga no assunto, só posso dizer que gostei muito do filme… Benício Del Toro interpreta com docilidade seu personagem e isso me chamou a atenção. Me fez pensar que amizade é mesmo algo divino e em como deixamos para os outros parte do que somos e levamos conosco parte do que os outros são.
Fica a dica para quem ainda não viu!!
PS. Corrigido! A pressa faz coisas!
O filme é realmente um pouco monótono e deixa a sensação de que está faltando alguma coisa. Talvez isso se dê em parte por que a maior parte do filme se passa na casa. De qualquer modo Del Toro brilha e encanta(Enquanto via o filme só lembrava de Del Toro em 21 gramas) e veste seu personagem com a mais sublime humanidade.
Comprei esse filme justamente pelo nome, no inicio tbm achei um pouco monotono, mas no desenrolar achei maravilhoso. Acho que é mais do que simplesmente uma pessoa que perdeu companheiro de forma tragica e esta tentando superar isso, ou de uma pessoa tentando se livrar o vicio das drogas, são os detalhes que marcam, a cena dela pedindo para ela faze-la dormir acho que evidencia tudo. Indico a todos…