
Park Chan-Wook nasceu na Coréia e desde o início da fase adulta já trabalha com cinema. Com 47 anos, o cineasta coreano só foi mesmo ficar conhecido em 2002, quando começou sua aclamada Trilogia da Vingança, em que apresenta personagens numa busca frenética por vingar a si mesmo, não importando como. Porém, para além do tema, o que se destaca em Park é seu estilo único, pop, ágil, multilinear, violento e elegante, em muito reverenciado por Quentin Tarantino nos dois Kill Bill.
E porque falar de Park Chan-Wook? Assisti essa semana toda a trilogia e muito me admira o quão pouco se fala desse coreano. Ele domina perfeitamente a técnica cinematográfica e destila seu estilo sem economizar no “estilismo”. Mas não é um “estilismo” de puro exibicionismo. Quem viu seus filmes consegue perceber de longe a maneira como Park leva à tela suas emoções. Suas histórias (ele também é frequentemente roteirista) são repletas de paixão e amor acompanhadas de ódio destemido. Mas tudo isso filmado de uma maneira extremamente elegante e única, em que se vê constantemente cores bem escolhidas, cenários simbólicos e uma agilidade pop que (talvez) somente Tarantino consegue impor na narrativa.
Park também é o rei dos simbolismos. No início de Lady Vingança, há uma cena interessante com um tal “tofu da reconciliação”, que explica em poucos segundos toda uma história que está por vir. E tem também a cena em que ela mata impiedosamente um cachorro, que revela uma rima visual com outra cena – essa no início da projeção – em que ela tenta, mas não consegue matar o tal cachorro (que na verdade, numa forma animalesca, é representada pelo antagonista). Nada é por caso na tela de Park, nem mesmo a cena final de Senhor Vingança e Oldboy, esse último talvez o mais espetacular dos três.
A cena acima é uma das mais brilhantes de luta que o cinema já viu. Adotando a perspectiva de um videogame antigo em 2D, o espectador quase tenta acompanhar com o joystick a luta e percebe que é verossímil mesmo o desfecho da cena (sem cortes!). É também em Oldboy que Park mostra a face humana mais demente e sombria por um simples sentimento de vingança que, na realidade, não deixa ninguém feliz nem satisfeito. E o que dizer, então, da cena das capas plásticas de Lady Vingança? Quem viu vai saber o que é. A trilha também é importante e em Lady Vingança adota um tom de música clássica, revelando a mesma metáfora audiovisual de “Laranja Mecânica”.
Incrivelmente acusado de violência barata, Park é muito mais do que isso. As três formas de vingança, digamos assim, apresentadas em seus filmes têm a violência muito mais como pano de fundo e condutor da história do que ponto mais importante a ser analisado. A violência é um rio (de sangue heheh) que conduz a história do início ao fim, para que, depois de uma idéia contruída de maneira sólida, sermos apresentadas a um desfecho que desconstrói tudo e nos deixa o beneplácito da dúvida do que realmente acreditamos.
Agora em 2009 será lançado Thrist, o novo filme de Park Chan-Wook. A temática é vampiresca, o que já nos deixa um horizonte de análise bastante apurado. Como que o cineasta vai tratar o assunto? É o tipo de filme que particularmente não me atrai, mas que fico numa dúvida tremenda de como Park irá tratá-lo.














Só vi Mr. Vingança, por enquanto. Quando eu ver os outros, lerei seu post.
Adoro esse cineasta desde que vi Old Boy, inclusive revi recentemente este filme.
Incrível como existem críticos que não entendem a violência nos filmes. Existem narrativas que pedem e fim de papo. O que seria de Tarantino sem a violência? Não quer dizer que seja gratuita.
Bom, esse Thrist já me atraiu…vampiros é comigo mesmo.
Vou procurar os outrosa dois filmes da trilogia da vingança.
Abração!
o roteiro não me atrai não, mas a produção é super boa!!!
Só vi o Oldboy. I imagem dele com asas grudou em minha mente.
Você já viu o top10 Porn Parodies que eu fiz no suncine?
Vi o Oldboy.
E achei do caralho.
abraço
Preciso ver os outros 2 filmes, acabei só vendo Oldboy e que achei excelente.
Oldboy está entre meu Top Ten de filmes. Achei tudo excelente. A atuação do ator principal é sensacional. O final também é um soco no estômago!
Os outros, ainda não vi, mas pretendo ver o mais rápido possível!!
Tô igual a Ramon, vi mesmo apenas Oldboy e também achei sensacional.
Preciso ver os outros 2, vou colocá-los em minha lista de filmes a assistir.
Park é mestre. Estou aniosa pelo novo filme dele, mesmo sendo sobre vampirismo, acredito que essa mistura será bizzara, de padre, vampiro e alguma loucura mental.
Bjs