
A tarde caía e a noite vinha chegando devagar. No Pelourinho, em Salvador, uma rua perdida no sobe-desce do local estava lotada, com uma fila que corria de um lado a outro. Lá dentro, em alguns instantes Vanguart, a tão aclamada banda indie brasileira (tão 2007…), entraria no palco, para depois dar lugar ao Cascadura, a cultuada banda baiana. Ambas conseguiram… Opa, vamos pular tudo isso e chegar à verdadeira vedete da noite, que roubou todos os para eles, de uma maneira extremamente egoísta: Móveis Coloniais de Acaju.
A descrição acima poderia servir muito bem como um brevíssimo resumo do que ocorreu numa noite de sábado em novembro de 2008 em Salvador. As três bandas se reuniram para tocar para um público incrível, mas quem realmente conseguiu arrebatar a platéia de uma maneira de tirar o fôlego foi o Móveis. E é esse grupo que vem ganhando força no cenário nacional com uma mistura tipicamente brasileira, embora o som não tenha nada de samba nem banquinho e violão. O mega-grupo de Brasília acaba de lançar um CD (“C_mpl_te”) que vem apenas confirmar uma coisa: 2009 é deles.
Mais do que conseguir lançar um disco de inéditas com fôlego suficiente para agradar diversos tipos de público, é também arrebatar uma legião de fãs igualmente enorme. A catarse coletiva que presenciei ano passado em Salvador é “fichinha” perto dos vídeos que rolam no youtube das apresentações da banda. É comunhão. É festa. O mega-grupo, formado por nove músicos, mistura rock, pop, samba, ska e muita levada do leste europeu. Em “C_mpl_te”, os caras conseguem ampliar ainda mais esse caldeirão e ainda aprimorar o vocal, as letras e as melodias. É uma evolução natural, que nem sempre é levada à cabo por bandas iniciantes. Mas com o Móveis é diferente.
No atual cenário da música brasileira, como eu comentei aqui sobre Caetano Veloso, o Móveis desponta como uma esperança de mudança e evolução criativa da música feita no Brasil. A mistura, quase antropofágica à lá Tropicalismo, deixa o público louco de êxtase. No disco não é diferente. A sonoridade a todo momento lembra diversas bandas e diversos estilos, porém nunca se atrapalham entre si. A mistura é feita com cuidado, para que nada saia do lugar e fique perdido; nada é à toa. A produção de Carlos Miranda, o produtor-guru gaúcho, ajuda bastante nesse sentido, dando uma unidade coerente a todo o disco. As letras continuam transitando entre Roberto Carlos e Caetano Veloso – isto é, um vasto mundo de possibilidades. E é assim em “C_mpl_te”: a música começa e você sabe mais ou menos como vai terminar, mas jamais será capaz de adivinhar o que levará ao fim.
Com esse disco, o Móveis não fica sendo apenas figura decorativa no cenário musical brasileiro (foi mal, o trocadilho era inevitável), e sim passa a figurar junto com outras bandas com um belo cenário de futuro para a música brasileira. Se há tempos o rock nacional não dá as cartas/caras, é a vez de bandas que juntam elementos “aleatoriamente” e criam sons particulares, bastante elogiados e que conseguem arrebatar centenas de milhares de fãs. Assim é com o Móveis, assim é com o Macaco Bong, assim é com uma dezena de outras bandas.
Quer mais da nova música brasileira? Fique ligado que outros nomes vão pintar por aqui.















Não curto muito o som dessa banda não, mas ela é boa. Porra man, quando quiser escrever algo sobre alguma banda aqui da Bahia me fala que eu posto também no BahiaRock. O site tá precisando mesmo de algumas colaborações.
eheheheheh
bem… a banda é de brasília
Combinado!
Já conhecia a banda. Gosto muito do som deles.
Bom final de semana.
oi, queria deixar uma sugestão
escutem o som desta banda – http://www.instiga.com
é muito boa
tem um clipe deles também…no youtube que vi e gostei demais:
http://www.youtube.com/watch?v=b3FcGzmDncQ&feature=player_embedded
valeu
fica aí a dica!
Eu baixei o cd hoje cedo e vou colocar no iPod pra ouvir amanhã. Se vc diz q é bom, já vou ouvir com o ouvido mais apurado.
Abs
Man, vc curte o Vanguard? É uma banda bem legal! Se curtir, fala alguma coisa dela aí!
no show que fui um dos malucos resolveu ficar nu. e eu praticamente não tive nada a ver com isso.
Muitas bandas dançam e fazem folia em shows e isso mexe com o sangue brasileiro….
Queria ouvir pegada…melodias emocionantes e marcantes.