Curumin é tão brasileiro e paulista no nome quanto na música que faz. Expressa isso na alcunha que deu a si mesmo. Nascido Luciano Nakata (de ascendência japonesa, portanto), Curumin é um bom exemplar do músico brasileiro que consegue ao mesmo tempo fazer som tipicamente nacional e também pra grinco ver. E de qualidade, o que é mais imporante, fazendo uma mistura etérea de vários ritmos tupiniquins com uma roupagem pop e universal.
Pra entender bem o cara é preciso conhecer a origem de seu talento. Desde os 8 anos que Curumin toca bateria e essa precocidade fez com que, aos 16, já tocasse pela noite paulistana. Qual escola melhor para conhecer e aprender a tocar vários ritmos senão a night mais descolada e agitada do Brasil? Alguns anos depois, ainda tocou bateria nas bandas de apoio de gente como Paula Lima, Céu e Vaenessa da Mata. Mas era hora do vôo solo.
O primeiro trabalho solo veio com “Achados e Perdidos” (2003), lançado em meio a boas críticas nacionais e internacionais. No disco, Curumin explora o que há de melhor na música brasileira com acento black. Ele vai desde sons mais clássicos como o samba-rock de Jorge Ben, até a black music de gente mais recente. Porém, o que dá o tom mesmo é o samba, aquele mesmo típico do Rio de Janeiro (ele não era paulista?), bem malemolente e descarado. Claro, Curumin é um artista cosmopolita e sabe mesclar bem suas influências, e não é à toa que em todo disco podemos perceber esse fio condutor que é o samba, mas sem nunca esquecer do resto. Em “Achados e Perdidos” o artista ainda estava iniciante, em que percebe-se claramente uma tentativa grande de experimentar e, com isso, alguns deslizes típicos de quem tem muita vontade e um mundo de ritmos à sua frente. E o suingue ele não perde nunca. Em “Acorda, Simpático” ele emula Jorge Ben, já em “Guerreiro” ele está mais para a velha guarda do samba e em “Sama Japa” ele é tudo isso e mais um pouco. A eletrônica e o dub estão lá, é claro.
Porém, onde Curumin realmente imerge nessa intricada teia sonora é em “Japan Pop Show”, disco lançado em 2008. Com as mesmas influências do trabalho passado, o artista vai fundo e cria uma salada musical muito bem temperada. É como se os ingredientes fossem igualmente diferentes e iguais (samba, hip-hop, dancehall, soul e black), acrescidos da maionese para dar “liga” (a eletrônica). Pondo os dois lados da moeda na balança, o resultado é um disco cheio de ritmo e suingue brasileiro, mas também com uma pitada universal, aquele tipo de som que pode ser ouvida tanto no Brasil quanto no Japão. Não é à toa que Curumin faz relativo sucesso nos EUA, já tendo rodado o país numa mini-turnê há alguns anos.
“Japan Pop Show” é uma mistura, mas não é confuso. Eu sei que é chata essa mania de algumas bandas dizerem “nosso som é uma mistureba, jogamos tudo no liquidificador e saiu isso aí”. Essa explicação é típica de bandas que não têm identidade, e isso é justamente o que faz a música de Curumin tão peculiar. Em “Japan Pop Show” o artista ataca de ironia+funk/hip hop (Mal-Estar Card), Dancehall+hip hop (Caixa Preta), samba-rock (Compacto), jovem guarda/soul (Magrela Fever) e, claro, muito samba.
Ao final desse “blá blá blá” todo, o mais importante é ouvir o som do cara. Preparei um playlist fast-food só pra dar água na boca. Se joga.

















Grande Rodrigo,
Já tinha ‘ouvido’ justamente em um site gringo, soa interessante e despretensioso. Claro que emula alguns sons da música br (os melhores), mas no final consegue identidade própria.
Um som universal realmente, prova disso é que no youtube a maioria dos uploader de musicas dele são gringos.
\o/
Não viajei muito no som dessa banda não.
Já tinha visto essa banda tb, acho q foi no Altas Horas.
Tem uma banda, aqui de Salvador-BA que também mistura vários ritmos e o resultado é muito bom.
Mistura um som Regional, com Rock, Soul, dentre outros estilos.
O nome da Banda é Afrogroove, vale a pena dar uma conferida.
http://www.myspace.com/bandaafrogroove
Para além da sonoridade, dos ritmos e tal, ele tem características muito interessantes também nas letras. É como se o curumin fosse uma criança fazendo música! Genial!!! “Cisco no olho, olha a brincadeira, guidon torto, roda amassada, vou de qualquer maneira!”, muito bom, fazia tempo que não aparecia algo assim!! Extremamente simples e no alvo!