
direção: Ron Howard
elenco: Tom Hanks, Ayelet Zurer, Ewan McGregor, Armin Mueller-Sthal
país: EUA
gênero: ação/suspense
ano: 2009
título original: Angels and Demons
Diferentemente de “Código Da Vinci”, quando o filme padecia de inúmeros pecados, dessa vez a saga de Robert Langdon em “Anjos e Demônios” consegue suprir alguns defeitos do passado e sair vitorioso em diversas outras situações, porém uma coisa é certa: transpor para as telas um tipo de história como essa, sem incorrer em erros bobos e clichês desnecessários, é quase impossível.
“Anjos e Demônios” é a história do professor especialista em história da religião católica Robert Langdon (Tom Hanks), que é chamado pelo Vaticano a desvendar um intricado mistério envolvendo a Igreja que pode pôr abaixo parte da Itália. Para a aventura, o professor conta com a ajuda da bela Vitória Vetra (Ayelet Zurer) e de outros personagens importantes, como o Camerlengo (Ewan McGregor) e o Cardeal Strauss (Armin Mueller-Sthal).
Dessa vez Robert Langdon não vai atrás apenas da resolução de um mistério escondido na escuridão histórica do catolicismo, e sim é impelido em ajudar a Igreja numa arriscada missão que pode salvar o Vaticano e a vida de muitas pessoas. Falando assim, essa é apenas mais uma história de um thriller de ação – e na verdade, em parte, é isso mesmo. Parte do trunfo de “Anjos e Demônios” é não se esquecer que, antes de mais nada, ele é um filme de ação, o que ajuda bastante na condução da narrativa. O filme não se preocupa com outros aspectos que possam atrapalhar seu real objetivo, que é de entreter e criar um suspense de tirar o fôlego. Claro, a carga histórica está toda lá, mas o que poderia virar apenas uma aula de história da arte/religião (como a maior parte de “Código Da Vinci”), toma isso apenas como pano de fundo para criar um thriller frenético e com boas doses de suspense.
O diretor Ron Howard conta com um bom elenco para lhe apoiar nessa empreitada, fato que é imprescindível para o resultado final. Tom Hanks está correto, mas ainda assim não consegue criar um Langdon superior à própria história (como Harrison Ford fez com seu Indiana Jones), assim como Ewan McGregor apenas liga o piloto automático e segue em frente. O destaque no elenco, porém, fica por conta do Cardeal Strauss, um personagem que tem poucas cenas – o que é uma pena, mas que cria um suspense importantíssimo para trama. A condução narrativa é toda voltada para o suspense e as invencionices do professor Langdon, que usa toda sua capacidade intelectual para resolver os enigmas que lhe são impostos. Sempre ciente de seus objetivos, o herói aqui é falho e necessita de ajuda externa para resolver os conflitos, o que é mais humano do que um herói sem erros e que tudo sabe. A resolução dos enigmas, portanto, é a chave de condução da história, que toca em pontos interessantes da atual conjuntura política e religiosa. Temas como ciência versus religião e manipulação midiática dão certo toque de atualidade para que o espectador reconheça na história não apenas um thriller de ação, mas que também possa discutir esses assuntos de forma tangencial. Porém, nada que atrapalhe o suspense, as perseguições de carro, os mistérios indissolúveis, as reviravoltas mirabolantes e o final surpreendente.
Todavia, qualquer que fossem o diretor e roteirista do filme, com certeza cairia num beco sem saída. A carga histórica e documental de “Anjos e Demônios” é tamanha, que seria impossível conseguir colocar na telona um filme que fosse ao mesmo tempo suspense/ação e também informativo. Talvez fosse o caso de fazer um novo Senhor dos Anéis, com suas intermináveis 3h30 de filme, mas aí provavelmente o resultado não seria completo. Essa dificuldade é o que mata o longa: em diversos momentos somos cortados de uma situação religiosa importante para sermos jogados em uma perseguição dentro de uma Igreja qualquer da Itália. E também perdemos minutos preciosos sendo apresentado a trilhões de informações num curto espaço de tempo, sendo que, mesmo sendo imprescindíveis para o entendimento da história, o andamento do filme fica completamente comprometido.
Essa dicotomia estraga uma parte considerável do longa, embora em diversos momentos somos apresentadas a algumas boas cenas de ação e outros momentos históricos e informativos de grande valia. Como representante ativo do gênero ação, “Anjos e Demônios” também segue a velha cartilha do gênero: reviravoltas absurdas, tiros em pleno dia sem que ninguém veja, perseguições de carro, correria, explosões e um final um pouco forçado. É um thriller, oras.
Café com Pop é uma produção do jornalista baiano Rodrigo Carreiro, 25 anos, atento ao mundo da música e apaixonado pelo cinema. No cardápio, comentários, notícias, vídeos, sons, fotos e tudo quanto é coisa pop que possa vir acompanhado de um bom e velho cafezinho.














Dessa vez eu não li o livro como tinha feito com “Codigo da Vinci”.
Hoje irei assistí-lo e conferir. Só de ele ser pelo menos razoável pra bom já é uma boa notícia!
Li os dois livros, vi o Código e achei decepcionante. Creio que Anjos vá pelo mesmo caminho, mas pelo que ando lendo, tem alguns pontos positivos que o outro não tem.
Abração!!!!!!
Não vi o Código e não devo assistir esse.
o livro é melhor que o filme. porque ainda há dúvida nisso. bela crítica, Carreiro.
Filmes, filmes, quanto tempo não os vejo.
Velho, achei o filme um LIXO!!! Cenas fracas, todo mundo é inteligente – quando surge um questionamento, em dois segundos alguém tem a resposta, seja Langdon, a gatinha que o ajuda ou até o cara que serve de motorista para eles.
Sei que o livro também tem isso (não li, mas me falara): descobrir as localizações das igrejas baseados para onde a ponta do dedo de uma estátua ou uma flecha apontam parece coisa de filme dos Trapalhões.
Sem contar umas conversas sobre História que são chatas pra cacete! E olhe que adoro História, mas são fora de lugar.
Não sei qual foi o último filme com Tom Hanks que vi que ele se destacou ou que tenha gostado… ah, acho que foi: “Filadélfia”.
SPOILER
E, cá para nós, quem conhece o mínimo de cinema, imaginaria que Ewan Macgregor seria o vilão. Quando vi o trailer, falei isso para minha namorada: “Ele é o vilão”. Não deu outra…
FIM DO SPOILER
Recomendo é “Star Trek”… filme que me surpreendeu positivamente, já que não sou fã de ficção. Ah, J. J. Abrams já gosta da porra de viagem no tempo! Acho que ali tem a reposta de Lost. Em Star Trek, Abrams mostra que o passado pode ser mudado, mas em Lost, os personagens dizem: “O que aconteceu, aconteceu”… foi bem sacado isso!
Pois é, adaptações. Como você bem disse, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Literatura e cinema podem ter uma certa simbiose, mas separar e deixar bem claro as peculiariades de cada um é fundamental. Senão a decepção é certa.
Sobre os filmes, não os vi ainda. Mas me vem a cabeça, como você lembrou no texto, uma espécie de Indiana Jones do meio eclesiástico.
Gostei do filme, mesmo percebendo algumas falhas como: realmente todo mundo sabe tudo, e o Carmelengo ser quem é, isso é de se esperar…
Algumas cenas são muito previsíveis, e a resolução de algumas coisas tbm…
Porém, no todo, eu recomendo, mesmo par que não leu o livro, acho que pra estes principalmente, pois preceberão menos distorções que a obra original.
Li os 2 livros e vi os 2 filmes… o filme de “código daVinci” é absolutamente bizarro, e Tom Hanks (me desculpem os fans) é um merda!! Eu lembro de 3 atuaçoes dele q eu gostei: Filadelfia, O naufrago (pq ele nao tem q falar nada…) e O terminal (q ele nao fala quase nada…). Ele como Robert LAngdon é O erro!
O filme de “Anjos e Demonios” é absurdamente melhor que o filme anterior da série, mas ainda assim, nao chega aos pes do livro. É o tipo de filme que vale assistir em casa, num domingo, quando nao tiver nada melhor passando na televisao.
=*****
O filme é mais fraco que o livro, em absoluto, sem dúvidas! Porém, acho que vale a pena, talvez pela decepção que tive assistindo O Código… ou talvez porque realmente exista algo de bom no filme…
Não se pode assistir a Anjos e Demônios esperando algo muito além do que ele é!
Pra quem pretende um thriller de ação, que não faça referências históricas e afins, assista Taken (Busca Implacável), provavelmente não se desapontará!
Não gostei do filme tanto quanto do livro, mas penso que cumpre seu papel e se esforça em passar a narrativa envolvente que Dan Brown imprime no livro.
pude conferir o filme e realmente é imprecionante os questionamentos que são levantados. Um grande suspense no ar nos remete a pensar e avaliar questões próprias até mesmo de grandes valores atualmente. Sem dúvidas é uma otima oportunidade para os amantes de um bom suspense e criticadores cineastas
realmente foi decepcionante assistir Anjos e Demonios, fatos que acredito serem importantes
no livro, no filme não colocaram… mas pensando bem foi melhor não terem colocado o estrago seria maior.
É óbvio que o livro é muito melhor do que o filme, mas não se queixem! Os efeitos e as mortes alucinantes estão espectaculares. Não me decepcionei, porque até um aparte que foi mudada no filme, a quase morte do último cardeal, foi muito melhor. O facto era que era preciso fazer várias modificações e cortes para que o filme não fosse extremamente longo. nenhum fime baseado num livro pode ser completo! Quem souber apreciar um bom cinema não se queixe. Se queriam um fime igual ao livro porque +e que iam ver o filme. Mais valia ficarem então pelo livro.
Gostei do filme, a tensão ficou bem acentuada, diferentemente do Código.
E a trilha sonora do Hans Zimmer ficou ótima! A música que aumenta de volume quando o farol do carro acende me fez grudar na poltrona do cinema.
E sim, como adaptação, ela invariavelmente ia sofrer cortes…
Sortudo aquele que assistiu o filme e não leu o livro…
Robert Langdon não é especialista em história da Igreja Católica. É simbologista. Quem quer que tenha lido qualquer um dos livros em que o personagem aparece não deixaria isso passar tão facilmente.
no começo ñ me emprecionei mas depois foi melhorando com tempo