Crítica de Filme – X-Men Origens: Wolverine (2009)

nota04

direção: Gavin Hood
elenco: Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Houston, Lynn Collins
país: EUA
gênero: ação
ano: 2009

Para entender melhor “X-Men Origens: Wolverine”, o mais indicado é analisar apenas um personagem; e não é o próprio Wolverine. A cara do filme é, na verdade, The Blob: gordo, fora de forma, forte, com brilhos raros e derrotado ao final da luta. Ele é a síntese perfeita do filme, que tem personagens em excesso, cenas de ação pouco convincentes – apesar de uma ou outra parte mais empolgante – uma história forte e um final constrangedor de tão ruim.

“X-Men Origens: Wolverine” volta na história dos heróis dos quadrinhos para contar o surgimento de Wolverine (Hugh Jackman). O filme segue da infância do herói até chegar ao momento em que ele aparece, já ao lado da bela Kaila (Lynn Collins), longe das lutas e brigas que marcaram sua vida, tentando fugir do passado que o liga ao inescrupuloso Stryker (Danny Huston) e seu irmão, Creed “Dente de Sabre” (Liev Schreiber).

A escolha inicial do diretor Gavin Hood é convincente. Ele acompanha com firmeza os acontecimentos iniciais da vida de Logan, dando uma interessante motivação para o verdadeiro surgimento do mutante. Logo depois, o filme consegue dá um ótimo dinamismo ao mostrar os dois irmãos lutando lado a lado em algumas guerras importantes na história dos EUA. Ao aliar os créditos iniciais a essas cenas, Hood dá um tiro certeiro e parecia antever boas cenas de ação – as elipses são muito bem cuidadas e a ação é quase impecável. No entanto, é uma pena que grande parte da eficiência do filme esteja apenas nesses minutos e não perpasse o restante do longa.

A narrativa parece desequilibrada, com a ação direta dos acontecimentos rolando somente após mais da metade do filme. No começo, alguns personagens parecem deslocados, surgindo na tela apenas para mostrar que estão ali e serem reconhecidos pelos fãs. A maioria deles em nada acrescenta à trama, realizando apenas algumas fracas cenas de ação (imitando o medíocre “O Procurado”, o que é uma lástima, e até Matrix, uma sacanagem com os irmãos Wachowski) e logo depois desaparecendo. É uma pena, porque seria interessante que acompanhássemos o desenvolvimento psicológico e social de parte deles, como bem fez a trilogia inicial de X-Men. Hugh Jackman encarna muito bem, mais uma vez, um Wolverine animalesco e misterioso, embora aqui ou ali falte um pouco do sarcasmo habitual do mutante. O filme, todo calcado na atuação de Jackman, peca por não dar motivações suficientes para as ações do personagem, assim como faz com os demais. Todo mundo segue miseravelmente seu destino inexorável, como se fossem programados para serem daquela forma como computadores de última geração.

A ausência das motivações é inversamente proporcional à quantidade de mutantes no filme. O roteiro desperdiça, inclusive, a história de Gambit e de Dente de Sabre – esse último aparece na maioria das vezes como mero antagonista de Wolverine, quando na realidade é muito mais do que aquilo. Na condução da narrativa, o roteiro ainda mistura histórias demais num mesmo filme, já que Wolverine é responsável por inúmeras HQs. No visual, a equipe técnica não teve o menor cuidado, realizando efeitos especiais precários (o que são aquelas garras ridículas feitas por computador? Ninguém lembrou que nos outros três “X-Men” as garras do herói eram bem feitas?) e soluções visuais incorretas para as lutas, muitas vezes tremendo a câmera demais, cortes em menos de 1 segundo e poluindo a tela. Prestando bem atenção, o espectador quase não distingue nada na tela, só borrões e explosões – e a cena da luta entre Wolverine e Gambit é um exemplo claro disso.

Esse mix não fez bem, assim como o final do filme. Repleto de situações absurdas, que se eu contasse aqui seriam belos spoilers, a história se finaliza de uma maneira insossa, dando uma explicação sem sentido para a perda de memória de Wolverine e um destino sem noção para o restante dos personagens mutantes.

Você também pode se interessar por:

About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.