Crítica de Filme – Mulher Invisível (2009)

nota06

direção: Claudio Torrer
elenco: Selton Melo, Luana Piovani, Fernanda Torrer, Maria Manoela, Vladmir Brichta
país: Brasil
gênero: comédia
ano: 2009

Da nova safra de filmes de comédia do Brasil, que ainda conta com “Se Eu Fosse Você”, “Divã” e outros, “Mulher Invisível” talvez seja o mais consistente, embora peque em diversos aspectos. Mesmo com roteiro frágil e previsível, o filme consegue se manter graças ao carisma e talento de seu protagonista (Selton Melo), além da boa dinâmica dele com o restante do elenco.

“Mulher Invisível” é a história do controlador de tráfego Pedro, que cria na imaginação uma mulher perfeita, logo após ser chutado pela esposa. A tal mulher perfeita (Luana Piovani) realiza todos os desejos do rapaz, mas a situação começa a mudar quando uma outra mulher entra na parada.

O filme é mais um exemplar produzido com a marca “Globo Filmes”, o que traz ótimos pontos (como financeiro), mas também carrega consigo um peso enorme. Como já comentei aqui sobre “Divã”, essa nova produção também tem todas as características de uma produção global-novelística. Tá. Eu sei que é chato, mas eu não posso deixar de registrar essa pasteurização de certos filmes nacionais. Claro, em alguns aspectos não há problema – principalmente quando há em cena um ator no auge de sua carreira, como é o caso de Selton Melo -, mas no geral é um pacotão básico, um modelo estruturado que serve para vários filmes. Deixando um pouco isso de lado, o diretor Cláudio Torres acerta quando prepara o filme todo para Selton brilhar, interferindo pouco em cena e até aparando algumas arestas aqui ou ali.

A narrativa é construída de maneira bastante linear. Apesar de tentar criar um certo clima de suspense, todo mundo já sabe mais ou menos o que vai acontecer – até porque o trailer entrega bastante coisa. O que não entrega, no entanto, é a história paralela do outro lado do “triângulo amoroso”, vivida por Maria Manoela, um papel que exige um pouco mais e que a atriz interpreta de maneira correta. O grande trunfo do filme, no entanto, são as ‘gags’ de Selton e seu elenco de apoio – assim mesmo, “de apoio”. Assim como Jim Carrey e outros grandes comediantes, o ator brasileiro tem o terreno todo para si e consegue, com isso, estabelecer uma boa dobradinha com Vladmir Brichta, que vive Carlos, seu melhor amigo. Mesmo repetindo um tipo muito parecido com o que já fez em outros filmes (’Romance’, por exemplo) ele vai bem ao lado de Selton, assim como Fernanda Torres ataca como a conselheira amorosa da personagem de Maria Manoela. Mais uma vez, ela repete a si mesma (Vani de ‘Os Normais), mas tem lá seus bons momentos.

O roteiro, sim, é o fundo do poço do longa. Linear demais, previsível e frágil na maioria das cenas, ele leva a história a pontos bem chatos. No entanto, creio que o tipo de história cairia perfeitamente num daqueles seriados noturnos de sexta-feira da Globo, com muita comédia e temática mais adulta. Funciona melhor.

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