
direção: Stefan Ruzowitzky
elenco: Karl Markovics, August Diehl, Devid Striesow
país: Áustria/Alemanha
gênero: drama
ano: 2007
título original: Die Fälscher
O ano de 2009 parece ter sido reservado para filmes dando novo olhar à Segunda Guerra. De conflitos pessoais de “O Leitor” à inocência infantil em “O Menino do Pijama Listrado”, o tema rende agora um ótimo exemplar que discute escolhas individuais e seu impacto no coletivo, com o ótimo e bem dirigido “Os Falsários”.
O filme segue a história do falsificador bom vivant multi-facetado Salomon ‘Sally’ Sorowitsch (Karl Markovics), que vivem na Alemanha e falsifica de tudo. Preso, ele segue direto para campos de concentração da Alemanha nazista, passando a integrar, junto com outros prisioneiros, como Adolf Burger (August Diehl), uma divisão de falsificação do regime.
O trunfo de “Os Falsários” é ser ao mesmo tempo denso e suave, uma característica muito difícil de se alcançar em histórias desse tipo. A temática Segunda Guerra, na verdade, parece que só funciona no cinema hoje em dia se tocar em feridas ainda encobertas, ou então em assuntos obscuros, como é o caso do longa em questão. “Os Falsários” é uma história real, escrita por Berg, único personagem que manteve o nome original. Criando uma teia concisa e sóbria, o diretor Stefan Ruzowitzky explora bem o tema real e o pano de fundo que é a guerra, e não abusa em momento algum o drama dos judeus em vão ou então os campos de concentração, altamente explorado em dezenas de filmes.
A narrativa é, portanto, envolvente por si só. O impacto inicial que o público toma é visto quando, logo aos 5 minutos, passamos do final da história para o começo, dando um contraste impactante, que vai ser importantíssimo para a fruição do filme. O diretor Ruzowitzky não é em momento nenhum maniqueísta em relação aos próprios prisioneiros, já que, sendo judeus, são obrigados a trabalhar para aumentar a fortuna do partido nazista e financiar uma guerra contra os próprios judeus. É esse conflito interno que vai permear toda a história, isto é, de que adianta trabalhar forçado para o regime se é justamente esse trabalho que vai salvar os nazistas? O trabalho em questão é a falsificação de dinheiro.
A construção desse conflito é bem recortado com a história de alguns personagens judeus e outros nazistas. A dualidade interna dos prisioneiros é ainda mais evidente nas relações de cada um. Tem gente ali com a família inteira morta, outros que ainda têm esperança em reencontrá-los e alguns, como Sally, que não têm nada a perder. O protagonista passa a ser o chefe da divisão e suas atitudes impactam diretamente no funcionamento do Projeto nazista e em como os outros vão (ou não) ajudar a levar pra frente a idéia. MArkovics faz um Solomon de maneira magnífica, encarnando um homem dúbio e misterioso, que tem um código de conduta próprio, mas que não poupa esforços em ajudar seus amigos, mesmo quando está em situação delicada.
O tema, que aparentemente é denso demais, tem algumas peculiaridades que o tornam mais “leve”, se é que isso é possível. O ponto chave para que isso aconteça é a dinâmica do roteiro, que somente perto do final demora alguns minutos a mais em cenas desnecessárias, mas que volta logo ao ritmo de antes. A conclusão, por sua vez, é bem irônica e reforça ainda mais a idéia de dualidade que qualquer ser humano vive e, mesmo sofridos por um regime imbecil e desumano, os judeus também não ficam de fora. A frase que encerra “Os Falsários” é claro nisso e dá o fechamento ideal, sem ser piegas ou repetitivo.
P.S.: “Os Falsários” é o ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2008, mas só agora, em junho de 2009, chega às telas brasileiras.
Café com Pop é uma produção do jornalista baiano Rodrigo Carreiro, 25 anos, atento ao mundo da música e apaixonado pelo cinema. No cardápio, comentários, notícias, vídeos, sons, fotos e tudo quanto é coisa pop que possa vir acompanhado de um bom e velho cafezinho.














Pra variar somos agraciados com atrasos de 1 ou 2 anos, ou pior, nem aparece por aqui.
Diga-me uma coisa, por curiosidade: quanto é a média do valor do ingresso de cinema aí em Salvador? Digo, uma boa sala.