
Vem de Cuiabá, uma cidade mais conhecida pelo calor infernal do que por grandes bandas, o som do Macaco Bong, um power trio de responsa que vem levando o som instrumental a um novo patamar no Brasil. Se o estilo há alguns anos vem ganhando força, com Pata de Elefante e Retrofoguetes só pra citar dois nomes, o Macaco Bong bebe de referências diversas para criar uma sonoridade ao mesmo tempo única e acessível a qualquer ouvido.
Um ponto tão forte na ainda curta carreira da banda quanto sua música é o modelo de divulgação/gestão adotado pelo trio, formado por Bruno Kayapy (guitarra), Ynaiã Benthroldo (bateria) e Ney Hugo (baixo). Sem a mínima interferência de qualquer tipo de gravadora ou selo, o Macaco Bong conseguiu colocar na rua seu primeiro CD, Artista Igual Pedreiro (2008). “Rua” leia-se internet e todo tipo de local onde o público possa querer o disco dos caras. Com esse modelo, a Monstros Discos, consagrado selo indie de Goiás, e a Trama entraram na jogada e deram ainda mais vazão ao trabalho, que em 2008 foi considerado pela revista Rolling Stone Brasil como o melhor do ano. E não é pouca coisa.
A idéia do trio foi simples: montar uma banda que fosse auto-suficiente, sem que isso fosse sinônimo de mendicância e sim de autogestão participativa e formação de uma rede de contatos com bandas e festivais independentes do Brasil. Um modo que parece complexo, mas que na prática demonstrou-se ser de uma eficácia tremenda. Em apenas três anos, a banda conseguiu rodar o país tocando em todos os grandes festivais de música e ainda construiu uma rede de cooperação musical que não só catapultou a cena cuiabana para o resto do Brasil, mas também serviu como base para uma adoção em outras praças musicais. O Projeto em questão é o Instituto Cultural Espaço Cubo, que tem ainda como braço forte o Circuito Fora do eixo (clique nos links para saber mais).

Questões burocráticas à parte, o som do Macaco Bong emula grandes bandas de rock, misturando referências que vão desde o setentista Jimmy Hendrix, passando pelo Rush e Dire Straits e chegando a nomes mais recentes, como Pearl Jam, Nirvana e Queens Of The Stone Age. A real marca da banda é a desconstrução estética de arranjos, criando um som conceitual que consegue viajar muito bem entre estilos diversos. A virtuose de Bruno Kayapy é digna de grandes guitar-men, sempre variando bem as melodias e sabendo solar no momento certo e no tom certo. É possível ver em “Artista Igual Pedreiro” um imenso jardim de sonoridades, costurados por guitarras que comandam o restante da banda de uma maneira etérea e única. O baixista Ney Hugo cumpre bem seu papel, mas muitas vezes quem rouba a cena é o excelente baterista Ynaiã, de uma sensibilidade incrível para associar peso e leveza muitas vezes mudando de tom em poucos segundos.
No disco, músicas como “Black´s Fuck” e “Noise James” conseguem conviver tranquilamente entre o peso e a psicodelia. Na realidade, o trabalho é um épico rock n roll, em que ainda pode ser ouvido “Amendoim”, um petardo no estilo Jimmi Hendrix, “Rancho”, que tem um balanço todo suingado e um peso que puxa bem para Pearl Jam, e as outras que fundem jazz (Eric Johnson), Hard Rock, Metal e progressivo. Esse último estilo, aliás, bem presente, uma vez que quase todas as músicas não tem menos de 7 minutos.
E ainda tem mais: ao vivo a banda se supera ainda mais. Então, se tocar na sua cidade, não vá perder por nada.
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A Nova Música Brasileira I – Móveis Coloniais de Acaju
A Nova Música Brasileira II – Curumin














Porra man, gosto muito dos seus posts sobre música. Mais uma banda para eu conhecer!
Banda do cacete!
Não é brasileiro, mas é minha nova aquisação, conhece The Dodos?
Parabéns pelo blog e textos! Gostei da idéia de usar xícaras de café para rankear as coisas. No sábado, publicaremos um post sobre café no qua citaremos seu blog. Visite-nos! Abraços
Muito Boa! Existem hoje no Br algumas bandas que seguem essa linha do Macaco bong, mas nenhuma consegue superar esse trio.
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