
“DC Comics and Chocolat Milkshakes / even though i´m 28”. Essa é apenas uma parte de uma letra do grupo punk Art Brut, que cospe riffs e tiradas nerds impagáveis, misturando a pegada suja com temática que gira em torno da própria vida rock n roll inconseqüente e o universo de nomes como Kevin Smith & Cia.
A banda vem da gelada Londres e toca punk, não o estilo mais tradicional de nomes como Ramones ou Sex Pistols. O som conjuga mais um punk garageiro e despretencioso, que utiliza o humor e as referências nerds para tratar de assuntos típicos da juventude, como desiluções amorosas, problemas com a puberdade e festas, muitas festas. O estilo, inicialmente comparado a nomes contemporâneos como Bloc Party e Franz Ferdinand, é contagioso desde o debute com “Bang Bang Rock n Roll” (2005), um petardo que traz em poucos minutos o frescor juvenil de uma banda punk que há tempos não se via. É nesse disco que somos apresentados a dançante e grudenta “My Little Brother”, que arregaça vidraças com a tirada “My little brother just discovered Rock & Roll / There’s a noise in his head, and he’s out of control”. A crueza das letras não param por aí. Ainda no mesmo disco, a música que abre o trabalho (Formed a Band) avisa aos interessados: “Just stop buying your albums from the supermarkets / They only sell things that have charted / And Art Brut? / Well, we’ve only just started”. E foi apenas o começo.



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O primeiro trabalho deu muito o que falar na cena indie inglesa. A banda rodou festivais de verão por toda europa e rompeu barreiras, chegando a tocar no mega-festival americano Coachella – para muitos o melhor do mundo. O show despretensioso, arrebatador e punk até o último volume conquistou muitos fãs. Com um disco não muito comentado, “It´s a Bit Complicated” (2007), o Art Brut chegou em 2009 com vontade de quebrar as mesmas barreiras do início da carreira.
Em abril saiu o já bastante tuitado, blogado e comentado “Art Brut Vs. Satan”, que renova as energias ao lado do produtor super-indie Frank Black, que um dia já foi líder da banda mais alternativa de todos os tempos, o Pixies. Nesse álbum, Eddie Argos (vocal), Ian Catskilkin (guitarra), Freddy Feedback (baixo), Jasper “Jeff” Future (guitarra) e Mikey Breyer (bateria) retomam o frescor juvenil de uma banda que parece verdadeiramente ser nova, mas com uma bagagem de anos de estrada. As referências pop, indie e nerd estão cada vez mais presentes, ao lado de riffs pegajosos e uma sujeira ainda maior na composição das músicas. O grupo parece ter aproveitado bem o tempo ao lado da lenda-indie Frank Black.

Lembram do trecho de música de abertura desse post? Pois é esse tom que vamos ouvir no álbum todo, com a banda lamentando uma vida chata de privações, mas felizes por ainda terem os quadrinhos da DC e um milkshake gelado à espera. Argos é um cara que não canta da maneira convencional. Ele, na realidade, não é bem um cantor, já que ao invés de entrar na melodia da música e se misturar a ela, consegue ditar quase que didaticamente as letras, falando mais do que cantando. É assim em “Alcoholics Unanimous”, que abre o disco se lamentando por uma típica noite adolescente perdida com álcool e loucuras impublicáveis. A banda ainda destila temas corriqueiros e banais (“The Passenger” e “Summer Job”), amores perdidos e inconseqüentes (“Am I Normal?”) e uma ironia de correr um leve sorriso no rosto (“Slap Dash For No Cash”).
Art Brut procura, tenta e faz de tudo pra ser o porta-voz de uma geração. Mas sem pretensão nenhum de ser isso tudo. Sacou?














Essa banda é bem divertida mesmo.
I have already seen it somethere…