
direção: Henrique Goldman
elenco: Selton Melo, Vanessa Giácomo, Luis Miranda
país: Brasil/Inglaterra
gênero: drama
ano: 2009
Amparado numa história real e com grande implicação social e política, “Jean Charles” faz desse pano de fundo apenas uma muleta para levar à frente sua verdadeira história: a dificuldade de imigrantes brasileiros em Londres. E é apenas com as belas atuações do elenco que o filme se sustenta, apresentando uma narrativa frágil e pouco criativa.
“Jean Charles” conta a história do protagonista que dá nome ao longa (Selton Melo) e de sua prima Vivian (Vanessa Giácomo), que vivem na Inglaterra uma rotina de duras provações e subempregos mal remunerados.
A história de milhares de brasileiros que vivem fora do país já é bastante conhecida do público, que vê constantemente nos telejornais casos parecidos, com pessoas subempregadas e retornando ao país do jeito que foi: com a mão na frente e a outra atrás. Essa imigração, na sua maioria ilegal, é o mote do filme, que mostra não só os dois principais personagens, Jean e Vivian, mas também outra infinidade de brazucas (são assim chamados por lá) que vivem em Londres.
O roteiro é frágil, apresentando um conflito pouco expressivo e que leva a história do nada a lugar algum. Esse tal conflito, que move qualquer tipo de história, seja ela de teatro, cinema, literatura ou televisão, praticamente não existe. “Jean Charles” é apenas o registro do cotidiano de alguns brasileiros que vêem num país estrangeiro oportunidades que não encontram no Brasil. Fato corriqueiro e antigo, é verdade, mas que de certa forma não foi tratado ainda no cinema. Esse fato, por si só, já seria interessante ser abordado, porém da maneira que está no longa é que não funciona. O conflito, então, é simplório e sem sentido, e o filme só anda de verdade em algumas outras situações, quando por exemplo Vivian se vê separada entre um amor do Brasil e o outro em Londres. Ou então as peripécias do próprio Jean, que procura oportunidades de trabalho nas mínimas brechas que encontra pelo caminho.
A dinâmica desses atores, aliás, é o grande trunfo do filme. Selton Melo encarna um Jean alegre e bem humorado, mas sem nunca deixar de ser prestativo e tentar ajudar a todos. Essa característica é que pontua toda trajetória de Jean pelo filme, que consegue resolver os problemas dos outros, mas os seus ficam sempre em segundo plano. Vivian, sua prima que vai à Inglaterra para juntar dinheiro para ajudar a mãe no interior de Minas, apresenta-se frágil, mas que percorre uma trajetória de crescimento pessoal considerável. Porém, quem rouba os holofotes para si quando está em cena é Luis Miranda, com seu Alex despojado e engraçado em praticamente todas as falas, usando bem o corpo (quase numa teatralização de sua atuação) para uma quebra da dramaticidade do filme. É até exagerado em alguns pontos, mas o grande público vai ao delírio em diversos momentos.
No final, o filme ainda apela para uma dramatização que não condiz com o restante da história. Ora, se em todo longa pouco se trata do assunto, porque enfocar vários minutos na conclusão de uma história que não foi tratada? O filme é até pontuado com questões sobre o terrorismo, mas a finalização não bate definitivamente com a condução da história.














Ainda não assisti o filme, mas quando fizer isso vou lembrar desse comentário e analizar. A priore, confio na sua opinião.
Velho, desculpe a demora em aparecer; é que quanto mais vai crescendo a blogesfera, vai ficando complicado manter a regularidade.
Abração e vê se não some.
vc resumiu minha opnião em duas palavras perfeitas.
frágil e pouco criativo.
(na verdade em 3 palavras… hehehe)
abraços
>>
se é pra reclamar, é questão de dignidade ficar no Brasil.
Esse filme, nem de graça!!!! Quer dizer que no fim eles ainda nos tiram do universo diegético sem mais nem menos com essa dramatização,
Bruno, ele não nos tira do universo diegético, mas emprega um tempo desnecessário num desfecho que pouco traz de novo. Nos créditos aparece uma foto do próprio Jean, mas é só como RIP (rest in peace), sem maiores problemas.
Bom, eu quero ver o filme, mas ultimamente estou em outros univeros diegéticos! Vocês, depois do curso com Pablo, ficaram muito técnicos! hahahaha!
Universos diegéticos da literatura, esqueci de dizer!
Claro, né Sandro? Não poderia deixar de dizer “universo diegético!
É, não me empolguei muito em ver esse filme não.
Vi ontem e concordo com o que você falou. Só se salva mesmo nesse filme Luis Miranda e Selton Melo.
Curti o filme, sua estetica diferente, camera no ombro, movimentos q seguem a acao dos atores, atores quase sem maquiagem. E’ um filme diferente dos q vem de hollywood. Mas as pessoas parecem nao entender muito isso. Eu gostei sim. Alem de mostrar a cidade mais maravilhosa do mundo.
Adorei o filme, queria saber as musicas que são tocadas , procurei na internet e não achei tem uma música que começa ahhhh hum ahhhhh muito linda toca nas cenas da personagem de Vanessa Giácomo, por favor se acharem ou souberem me mande só o nome da musica ror_2006@ig.com.br gratooooooooooo