Crítica de Filme – Marido Por Acaso (2009)

nota06

direção: Griffin Dune
elenco: Uma Thurman, Jeffrey Dean Morgan, Colin Firth
país: EUA
gênero: comédia/romance
ano: 2009
título original: The Accidental Husband

É curioso tentar entender a capacidade “criativa” de Hollywood em criar dezenas de filmes de comédia romântica a cada ano. “Marido Por Acaso” segue uma linha já conhecida por todas as pessoas que assistiram ao menos um exemplar desse gênero, só que pelo menos tem a seu favor o talento de uma grande atriz, Uma Thurman e um ator que dá pro gasto, Jeffrey Dean Morgan.

O filme conta a história de Emma Loyd (Uma Thurman), uma escritora de sucesso que está prestes a se casar, mas que em seu programa de rádio dá um conselho duvidoso a uma ouvinte que, por incrível que pareça, vai mudar o rumo de sua vida.

É simplesmente uma história simples, lúdica e em alguns momentos divertida. Quando disse acima que a fórmula é batida, não quis dizer com isso que o filme é uma porcaria. Não. Poderia ser, mas está longe disso. Em “Marido Por Acaso”, o diretor Griffin Dune é apenas mais do mesmo em sua direção: corre com a câmera quando é preciso, foca nos atores quando há uma emoção a ser pontuada e abusa dos travellings, aí sim, uma patologia do gênero que irrita profundamente. Tudo é motivo para planos abertos e contemplativos, cheios de babação musical e emoções à flor da pele. Por sorte, Uma Thurman está lá.

A atriz, como é sabido de todos, é um talento quase que inquestionável. Aqui, ela empresta sua atuação à Emma, uma aparentemente dona de si mesma que consegue com suas habilidades emocionais cativar qualquer pessoa. É com seus conselhos amorosos que ela consegue subir na vida, escrevendo livro de auto-ajuda de sucesso e sustentando um programa de rádio de aconselhamento amoroso. Aquela babação típica de rádios populares, mas que ela leva à frente com relativo sucesso. Está prestes a casar com Richard (Colin Firth), um editor boa praça que vê o casamento ir por água abaixo quando Emma, num típico dia de conselho radiofônico, mete guela abaixo uma idéia em uma ouvinte: acabar com o noivado. É um duro golpe, no entanto, para Patrick Sullivan (Jeffrey Dean Morgan), um bombeiro truculento que vai ao inferno com a notícia.

O filme todo é, na verdade, a tentativa de Patrick de sacanear Emma, inclusive utilizando-se do seu próprio veneno para que ela entenda e questione a si própria duas coisas: se de fato o que ela preconiza no livro e no programa faz sentido e se seu casamento é a melhor escolha. A história clássica das comédias românticas também se aplica aqui: a mulher bem sucedida na profissão não é feliz no amor e faz uma viagem pelos seus sentimentos para descobrir, no fim, o sentido da vida e reencontrar seu grande amor (não vou dizer, obviamente, com quem ela fica no final). É uma trajetória mitológica bastante conhecida, em que a “heroína” passa por diversas provações durante o filme para conseguir, enfim, entrar na zona de conforto pessoal. A boa notícia é que em algumas cenas o filme realmente desperta um riso preso e faz divertir, com situações inusitadas e outras tantas gags físicas de bom gosto, diga-se de passagem. E aqui entra o talento não só de Thurman, mas também do ator que interpreta Patrick, um bom vivant enrustido e gozador de primeira (reparem que ele parece assustadoramente com Javier Bardem).

A coisa piora – existe boa notícia sem ser acompanhada da má? – quando chegamos ao ato final, completamente sem criatividade e de um clichê quase novelesco que somente quem assistiu ao folhetim da Record “Chamas da Vida” vai entender. É, é desse nível.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.