Crítica de Filme – Os Normais 2 (2009)

nota07

direção: José Alvarenga Jr.
elenco: Luis Fernando Guimarães, Fernanda Torres
país: Brasil
gênero: comédia
ano: 2009

Vindo na trilha de sucesso do seu antecessor, “Os Normais 2” é mais uma exploração do bom momento que a comédia vive no cinema nacional. Com salas sempre cheias, o diretor José Alvarenga Jr. leva agora ao público uma história extremamente engraçada, mas que não funciona enquanto cinema, e sim como um episódio estendido do seriado global.

“Os Normais 2” segue, mais um vez, as aventuras urbanas do já clássico casal Rui e Vani (Luis Fernando Guimarães e Fernanda Torres), que estão num momento crítico da relação e resolvem tentar um ménage a trois para apimentar o noivado.

É até meio clichê dizer que a versão cinematográfica de “Os Normais 2” é apenas um grande episódio do seriado projetado na telona. Os produtores da Globo já sabiam disso quando pensaram no filme lá em 2006, mas só descobriram o filão quando o longa fez um sucesso estrondoso nas salas de todo país. “Os Normais 2” é, portanto, a consolidação dessa premissa, de colocar no cinema uma história praticamente igual àquela vista na televisão. A diferença aqui é o fato do seriado já está fora do ar há algum tempo, o que ajuda um pouco no resultado final. Outro ponto de vantagem desse longa com relação a outros recentes da comédia nacional – “Guerra dos Rocha”, “Se Eu Fosse Você” e “Divã”, só pra ficar em poucos exemplos – é que Rui e Vani realmente são excelentes personagens, independente de onde estejam. Eles poderiam comandar um reality show com pigmeus africanos jogando xadrez, que ainda assim eles continuariam engraçados.

A direção e o roteiro nem precisam se esforçar tanto para fazer o público rir. O casal interpretado por Luis Fernando Guimarães e Fernanda Torres convence em praticamente todas as cenas, demonstrando ter uma química impressionante. Os dois entram em enrascadas inacreditáveis e você sabe que sempre eles vão conseguir se sair, só resta saber como. E aí está o “pulo do gato”. Mesmo que o roteiro não apresente muitas novidades ou situações inteligentes, Rui e Vani conseguem dar criatividade e frescor às cenas, a despeito das fracas atuações do elenco de apoio – Aline Moraes, Claudia Raia, Danielle Winits. O roteiro do (também) casal Fernanda Young e Alexandre Machado aposta em alguns clichês do mundo masculino – ménage a trois, exame de próstata, homessexualismo – e feminino – insegurança no relacionamento -, mas não vai muito além disso.

É realmente o jeito que Rui e Vani enfrentam as situações que dão o humor certeiro à história. É especialmente hilário ver Rui comparar a noiva às mulheres que vê pela internet, ou então o momento em que estão os dois, e mais Claudia Raia, presos na banheira. Ainda tem o momento despirocada de Vani, ao fumar maconha, ou então a tentativa de realizar o ménage com a prima de Vani, interpretada por Drica Morais. Obviamente, que muitas outras cenas deixam a desejar, com um humor frágil ou então desnecessário (como a piada do baiano), mas no geral a dinâmica do casal agrada bastante, revelando que o público não se importa em pagar o valor caro do cinema no Brasil para ver mais um episódio que poderia ver de graça no conforto de sua casa.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.