
Pitty – Chiaroscuro (2009)
Será que é tão difícil entender o sucesso da cantora Pitty? Mesmo com uma discografia extremamente irregular, com apenas um primeiro disco realmente relevante, ela continua na crista da onda do pop/rock nacional. E não será dessa vez, com o lançamento do seu novo disco, Chiaroscuro, que isso vai mudar.
Chiaroscuro (2009) é um trabalho que pouco se distancia dos demais discos da cantora baiana – que começou adolescente dando um toque feminino em meio à testosterona da cena rocker baiana, onde comandou a banda de Hardcore Inkoma -, embora a própria acredite no contrário. Mas não é. Até houve tentativas, porém, quase todas frustradas. O disco é, na verdade, a continuação “mais do mesmo” em que ela está presa: guitarras comandando o som, bateria no talo, riffs anos 90 e letras pré-adolescentes. Resta saber se é por pura incompetência (alguns vão preferir a palavra “limitação”) ou malandragem comercial. Eu fico com um misto dos dois.
Na música de abertura, “8 ou 80”, já temos um ótimo resumo de todo o disco: uma introdução mais leve e trabalhada, mas que se perde nos clichês da própria cantora quando essa entra cantando mais uma letra óbvia, típica de sua carreira. Quando o refrão chega e a guitarra sobe a toda altura (uma herança maldita do grunge), aí sim percebemos que é Pitty que está diante de nós. Já “Me Adora” é uma canção que consegue um pouco de destaque, tanto por sua veia pop, quanto por sua métrica meio disforme que dá um tom mais natural à música. Como eu já havia dito aqui, “Me Adora” é um híbrido de jovem guarda com a velha influência do rock dos anos 90 de Pitty, o que já é uma evolução e tanto.
O que parecia um bom galope, se perde miseravelmente em canções como “Medo”, que tem uma letra típica da geração que idolatra “Crepúsculo” e “Transformers” como a salvação para sua própria adolescência. Chega a ser constrangedor ouvir coisas do tipo: “Medo de ter, medo de perder / Cada um tem os seus / E todos tem alguns”. Nessa mesma linha “vergonha alheia” está “Desconstruindo Amélia”, que até tem uma levada interessante, com um baixo pulsante e rítmico, mas que se perde totalmente no resto do instrumental e numa letra redação-do-segundo-grau: “Hoje aos 30 é melhor que aos 18 / Nem Balzac poderia prever / Depois do lar, do trabalho e dos filhos / Ainda vai pra nigth ferver”. E tem mais: em “Fracasso”, quando você acha que a música vai engatar, ela se perde novamente nos seus próprios clichês musicais (sem contar a pérola filosófica “o êxito tem vários pais / órfão é o seu revés”), assim como em “Só Agora”, uma balada que pode até não comprometer (lembra a excelente “Inflatable”, do Bush), mas que também recai na mesmice do disco e até lembra “Equalize”.
As melhores canções ficaram mesmo para o final. “Trapézio” tem uma levada pop gostosa e consegue trazer uma Pitty mais sóbria, com a banda fazendo bem seu papel. Na seqüência, “Rato na Roda” explora um lado mais experimental, mesmo que em vários momentos Pitty cante remetendo a Paulo Miklos e seus gritos típicos das músicas dos Titãs anos 80. Situação diferente de “A Sombra”, uma balada climática e que emula de Radiohead a Stone Temple Pilots, claro, nos momentos mais sutis de ambas as bandas.
Essas três músicas são quase um oásis dentro de um disco repleto de repetições de si mesmo, retro-alimentação própria e um jogo de espelhos musicais quase interminável. A tal experimentação que Pitty tanto falou em entrevistas (e no próprio blog) falhou miseravelmente. Em “Água Contida”, por exemplo, a utilização de um acordeom e uma levada mais quebrada não configura o ritmo como tango, Pitty. É só um toque pra você entender, beleza?
Café com Pop é uma produção do jornalista baiano Rodrigo Carreiro, 25 anos, atento ao mundo da música e apaixonado pelo cinema. No cardápio, comentários, notícias, vídeos, sons, fotos e tudo quanto é coisa pop que possa vir acompanhado de um bom e velho cafezinho.














Isso só mostra o quanto o falecido Tom Capone era capaz de milagres na produção de um artista.
Depois do primeiro disco pra mim Pitty é totalmente desinteressante, infelizmente pro BRock.
Abraços.
Eu ia fazer uma crítica, mas desisti.
É o que eu disse quando escrevi aquele texto sobre ela: usa referências literárias apenas para deixar as letras mais “cabeça”. Mas não passa de obviedades. Usar Balzac nas letras ou veladamente citar Edgar Alan-Poe, não faz dela grande letrista.
As melodias contiuam fraquinhas e experimentações não vi nennhuma!!! Não é porque coloca tango em um música e castanholas em outra, que isso pode ser chamado de experimentação!
Vi um crítico dizer que ela é porta-voz de uma geração. Pode ser, mas estamos mal das pernas. Já existiram porta-vozes mais consistentes em nosso rock!
PS: DEIXEI UM RECADO DIRECT NO SEU TWITTER! ABRAÇOS!
Depois de começar a ouvir “Me Adora” eu não tive mais interesse em procurar ouvir as outras canções.
Já tava achando muito ruim e quando chega o refrão: “…que me adora / que me acha foda…” desisti totalmente.
Sem condições.
Tou baixando pra comentar.
Sensacional análise! Essa parte então, é impagável:
“… “Medo”, que tem uma letra típica da geração que idolatra “Crepúsculo” e “Transformers” como a salvação para sua própria adolescência” (faltou só colocar Malhação! hehehehe
Detesto a Pitty, mas gosto de Equalize, pronto, falei, agora me restar morrer de vergonha.
Não achei o cd ruim, achei que a Pitty teve um avanço imenso em relação ao seus outros cd´s e isso se mostra evidente ao vivo, Medo tem sim uma letra consistentee Fracasso também, tendo como referência o infanto juvenil clássico, com citações de Esopo, concordo num ponto fundamental, quem procura rock meesmo, não é nesse cd que irá encontrar até por que a premissa desse cd foi deixada bem clara, e se vc´s querem uma nota real é um 8,5. Por que não valorizamos cantores com boas letras, e antes de criticá-las não buscámos suas origens?
Eu já vi muitasm críticas negativas sobre a pitty, e em muitas delas como fã, tive que baixar a cabeça e compreender o ponto de vista do outro. Mas essa aqui, sinceramente só me fez rir. Achei de uma linguagem agressiva barata e uns ataques completamente dispensáveis.
O Chiaroscuro em si, é completamente diferente de tudo que a Pitty já fez. Ela tem uma linguagem própria (ponto). Isso não é mesmice nem clichê. Chama-se estilo de comunicação. Dentro do rock ela viajou em muitos estilos e sons. Colocou alguns elementos de outras bandas, se inspirou em outras, e fechou um cd que só tem sido elogiado pela mídia especializada. Se pra você isso é clichê, eu repito, não é.
Ela é uma puta compositora, sim. A impressão que eu tenho e que com certeza deve ser a correta, é que vc pegou o cd (ou baixou, não sei) e escutou faixa a faixa por cima enquanto escrevia aqui suas opiniões cruas. Não, não e não. Não é assim.
Você deve compreender o trabalho dela, e pesquisar sobre o assunto. Quando vc tiver um conhecimento adequado pra escrever sobre Pitty, aí sim, eu escutarei suas criticas com prazer.
Fora isso, é lamentável. Lamentável.
-Espero que na moderação, tu aceite isso aqui.
É um puta texto, haha. Valeu.
Abraço.
Aurélio
Se isso é avanço, tô com medo do retrocesso!
Unusual Will
Discordar da minha opinião é extremamente natural, mas mais do que isso: é ótimo. Imagina se todo mundo concordasse comigo? E se eu concordasse com a “mídia especializada”? Discordo de vc quando diz que ela é uma “puta compositora”. Não, nem de longe ela é. Ela tem outras qualidades, como feeling, presença de palco e capacidade de entender a juventude atual. E não acredite em tudo que dizem por aí sobre o disco: tem muita crítica baseada no próprio release da cantora ou nas opiniões dela. Ela diz: “é um disco diferente, tem até tango”. Tem tango porra nenhuma! Tem muito jornal por aí concordando como se isso fosse verdade, o que não é.
Você, e qualquer outro, pode gostar do disco. Isso não é demérito nem problema algum. O gosto é baseado em questões extremamente pessoais e próprias de cada um, mas com isso tapar o sol com a penera… Aí não.
Ah, e eu ouvi o disco umas 3 ou 4 vezes. Sou um guerreiro.
Rapaz, ouvir o disco 3 ou 4 vezes é osso mesmo! Meus parabéns! O problema é que ela lança o CD prometendo uma reviravolta, experimentações e blá blá blá. Mas, pelo que Rodrigo escreveu, é basicamente mais do mesmo….
Concordo com Sandro e vou além…pessoal acha que só o fato de adicionar um instrumento diferente ou esquisito torna a música diferente…lamentável.
Pitty se tornou aquilo que nao queria ser…mais do mesmo.
A questão é a seguinte, Madonna era criticada, Caetano Veloso e tantos outros eram críticados, e esses tinham uma coisa em, comum eram a frente de seu tempo, não se entendia o que eles faziam alí, Franz Ferdinand em seu ínicio de carreira, foi super criticado, pela sua principal característica, ser dançante, e por ter um apelo pop, hoje no cd mais recente da banda temos os mesmos elementos, mas não é que os tempos mudaram e hoje o que foi criticado, foi bem falado. Eu não sou obrigado a concordar com o blog, vocês são jornalistas, e como jornalistas também estão sujeito a críticas de todas as formas. Talvez em outro tempo meu vocês seram louvados e entendidos por mim.
Mas vou voltar a comentar do cd, ele traz vários elementos, e ele num todo é uma experimentação, o cd de Pitty se mantém em oxímoros constantes, e entendemos sempre essa relação de dualidade, e me vem denovo a mente a questão da premissa, que é outra e logo o que você ouve é outra coisa totalmente diferente, e para uma banda que tem uma formação básica, podemos dizer sim que temos ínumeras mudanças, liga num home theater e você poderá ouvir desde o mais simples baixo até os mais complexos efeitos de teclado que estão em praticamente todas as músicas de Pitty.
Aurélio
Respeito sua opinião, cara, mas não queira superestimar uma coisa que não é. Você se sentir bem ouvindo um disco é o suficiente para VOCÊ achar ótimo, mas dizer que o CD é isso tudo que vc disse aí já é demais.
E, pelo amor de deus, não compare Pitty a Madonna nem muito menos Caetano Veloso. Nunca! E sobre o Franz Ferdinand, desculpa, mas vc falou asneira. A banda nunca foi criticada, inclusive foi o maior hype de 2004.
Está certo mas de hype não se forma uma banda, e sim estou falando que seu segundo cd foi sim críticado.
”Tem jornalista que quer ser estrela”
Aurelio
Concordo plenamente.
Rolei de rir ao ler alguns comentários infelizes a respeito do novo cd da Pitty, alguns deles totalmente sem nexo, principalmente na parte que diz que as canções se perdem em clichês.
Discordo completamente. Esse novo cd da Pitty esta totalmente diferente dos demais, tanto nas melodias como nas letras. Ela inovou. Até concordo, em relação ao refrão da música “Me adora”, mas quanto as demais faixas do cds, você foi injusto. Não ficou ótimo, mas também não está tão horrível como afirma seu texto.
Tipo..achei nada a ver os seus comentarios ..ri tbm de alguns..tipo eu adoreii o novo cd as musicas faz com que você reflita …e EU AMEI O CD DELA.
Não é bem o que deveria ser. Ouço a Pitty desde o início de sua carreira e fiquei extremamente desapontado com seu novo trabalho. Baixei o cd na internet há algumas semanas atrás, e a cada música que ouvia – não cheguei a ouví-las na íntegra de primeira, não foi possível, me incomodavam, irritavam, principalmente os clichês – me sentia mais e mais frustrado com o novo trabalho da minha conterrânea. Concordo plenamente com o que foi escrito sobre o cd na crítica, Rodrigo. A Pitty realmente se perdeu, ou se encontrou… ainda acho cedo para afirmarmos. Mas dizer que a cantora se perdeu em suas limitações eu vejo como um certo radicalismo. Ela é sim uma boa compositora, é interessante, inteligente. Tentei de de todas as formas entender a “merda” que ela fez nesse novo trabalho e cheguei a uma conclusão: marketing. Acho que ainda falta um imóvel na Europa que ela queira comprar durante esses próximos 3 anos. E essa nossa geração pateticamente globalizada gosta de proporcionar presentes aos adestradores de plantão. Inclusive os apartamentos em Paris. Taí, Pitty só quer algumas “nicas” a mais sobrando.
eu adoro a pitty, nao é de hj que ela abala, é sexy e tem um vozerao, adorei o novo cd
Vejam que não se pode ser guiado por outras opiniões,afinal há gosto para todas os tipos de música.Eu que nunca fui muito chegado à Pitty,ao ouvir “Me ADORA” fiquei impressionado,com a intenção de deixa-la com a cara da Jovem guarda.É mais inteligente que ficar regravando (e estragando) antigos sucessos.
Ri bastante com algumas críticas acima. Eu particulamente achei o CD bastante plausível, com letras inteligentes e ritmo interessante. Vocês criticam, mas é realmente difícil encontrar alguém com tanto talento hoje em dia. Quanto ao refrão da comentadíssima faixa “Me adora”, eu concordo que seja fraco, mas o resto da música não pode ser ignorado e esse com certeza tem suas virtudes. E quanto às citações “filosóficas”, eu não vejo nada de errado em incluí-las nas músicas, pelo contrário, é até bom, torna a música mais interessante.
Aceito sua opinião, mas, como a fã de Pitty que eu sou, lhe peço que escute o CD novamente, dessa vez com a intenção de apreciar as músicas pelo o que elas têm de bom e não com a estúpida vontade de achar erros.
Tenho certeza que depois de fazê-lo, irá se arrepender de ter escrito tão duras críticas a uma tão boa cantora e compositora.
Não curto o som da Pitty e eu concordo sim que em termos instrumentais e de arranjos a Pitty continua a mesma e assim ela se tornou um cover de si mesma. Mas quanto as letras, também não podem ser consideradas o ápice da poesia, mas os versos de “Medo”, “Fracasso” e as tais citações “filosóficas” são melhores que qualquer coisa por NX Zero, CPM 22 e afins.