
O ano é 1997 e imagine a seguinte cena: o maior sucesso do cinema de todos os tempos, o filme que arrebatou multidões no mundo todo vai ser lançado em VHS. A correria nas locadoras foi tão grande, que foram feitas longas filas de espera e o filme era disputado a tapa na hora que chegou na loja.
Claro, que 12 anos depois essa cena dificilmente se repete – embora em alguns casos ainda haja uma correria semelhante, mas nada igual. O cidadão tem algumas opções para consumir o “Titanic” da vez: ou ele compra o pirata no ambulante na porta do Banco do Brasil da esquina ou procura um torrent pela rede. Ambas operações fáceis de realizar. Obviamente, vai ter aquele chato (eu) que vai pagar R$18 no ingresso do cinema ou simplesmente esperar chegar na locadora ou, na pior das hipóteses, aguardar passar na TV a cabo. Mas isso vai mudar.
Lá fora já é bastante comum, mas no Brasil não. O serviço de Vídeo “on demand” chegou ao Brasil há 3 meses apenas, mas já alvoroçou a rede e o mercado cinematográfico. Quem veio na vanguarda tupiniquim foi a Saraiva, lançando o serviço Saraiva Digital, que de tão simples chega a gerar dúvidas: o usuário se cadastra no site, escolhe o filme, paga por ele (de R$3,40 a R$6,90, em média), faz o download e pode assisti-lo em até 48h. O formato vem sendo alardeado como o futuro da locação de filmes ou, mais profundamente, o futuro do consumo final de filmes. É uma constatação um pouco apocalíptica, mas que já vem dando resultados em outros lugares do mundo.
No Brasil, precisamos ficar sempre com os dois pés atrás. Nossa recente história de downloads pagos não é feliz para a indústria fonográfica, que vê o iTune nos EUA bater recordes anuais e no Brasil uma situação precária de um crescimento da pirataria assustador. Para o cinema, o curioso é que o conceito é o mesmo: pagar pela comodidade de não sair de casa e escolher o filme que quiser (tudo bem que a Saraiva no momento só disponibiliza 700 títulos, mas que deve crescer em breve) e poder guardá-lo e assistir quando quiser – em tese: uma vez dado “play”, você poderá assistir quantas vezes quiser no prazo estipulado, de 24 ou 48h. O sistema adotado pela Saraiva ainda é falho por vários motivos: só é possível assistir os filmes no computador (na TV só se o cidadão tiver ligação do PC com a telinha, via cabo), há uma pequena burocracia que envolve player específico e o pavoroso DRM (Digital Rights Management, que engessa o uso e impede a cópia), só roda em Windows, o tempo de download pode ser interminável (qual a porcentagem da população tem banda larga pra baixar “rapidamente” um arquivo que pode chegar a 2 gigas?), entre outros.
Na minha modestíssima opinião, é uma tentativa válida, mesmo com todos esses revezes. Porém, ainda acho que o serviço vai patinar bastante até engrenar – se é que realmente vai. Se a gente for parar para analisar, as locadoras no Brasil sofreram uma queda livre sem precedentes e é muito comum ver locadoras “fantasmas”, aquelas em que o dono compra uma cópia normal e passa a alugá-la (o que é proibido, a cópia de aluguel é diferenciada e muito mais cara) ou então aluga um filme pirata mesmo, na cara dura. O Blu-Ray, uma possível salvação da indústria, no Brasil ainda não pegou, mesmo que se mostrem estatísticas de crescimento, falhas porque comparam aos anos anteriores quando o serviço era irrisório. Alugar filme hoje ainda é uma batalha que muita gente enfrenta com coragem, assim como eu que ainda freqüento uma locadora bravamente.
Novos Rumos
Um outro serviço que no Brasil está dando muito certo é a locadora que leva o filme em sua casa, bastando você aderir ao clube e pagar uma mensalidade fixa. Dentro desse seu pacote, é possível ver, por exemplo, mais de 100 filmes por mês, num sistema de aluguel e troca de títulos constantes. A Netmovies faz isso no sudeste e é muito bem cotada dentro do meio de cinéfilos, em que se encontra uma saída interessante para o problema das locadoras cada vez mais escassas. Há também outra, recentemente lançada: Blockbuster On line, a gigante do segmento que tenta também sobreviver à Era dos downloads e da pirataria.
São todas maneiras da indústria tentar se reinventar, o que já não era sem tempo. Até as novidades e avanços da tecnologia 3D também entram nessa linha, já que apresentar ao espectador um diferencial impossível de ser copiado é a grande carta na manga dos estúdios. Embora ainda incipiente na maioria dos estados do país, por exemplo, o 3D vem dando sinais de bom crescimento e faturamento alto, isso pensando no valor médio do ingresso que é cerca de 50 ou 70% mais caro.
O melhor de tudo, a meu ver, é pensar no futuro que nos é proposto: de um lado o consumidor ávido por informação/conteúdo de maneira rápida e inédita (como explicar então que uma pessoa se preste a ver um filme filmado de uma sala de cinema com gente passando na frente e com uma qualidade péssima de áudio e imagem?) e do outro a indústria tentando manter a lógica mercadológica de consumo, atrelada ao desenvolvimento de novos conceitos e tecnologias para o consumo final. Não é fascinante? O futuro a ninguém pertence.














Chris Anderson escreveu um livro muito legal, o Cauda Longa, acho que vc já deve ter ouvido falar. O fato é que vivemos em uma era de nichos, na qual escolhemos o queremos, seja um blockbuster ou um filme obscuro, como Vampyros Lesbos, por exemplo. Este exemplo vale para a música, para os livros e a televisão.
Não há mais como pensar uma indústria sem aceitar que o consumidor não está mais refém do que é jogado no mercado. Ele vai atrás do que gosta e consome o que quer.
As tentativas das grandes corporações são válidas, porque elas precisam sobreviver. Mas, FELIZMENTE, com o diz o youtube: brodcast yourself!
Eu já pensei até em utilizar este serviço da Saraiva só para analisar como é o esquema.
Eu acho mais interessante o serviço da netmovies, que inclusive ganhei 1 mês grátis mas não pude utilizar pois ele não existe ainda em nossa província.
O serviço oferecido vai dar no que falar! É uma revolução, uma ideia brilhante… apesar de todos os reveses citados. Embora eu tenha certeza de que, logo logo, alguém criará um programinha que permitirá copiar o filme; mas isso é outro papo.
Sou do tipo mais chato ainda, que paga o ingresso no cinema, aluga o filme da locadora e COMPRA os DVDs que mais gosto. Baixar um filme pode ser cômodo, mas nada substitui o original.
Abraços o/
Concordo com MoizaCARTUNS… é a mesma história do Ebook! Já criaram vários (até a Amazon criou) mas até agora os livros de papel não acabaram!!
the times they are a-changin’.
Só Deus sabe o quanto lutei, Carreiro. Mas moro longe das boas locadoras, e cinema tá muito caro, absolutamente caro. Agora só vou na boa. E claro, também compro meus favoritos. Mas a maioria é no torrent, mesmo. Fazer o quê? O futuro é fato, é realidade. A indústria tem que se reiventar, e se reiventar.
belo post, Carreiro.
abraço
Bom acho que agora entramos numa era mais nova ainda…vcs viram que a locadora online NetMovies agora tem filmes em streaming? Estilo YouTube so que são filmes inteiros, com audio original e legenda. Animal! vale a pena dar uma olhada, sou assinante e tenho acesso gratis aos filmes em straming e acho que até o final do mes qquer um pode assistir, é só se cadastrar no site.
http://www.netmovies.com.br