Crítica de Filme – Uma Prova de Amor (2009)

nota07

direção: Nick Cassavetes
elenco: Cameron Diaz, Abigail Breslin, Jason Patric, Evan Ellingson
país: EUA
gênero: drama
ano: 2009
título original: My sister´s Keeper

Ancorando-se num tema polêmico e no drama de uma menina pré-adolescente, “Uma Prova de Amor” não é (somente) um exemplar de melodrama barato de Hollywood, apesar de alguns problemas estruturais. É, ainda, um palco grandioso para boas atuações do elenco e a demonstração de que o diretor Nick Cassavetes permanece com alguns vícios.

“Uma Prova de Amor” conta a história da garotinha Anna (Abigail Breslin), que entra na justiça para requerer sua emancipação médica, já que, mesmo com 11 anos de idade, recusa-se a doar um rim para a irmã com leucemia, Kate. O conflito se estabelece no seio da sua própria família, formada ainda por Sara (Cameron Diaz), Brian (Jason Patric) e Jesse (Evan Ellingson).

O tom do filme já é meio conhecido de todos, pelo menos daqueles que já viram o trailer. O melodrama é extremamente exagerado em alguns pontos, cenas e diálogos, mas consegue se manter singelo e profundo em tantos outros momentos. Cassavetes mantém um vício que lhe persegue desde “Diário de Uma Paixão”: em certa hora da trama, ele se perde e começa a explorar demasiadamente o drama vivido pelas pessoas. No caso de “Uma Prova de Amor”, o simples fato de uma criança sofrer desde pequena com uma doença implacável já torna o caso delicado por si só. É uma situação triste na sua essência, mesmo ouvindo um caso de relance na fila do supermercado, é impossível não se solidarizar com uma família nessa situação. A mão pesada de Cassavetes investe, portanto, nesse drama, mas nem tudo é caso perdido.

O roteiro, escrito por ele e Jeremy Leven, também contempla o drama de todas as pontas da família. Do trabalho pesado de Brian como bombeiro e que se esforça para sustentar uma família grande, do problema de dislexia do menino Jesse, passando ainda pelo fardo de uma mãe que não mede esforço e muitas vezes é cega ao tentar dissecar as situações que encontra pela frente, o filme abarca tudo. Claro, a questão maior, e que é o mote para o longa, é a briga judicial pela liberdade de escolha dos usos que se faz do próprio corpo, mesmo que para isso a própria irmã saia prejudicado – obviamente, como já se pode perceber desde o trailer, a questão é muito mais profunda do que imaginamos e só será revelada no final. Mas Cassavetes consegue, em um certo grau, mostrar na tela cenas que focam a atenção especificamente em cada personagem. Esse é um grande trunfo de “Uma Prova de Amor”, uma vez que amplia o escopo de discussão e nos dá um leque de informações importantes para que nos envolvamos mais com a trama.

Para isso, o filme se divide e é narrado por vários “protagonistas”, desde a própria anna, até a maior vítima de tudo, Kate. Nesse meio todo, não nos esqueçamos, está Kate, talvez o personagem que tenha mais motivos para sofrer, mas que demonstra uma maturidade incrível ao tratar com as dificuldades, talvez até por conviver com aquilo praticamente a vida toda. Ela tem seus momentos de fraqueza, é claro, mas consegue reaver seus momentos de lucidez sempre com a ajuda da família e, em certos momentos da trama, com um jovem que também tem leucemia. Um romance que aparentemente é inocente, mas que toma proporções maiores e que, claro, Cassavetes não mede esforços em pintá-los mais fortes do que realmente são. As demais atuações estão do bom ao excelente, tendo a pequena e talentosíssima Abigail Breslin num momento mágico de atuação; até Cameron Diaz consegue se sair bem, sabendo ser histérica quando é preciso e calma quando lhe é mais conveniente.

Cassavetes ainda triunfa ao não explorar demasiadamente o caso judicial e as cenas do tribunal, deixando o drama mesmo para a relação entre os familiares e como tudo aquilo afeta a vida de cada um. No final, aos que conseguiram sair da sala de cinema sem chorar, fica a sensação de que algo ainda faltou para que o filme se tornasse mais tocante ainda.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.