
Definir uma banda como “pop” muitas vezes é um palavrão sem caminho de volta. Só que para muitos grupos essa alcunha cabe muito bem, como o Hockey, esse novo sangue musical dos EUA que consegue conjugar o pop dançante, e de consumo rápido, com sofisticação e consistência.
Hockey (ouça aqui) é formado por quatro garotos universitários dos EUA que se reuniram meio que por acaso e acabaram tocando na Inglaterra e sendo descritos como a “melhor banda de todos os tempos da última semana”. Muito longe disso, mas também perto do frescor juvenil de grupos musicais que surgem todos os dias no mundo com aquela vontade de apenas tocar pra pegar garotas e beber muita cerveja.
O resultado pode ser ouvido no álbum de estréia “Mind Chaos” (2009), uma colagem de estilos parecidos na sua essência. Para quem gosta de Jamiroquai, Black Kids, Michael Jackson, The Streets e The Killers, o disco é um prato cheio. A bem da verdade é que em diversos momentos ficamos com a impressão de que o som do Hockey tem a influência direta muito forte de muitas bandas da atualidade e que eles fazem “apenas” um amontoado de timbres e tocam o barco pra frente. Mas, por um outro lado, o pop não é isso? Reciclagem de sons já existentes? Hockey é cultura pop na veia.

Na música de abertura já dá pra perceber isso. “Too Fake” tem um suingue bem safado de algumas músicas do Jamiroquai, mas explode no refrão como se fosse uma banda de rock, mas sem precisar de uma guitarra distorcida para soar de tal forma. É o mesmo balanço que se segue em “3Am Spanish”, só que muito mais funky e “brecado”, soando em alguns momentos quase como uma banda de rap. Mais uma vez, a banda consegue costurar o pop de maneira bem sutil e consistente. Em “Learn To Lose”, o rock pop é o que chama mais atenção. A banda realmente não tem medo de soar descartável ou igual a dezenas de outras bandas e, no caso deles, é um tremendo elogio, porque, a partir daí, eles conseguem criar uma identidade própria ao agregar as guitarras, os sintetizadores e o suingue. Tudo, claro, do jeito deles.
Na mesma premissa segue “Wanna Be Black” (essa particularmente tem um trecho que se existisse teste de DNA na música, o The Streets poderia reclamar a paternidade) e “Put The Game Down”, músicas que tocariam fácil em qualquer rádio pop, mas que também poderiam embalar uma festa indie nos porões de uma universidade obscura de Glasgow. Em “Work” a banda abaixa um pouco o ritmo e aposta num teclado mais calmo e numa batida mais sincopada, resultando numa música bem estruturada e deliciosa de se ouvir.
Não se assuste se você estiver numa balada e tocar Hockey. Mesmo que numa festa aberta a todo tipo de público. Djs já estão sampleando “Work” e “Too Fake” mundo afora, ampliando mais ainda o alcance dos rapazes. Na onda de revival anos 80, Hockey é um expert em reciclagem.














Aguardando a crítica de “Bastardos Inglórios”…
Quando olhei a foto de “abertura” do post, já imaginei mais uma dessas bandecas furrecas pra adolescentes. Mas, depois de ler, fiquei interessado no som dos caras! Vou procurar conhecer… parece soar como pop oitentista o/
Abraços
Os caras mandam muito bem. Gostei muito, quero adquirir já o cd dos caras. abç CEZÔCA