‘2012’ e seu erro de marketing

Parece que atualmente todos os filmes, com orçamentos baixos ou não, voltam suas atenções para o marketing viral. Todo mundo quer promover seu longa colocando na internet vídeos, sites e tudo quanto é tranqueira virtual para fazer o chamado marketing viral. O mais recente caso – mal sucedido – é do filme ‘2012’, que pareceu estar muito bem com o público, mas quebrou a cara rapidamente.

A idéia era divulgar teasers na TV com imagens “reais” dos tais desastres que, como a maioria sabe, eram apenas imagens do filme. O teaser dizia que o mundo acabaria em 2012 e que o Governo não estava fazendo nada para impedir – ou pelo menos avisar a população. Quando as pessoas viram o trailer e, curiosos, procuravam na internet algo sobre, realmente achavam milhares de menções a tragédias que possivelmente aconteceriam em 2012. Ancorados numa lenda muito viva na memória de muita gente, o filme tentou se promover. O problema é que uma grande quantidade de pessoas não tem a menor idéia do que significa a tal lenda e acabaram acreditando nas imagens da TV.

Para piorar, a produção do filme criou um site fictício, do Insitute for Human Community, algum tipo de órgão que tratava profundamente do assunto (claro, agora o site já aponta como sendo um “braço” do filme). O cenário estava formado e milhares de pessoas caíram na “piada” e passaram a acreditar piamente no fato. Até a NASA entrou no meio da jogada, já que as pessoas ligavam para a agência espacial em busca de respostas. Conseguiram da NASA um site explicativo, onde o público tira dúvidas sobre o fim do mundo e como efetivamente a lenda se formou. Ainda tem o famoso vídeo, com mais de 1 milhão de acessos, em que um maluco profetiza sobre o fim do mundo (o rapaz tem até Twitter).

O caso não ganhou proporções mundiais (o filme teve a 9ª melhor estréia de todos os tempos), mas de qualquer forma atestou um cuidado que se deve ter em campanhas do tipo. E mais: mostrou que ainda somos reféns de mídias de massa, que têm em mãos um poder que talvez nem eles tenham a dimensão.

Via: Guardian.co.uk (clique no link e confira outras histórias de marketing de filmes que deram errado).

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.