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direção: João Daniel Tikhomiroff
elenco: Aílton Carmo, Jessica Barbosa, Sergio Laurentino, Anderson Santos de Jesus
país: Brasil
gênero: drama/ação
ano: 2009
O alarde em cima de “Besouro” é compreensível: com um trailer absolutamente espetacular bombando na internet, o público vai ao cinema em busca de aventura e ação aos moldes negros brasileiros. E quebra a cara em parte. O filme é pior do que o trailer e muito melhor do que andam dizendo por aí.
“Besouro” conta a história de um vilarejo do interior da Bahia, da década de 20 do século XX, que vive sobre a opressão de um coronel da cana-de-açúcar. O personagem homônimo, capoeirista e criado ali mesmo, recebe uma missão divina para lutar pelo seu povo.
Besouro (Ailton Carmo), ou simplesmente Manoel de batismo, é um mito nas rodas de capoeira da Bahia. Curioso que a maioria da população não conheça essa história fantástica, verídica e que se passou há não muito tempo atrás. O mito em torno de Besouro também se confunde com o fator transcendental da cultura afro, do candomblé e da luta negro x branco.Generalizando, é um tema bastante comum, mas focando um pouco mais a lente veremos que não é bem assim. A história que vemos no filme é riquíssima, cheia de pontos cruciais quanto à história política do Brasil, a cultura de um povo reprimido e a beleza da sua arte.
É essa arte que “Besouro” se encarrega de enaltecer. O filme é, antes de mais nada, uma ode à capoeira e seu valor moral e cultural para os negros. Ainda mais numa época de repressão, como vemos bem em diversas cenas do longa. É triste ver em cores um rapaz pedir desculpas por estar apenas dançando a capoeira. E não precisamos ir tão longe para constatar fatos parecidos – o que é uma pena. No filme, o diretor João Daniel Tikhomiroff consegue distinguir bem negros e brancos, utilizando bem as cores e espalhando corretamente objetos de cena e os próprios atores. Aliás, são eles que dão a vida necessária para a história fluir e ganhar força na tela. Os cenários são bem escolhidos (a Chapada Diamantina é fartamente utilizada), mas são os atores que conseguem dar notoriedade à história.
No roteiro, Patrícia Andrade e o próprio Tikhomiroff pecam em alguns aspectos ao complicar a vida do espectador com muita informação. São muitos orixás, divindades, características e uma farta gama de informações muitas vezes desnecessárias. O roteiro não flui, empaca em algumas cenas descartáveis, embora vejamos bons momentos nesse sentido. A capoeira é bem utilizada nesse caminho, pontuando todo o filme e, no final, deixa claro a sua influência no povo negro e a importância direta na formação cultural da Bahia. Isso é latente – um verdadeiro trunfo de “Besouro”. O mito segue sua trajetória em alinhamento aos preceitos literários do velho herói mítico da Grécia – diagrama que qualquer roteirista tem na ponta da língua. Mas isso não é uma falha, é apenas a constatação da universalidade de um personagem que percorre um caminho análogo a seu povo e contra a opressão. Besouro é assim, muitas vezes renegado, mas nunca desistindo de seus objetivos. Pena que o roteiro se perca e não consiga construir muito bem essa trajetória, claro, embora consiga mostrar bem a questão religiosa.
E a ação? Bem, a ação do filme se resume a algumas poucas cenas – e essa é uma falha quase que imperdoável. Não pelas lutas em si, mas sim pela entrega de um filme no trailer e a realização de outro na tela. No trailer Besouro é um herói quase como um Samurai japonês, altivo e determinado; na telona, Besouro é um exemplo do povo e herói pelos seus ideais. Claro, no filme vemos ótimas cenas de luta – aquela em cima da árvore é antológica. Mas nada passa de pequenos momentos. Mesmo com essa fraqueza, “Besouro” ainda consegue encantar pela força de sua história universal e, mais ainda, pela valorização da capoeira e a abertura de uma história que deveria ser conhecida por todos.














Vi Besouro e não gostei. Sou negra e conheço muito bem o universo em que o diretor tenta se emaranhar, mas acredito que ele acaba boiando total, fazendo com que os espectadores que não conhecem o mínimo de candomblé e capoeira fiquem completamente desnorteados – se é que ficar sem norte significa alguma coisa.
Pra começar, sim, você tem razão, o cenário e os atores e atrizes são ótimos, a fotografia também – a não ser no momento da feira, que achei carregado naquele tom amarronzado -, mas o diretor dirige mal todo mundo e isso acaba com o filme! Como ele é publicitário, acho que pensou que fazer cinema é fazer um comercial grande, por que nenhum texto engata mais de dois minutos.
Os espectadores começam a esquecer que estamos em 1924 e acham que os negros e negras ainda são escravizadas – o filme não faz menção a nenhuma negra ou negro que trabalhe por conta própria, que tenha sua própria terra ou comércio -, esse é um erro histórico grave.
O diretor – por ser branco e assim falar do lugar onde está – coloca os negros em litígio constante, e na verdade as coisas vão de mal a pior por que o pessoal não se organiza… engraçado, mas uma vez a visão eurocêntrica do que foi a escravização e o período pós-abolição…
Não vou falar de história, por que senão não conseguiria terminar o comentário hoje…tem muitos problemas, problemas demais… então vamos ao cinema: as pessoas esperam mais ação e não um Besouro que passa o filme todo se preparando para a luta final que dura menos de dois minutos também… o filme não tem uma estrutura, você sai do cinema pensando que dormiu em alguma hora do filme, as coisas são desconexas.. o diretor se trai quando mostra a capoeira como uma ideia de coletividade e depois mostra dois amigos que treinaram juntos numa luta bizarra… bom, desisto do filme…
rapaz, eu temo que um dia os meus blogs saiam do ar. é capaz de bater uma deprê. tenho a maior paixão por eles.
o seu sempre bem legal.
abs
p.s: não me interessei por besouro.
Foi a análise de filme mais absurda do mundo:”A história que vemos no filme é riquíssima, cheia de pontos cruciais quanto à história política do Brasil, a cultura de um povo reprimido e a beleza da sua arte”. Onde você viu isso tudo? Pelo amor dos meus filhinhos! Assim que terminei de assistir a essa coisa, lembrei de Missão Impossível II: o trailer perfeito; o filme um lixo. Essa coisa aí é de uma simplicidade doentia; o personagem principal, não fala quase nada; cena de amor desnecessária; ângulos de câmeras e closes, ridículos. É sério: nunca me decepcionei tanto em um filme. Acho que só naquela cena do bebê de superman empurrando o piano.
o filme é muito ruim! Qualquer pessoa resumi em 3 linhas todas as falas e o roteiro.
O ótimo de Besouro é que, com todas os destemperos do roteiro – que apareceu com diálogos e cortes bruscos -, o filme conseguiu se distinguir. Estava na Chapada na véspera que o filme ia ser passado na praça de Igatu – cidade que ambientou várias cenas – e o sentimento do povo era de ansiedade de se verem nas telonas e de agradecimento por estarem participando de todo o desenrolar da produção. Os cores, atores e a iniciativa de contar essa história, como falou, merecem aplausos.
Reinaldo
Quando me refiro a “história do Brasil” é óbvio que não falo de 500 anos, e sim do período. E esse período é sim representando, projetando num microcosmo de uma região específica. A beleza da arte está lá, é a capoeira, riquíssima em sua proposta e mais ainda em sua execução. Se você foi para o filme pensando no trailer, então cometeu o primeiro erro cinematográfico. Trailer chama apenas a atenção, lembra as pessoas de verem o filme ou faz alguém conhecer BREVEMENTE o que é o filme. Só isso. E não compare “Besouro” àquele lixo chamado “Missão Impossível”.
Mighian
Concordo em partes com você, mas olhando diretamente para aquela comunidade, o diretor quis representá-los. Não dá pra falar de tudo. Filme é edição, escolha. Também não adianta achar que só por ele ser branco é que ele fez algo que você julga equivocado. Isso é preconceito. O passado publicitário dele pode ter influenciado, mas creio que o problema geral do filme não tenha sido esse.
Carreiro,
Tb não gostei de filme. Como sempre, o problema é roteiro. Trabalhou pouco o personagem principal, que é uma figura chata, unidimensional, boba, como os heróis dos quadrinhos de terceira categoria. Cenas desnecessárias, prolongadas, e uma história que não “pega”, cativa hora nenhuma. Ah, que bom que mostra um pouco elementos de nossa cultura, mas, sinceramente, isso não importa. O importante é ser um bom filme. Fui ao cinema esperando ao menos um bom pipoca, mas nem isso o filme é.
Mas valeu ver seu ponto de vista, mano.
grande abraço
Vi um comentário de Arnaldo Jabor comparando “Besouro” a um bom filme do cinema novo. Pelo trailer que vi (e o que vou dizer pe arriscado) o filme parece ser bom. Gostei e estou na pilha pra ver!
Abraços!
Sinceramente não achei o fime ruim como estão dizendo. Achei a proposta diferente do que se está fazendo atualmente, uma fotografia e uma ambientação inesperada e uma história original, que todos deveriam conhecer. Faço uma ressalva quanto ao roteiro, realmente acho que o personagem principal deveria ter tido mais atitude. A história se perde muito em outras coisas e não mostra o principal, que deveria ser a luta dele, que acaba se resumindo a poucas cenas. Tb acho que alguns atores, como o protagonista, deveriam ter mais presença em cena, mas isso se explica pelo fato de ele não ser ator, e sim professor de capoeira.
De qualquer forma acho que vale à pena ser visto e saí do cinema satisfeita, ainda não tinha visto um filme brasileiro com essa proposta, unindo uma fotografia ousada e uma história real e surpreendente.
Besouro não passa de uma versão de O Tigre e o Dragão, ao dendê. Fiquei intrigado com algumas questões. Em 1924 já existia a capoeira regional, que foi criada pelo mestre Bimba? Aquilo que eles jogavam no filme definitivamente não era capoeira Angola. E ainda havia chibatadas nos engenhos? Pensava que não mais, afinal a escravidão como sistema já havia terminado. Besouro voava do Recôncavo à Chapada Diamantina tã rápido?
Besouro se afasta para se preparar para uma luta. Que preparação mais vazia.
Enfim, esse filme é estranho quando confrontado com fatos que vemos em livros.
Um lixo
Brasileiro nem joga futebol, mas quer dar um de técnico. Assiste a filmes americanos onde só falam “fuck you”, voam balas, carros batendo e pegando fogo, mulheres lindíssimas, com custo altíssimos e muito sangue, são ótimos! Já no caso dos filmes nacionais, devem seguir à mesma regra desde de que acrescentando-se mais palavrões, mulheres peladas e, de preferência, desrespeitadas. Mas vamos ao que interessa um filme como Besouro realmente espanta, dá o que se falar, totalmente diferente dos anteriores onde se conta parte da história de uma região específica do nosso país, mostra a nossa cultura, com ênfase à influência dos orixás. O preconceito, a subjugação do mais fraco, o desrespeito às leis (Lembremos que na época retratada já não “havia” escravidão, pelo menos não deveria haver). Mas afinal nos dias de hoje não há preconceito entre negros e brancos. Ora, pois não sejamos hipócritas!Tenhamos olhos de ver! O diretor pode até ter pecado em algumas coisas. O protagonista nem mesmo é ator. Mas ninguém fez referência à fotografia (primorosa) e à trilha sonora. Acordem! Somos uma nação miscigenada e ignorante! Para termos bons filmes, temos que aceitar quem somos. Para os “críticos” de plantão, aprendam a ver e sentir sem “pré” conceitos. Bem e o mal estão nos olhos de que vê!!!
adorei seu comentário você escreve muito bem *-*