Esse é o ano do velho Morrissey

nota091

Morrissey
em “Years of Refusal” (2009)

Morrissey é, definitivamente, um dos maiores artistas da música das últimas décadas. E ele ainda se mantém na ativa, realizando shows concorridos e fazendo discos à altura de sua longeva carreira. Esse ano ele veio com mais um petardo pop e ácido, “Years of Refusal” (2009), que celebra o amor em vários momentos, mas também reserva tempo para sua ironia costumeira.

O novo disco segue uma linha evolutiva com relação aos trabalhos anteriores. Se “Ringleader of the Tormentos” (2006) foi mais calmo, agora o velho Moz está mais mordaz do que nunca – ou pelo menos chega perto de bons momentos de sua carreira com os Smiths ou na própria carreira solo. “Something Is Squeezing My Skull” abre o disco como um petardo, estoura num refrão grandioso e mostra o caminho para uma excelente seqüência de músicas. As letras, óbvio, continuam não poupando ninguém – principalmente o próprio. “I’m Throwing My Arms Around Paris” é até sublime e singela, mas revela um amor incompreesível e mortal. Para o padrão Morrissey, nada de novidade, mas o cantor continua destilando seu veneno social em “That´s How People Grow Up”, quando canta “I was driving my car / I crashed and broke my spine / So yes there are things worse in life than / Never being someone’s sweetie”. Apocalíptico.

Até por essas letras, fica meio claro porque ele não faz sucesso comercial como outras bandas de rock. Morrissey é pop na sua roupagem rock, mas suas letras são verdadeiras demais. Em “Years of Refusal”, tem ainda músicas apontando para caminhos um pouco diferentes, como “When Last I Spoke To Carol”, utilizando até um grupo de metais para ajudá-lo. No mundo atual pré-década de 10, Morrissey é um soco de realidade em nossas faces.

Você também pode se interessar por:

About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.