Página Inicial > cinema, crítica de filme > Crítica de Filme – Avatar (2009)

Crítica de Filme – Avatar (2009)

nota091

direção: James Cameron
elenco: Sam Worthington, Michele Rodriguez, Sigourney Weaver, Zoe Saldana
país: EUA
gênero: ação/drama
ano: 2009

Com todo falatório em cima de “Avatar”, fica até difícil comentar algo que ninguém tenha comentado. Mas a verdade é que todos estão certos – e todos estão errados. Sim, o filme de James Cameron é um novo marco no cinema, mas também não é superior a tudo aquilo que nós já vimos nas telonas.

“Avatar” é a história da busca dos humanos por uma nova alternativa de vida, que passa por um mineral valiosíssimo. Ele é encontrada em abundância no planeta Pandora, onde vivem os Na´vi, num mundo repleto de natureza, onde os humanos mandam Jake Sully (Sam Worthington ) e sua turma para conseguir a tal pedra.

O argumento do filme é simples. Temos lá um herói, na acepção mítica da palavra, que é jogado numa missão que na realidade não é sua, mas que aos poucos aprende lições para um retorno à sua paz sentimental. A motivação para sua “aventura” é bem humana: tentar voltar a andar. É por isso que Jake Sully se espanta ao se ver gigante, na pele de um ser azul e podendo andar livremente. Seu avatar tentará se infiltrar no mundo dos Na´vi para tentar descobrir uma forma de conquistar o tal mineral. Dessa forma, a trama é bem clássica, aproximando-nos de outras tantas histórias semelhantes, onde temos um homem em busca de algo que lhe foi tirado.

Em muitos momentos, “Avatar” é um filme sobre um homem. Somente isso. Suas motivações, sentimentos e novas descobertas. Afora as criaturas, Jake tenta recuperar sua vida e consegue encontrar isso justamente onde parecia estar o seu fim, o planeta Pandora. Temido por todos, Pandora parece o playground do ex-fuzileiro, embora o local seja realmente muito hostil. Porém, essa hostilidade é apenas para aqueles que não conseguem assimilar a magnitude da natureza perante todos nós, animais, criaturas ou humanos. Uma das jornadas que Jake percorre é essa: a da comunhão com a natureza. E a natureza em questão é o novo planeta, sombrio em alguns aspectos, mas fiel a quem o trata bem – percebam a bela cena em que Neytiri precisa sacrificar um animal.

A outra jornada de Jake é tentar dar um novo sentido a sua vida. Sem poder andar e recém perdido um irmão, ele só quer uma nova aventura, um local onde possa esquecer tudo que passou. É em Pandora que ele vai passar a viver como um Na´vi, passar por suas descobertas, ritos de passagem e se deparar, em parte da história, com um dilema que muitos seres humanos passam na vida: seguir seus princípios éticos e intrínsecos ou cumprir ordens e seguir o status quo. É um dilema universal, que Cameron explora desde Exterminador do Futuro.

Avatar guarda algumas semelhanças com o longa estrelado por Arnold Schwarzenegger. Se lá a luta (emocional e psicológica) era entra homem x máquina, aqui os Na´vi é que se confrontam com os humanos. Duas culturas diferentes, duas visões de mundo, de emoções e sentimentos completamente opostas. Nesse jogo, obviamente, a raça humana perde feio, toma uma surra do povo de Pandora. Essa relação é vista com mais profundidade nas cenas de Jake e Neytiri, um processo lento de comunhão de corpos e seres, vontades e desprendimento material para, finalmente, Jake completar sua jornada de pertencimento. Qual o verdadeiro lugar dele? Para quê lutar? Vale ser “feliz” lá ou cá?

Por último, obviamente que eu iria falar da parte técnica. É realmente impressionante e magnífico o mundo que Cameron criou para o filme. Se as cenas são belíssimas e bem realizadas, a estética de Pandora e de seus moradores salta aos olhos (de verdade). Ver em 3D é uma experiência mais fantástica ainda. A acuidade com que ele e sua equipe conseguiram montar personagens irreais é incrível, ao ponto de, em certo momento, esquecermos que aquilo ali, os Na´vi e tudo mais, é feito em computador. Não, não parece feito em computador. É tudo tão real… E factível! Criaturas se movem com destreza nunca antes vista, árvores deslumbram-se em folhas flutuantes, criaturas novas surgem na tela forçando nosso entendimento e muito mais. A obsessão de Cameron chegou a seu limite.

É por isso que falo num novo marco do cinema – e espero que ninguém confunda marco com revolução. O marco em questão é técnico, tecnológico e não na linguagem ou na forma de contar histórias. A trama, a narrativa remete aos heróis míticos do teatro grego, velhos conhecidos da dramartugia mundial. O marco é na forma de colocar na tela tudo isso. A tecnologia empregada vai ser a nova referência para todos. Daqui para frente, vai ser impossível assistir a um filme de ação/aventura em 3D sem comparar com Avatar. Até hoje, muitos filmes tem forma melhores que ele, muitos filmes tem formas piores, mas nenhum tem a forma de “Avatar”. E esse é o grande trunfo de James Cameron.

Obviamente, como nem tudo são flores, “Avatar” apresenta alguns probleminhas básicos, como furos no roteiro, diálogos capengas e um final manjado*. A própria condução da história em certos momentos deixa a desejar, falta algo. Porém, nada que impeça uma maior fruição do filme, que é, sim, um filme grandioso em todos os sentidos.

*SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER
Reparem que o final guarda muitas semelhanças com “Exterminador do Futuro 2”, outro longa de Cameron. Lá, o Exterminador se sacrifica pela humanidade, pelo fim de um conflito que ainda nem começou. E é o que Jake faz em “Avatar”, transforma-se num Na´vi, pela identificação e pelo amor a Neytiri, mas também para ajudar um povo. As lágrimas de Neytiri remetem às lágrimas de Connor, que não se conforma com o “suicídio” do Exterminador, que por sua vez diz: “está aí uma coisa que nunca poderei fazer, mas agora entendo o porquê do choro”. Reparem que não são iguais, mas guardam semelhanças coerente ao pensamento de Cameron.

Você também pode se interessar por:

  1. BRuno Porciuncula
    19, dezembro, 2009 em 05:53 | #1

    Já vi que fui o único que não entrou nesse oba oba… achei o filme bem chato, cheio de pataquada de “vamos proteger a natureza”, “a mãe-natureza vai se vingar”, blá blá blá…

    O vilão é caricato ao extremo, os personagens, fora o Jake, são unidimensionais. Aliás, para mim, o que salva o filme é Sam Worthington. O cara é um ótimo ator. Já tinha “salvado” Exterminador A Salvação.

    Volto a repetir que todo mundo dá nota alta no filme por causa das imagens. Porque, fora isso, o filme não tem nada demais…

    SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER

    Rodrigão, achei que fosse colocar o final “Deus ex Machina” do filme… heheheh assim que vi a cena dos animais enviados pela Deusa Ewya, pensei logo… hummmmm “Deus ex Machina”… eheheheh

  2. 19, dezembro, 2009 em 08:11 | #2

    As imagens são incríveis, espetaculares… por isso a nota alta, não tem jeito.
    Sobre a história, eu comentei um pouco, mas consegui pegar algo mais. Tem uma bonita história por trás, um pouco piegas em parte, mas tem.

    SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER
    Primeiro, eu pensei em Deus Ex Machina, mas acho que não é tanto assim. OS bichos já estavam previsto, quando Jake convocou todo mundo. É até parecido com o final de um dos sr. dos anéis.

  3. 19, dezembro, 2009 em 14:03 | #3

    Velho, eu gostei do filme, é bem legal, mas a história realmente compromete eu dar 5 estrelas. A trama é aventura para toda a família sessão da tarde. Mas James Cameron é gênio e o filme é pelo menos melhor que Titanic, mas não vai entrar na minha lista de melhores do ano não.

  4. 20, dezembro, 2009 em 22:36 | #4

    Finalmente pude conferir e achei fantástico. O filme é simplesmente grandioso e ficar se prendendo a questão de historinha manjada, sessão da tarde, não acho que seja bem por aí.

    Teria como fazer uma trama complicada e obscura? Será que daria certo? Acho que não, cinema é um conjunto de fatores, e ficar se apegando a coisinhas como final manjado num filme, como mesmo você disse, que é sim um marco acho que é demais.

    Pra mim, 5 estrelas, se fosse de 0 a 10 daria um 9 ou 9,5

  5. Felipe
    21, dezembro, 2009 em 10:22 | #5

    Bruno,

    Voce assistiu em 3D ? É impossivel deixar de notar a incrivel beleza do filme.

    SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER

    Tem que ter muita imaginação para comparar o final com Terminator 2. Ninguem sacrifica nada, ele apenas troca de corpo para continuar no lugar que ele era feliz.

  6. 21, dezembro, 2009 em 14:38 | #6

    Carreiro,
    Gostei do filme. Acho que é um bom filme. Só isso. Esse lance de ser um marco e tal, concordo com você que é só no quesito técnico. Mas a história não é nada original. E sinceramente, os diálogos chegam a ser bocós, bem sessão da tarde mesmo. Ok, é um filme pipoca, então tinha que ser assim? Não sei. Sei que nessa onda, prefiro Senhor dos Anéis.
    Mas valeu a experiência. De 0 a 10, dou 8.

    grande abraço

  7. Fernando
    22, dezembro, 2009 em 23:51 | #7

    Procurem o filme: “Um homem chamado Cavalo”, com Richard Harris, esta ai toda a historia de AVATAR!

  8. João
    23, dezembro, 2009 em 08:15 | #8

    Exelente filme, vale muito apena assistir. Agora no final quando eles estão se reunindo mostra aquelas cenas deles voando e etc… Deu uma vontade de Jogar WoW ou Lineage 2 danadaa! eles lembram aqueles elfos azuis heuheuhe aconteceu isso com mais alguem?

  9. scheldon
    23, dezembro, 2009 em 09:03 | #9

    Pelo amor de Deus, esse filme é um pocarontas piorado.

  10. Bruno Cavalleri
    23, dezembro, 2009 em 14:37 | #10

    Ótimo texto. Estou ansioso para assistir este filme =)

    Gostei desta frase: “Até hoje, muitos filmes tem forma melhores que ele, muitos filmes tem formas piores, mas nenhum tem a forma de “Avatar”. E esse é o grande trunfo de James Cameron.”

  11. 23, dezembro, 2009 em 15:05 | #11

    Prova de que Cameron acertou foi que a legião de haters de Avatar só é maior que a legião de haters de Titanic e nem precisa dizer que o predecessor entrou para a história. Se você parar pra pensar, tem gente até hoje que acha Terminator 2 um lixo.

    Agora, com licença Bruno, mas elogiar atuação do Sam Worthington em Terminator Salvation é o fim da picada. Foi ele que cagou o filme ahuahauh Mas admito que tem potencial, quem sabe daqui uns 10 anos fazendo filme de ação, ele convence.

  12. 20, janeiro, 2010 em 23:24 | #12

    A crítica tá excelente, Almeidinha. Bem eloquente. Mas nem assim irei ao cinema assistir o filme. Talvez um dia quando passar na HBO. Ou na Sessão da Tarde… hehehe

  1. 7, janeiro, 2010 em 00:07 | #1