direção: Pedro Almodóvar
elenco: Penélope Cruz, Lluis Homar, Blanca Portillo, José Luiz Gómez
país: Espanha
gênero: drama
ano: 2009
Título Original: Los Abrazos Rotos
É sempre bom ver quando grandes cineastas se reinventam. Melhor que isso é poder acompanhar um filme em que um grande cineasta, no caso, o aclamado Pedro Almodóvar, consegue esse feito se utilizando de referências de seus próprios filmes, de outros e jogando luz sobre sua própria arte: o cinema.
“Abraços Partidos” conta a história do cineasta Mateo/Harry (Lluis Homar) e da bela atriz Lena (Penélope Cruz), que se envolvem após ela se casar com um figurão e conseguir um papel no filme realizado por Mateo/Harry.
De certa forma, “Abraços Partidos” guarda muitas semelhanças com os últimos trabalhos do diretor, mas aqui há uma diferença marcante: Almodóvar se volta para tentar entender os sentimentos e motivações amorosas dos homens. Mesmo com uma atriz estonteante em cena, o filme só recorre à sua beleza nos momentos necessários (e que momentos!), preferindo ter como protagonista um personagem masculino. Assim, portanto, logo na cena inicial temos a comprovação disso, quando vemos Mateo tomando conta do ambiente e se posicionando como a mola propulsora da história. Veremos ainda a história sobre sua ótica, a partir de suas reações e de suas convicções quanto ao amor, sexo, traição etc.
Almodóvar divide o filme em dois momentos chaves, indo e voltando na trama com uma desenvoltura ímpar. A evolução de Mateo não está somente na visão e na falta dela (um ótimo recurso para marcar não só o tempo, mas também o momento dramático do personagem), mas sim em seus gestos, atitudes e, principalmente, na sua “visão” de mundo – foi mal o trocadilho. E essa visão de mundo é refletida em sua obra, o filme dentro do filme, o tal “Mulheres e Malas”, que o diretor só consegue filmar com sua musa inspiradora, aquela que mesmo não sendo a melhor atriz de todas, consegue despertar nele uma paixão que vai além da carne. É essa paixão que conduz Mateo para suas atitudes no passado, muito diferente daquele Mateo mais burocrático e infeliz do presente. Se, num dado momento, sua obra cinematográfica grita com força dentro de si mesmo e ela tenta expor isso ao mundo, no presente sua única vontade é transar com a primeira que aparecer e cumprir seus contratos já estabelecidos.
Ainda nessa relação de dualidade, Almodóvar brinca com rimas bem interessantes – e é bem legal vê-las na tela em diversos momentos do longa. A cena de sexo, do começo do filme (cheia de libido, mas fugaz), com as que ele tem com Lena (voraz, apaixonante, arrebatadora), são exemplos claros disso. Ainda tem a vontade de Mateo de realizar um filme sobre um filho que perdoa o pai, ao passo que lhe cai nas mãos uma proposta completamente oposta. Penélope, aliás, quando entra em cena consegue roubar quase todas as atenções para si. Claro, ela é a musa, deusa inspiradora do Olimpo de Almodóvar, que a utiliza melhor do que ninguém e, metalinguisticamente, projeta-se da mesma forma em Mateo, o cineasta. É tamanha a “semelhança” autobiográfica, que o cenário principal de “Mulheres e Malas” é praticamente o mesmo de “Mulheres Á Beira de um Ataque de Nervos” (só faltou Antonio Banderas…).
Com um roteiro afiado e bem amarrado, Almodóvar ainda brilha na direção, utilizando, como sempre, de suas cores fortes e de belos jogos de câmera. Ele sempre procura sair do óbvio e filmar a partir de ângulos diferentes, conduzindo o olhar do espectador de maneira bastante inteligente. As cores, claro, estão lá e pulam na tela, ganhando vida e sendo um show à parte.















Gostei muito também, e quanto a questão das cores eu atentei durante o filme devido a dona patroa gostar bastante dos filmes de Almodóvar e já estar atenta a este, que é um dos muitos detalhes vistos em sua filmografia;
É, preciso ir assistir esse filme.