Wanessa é o mais novo subproduto do pop brasileiro

Em algum lugar do recente passado, uma cantora brasileira tentou despontar como a nova diva pop romântica do Brasil. Qual não é a surpresa agora quando essa mesma “cantante” limpa seu sobrenome e adota apenas uma alcunha pouco sugestiva: Wanessa.

Filha de Zezé di Camargo – inevitável falar isso, desculpem – ela já fez de tudo um pouco: cantou pop, canto sertanejo, tentou a veia romântica, voltou para o sertanejo, apresentou programa de TV… E seguiu sua carreira povoando revistas de fofoca. Parada há cerca de 2 anos, ela resolveu radicalizar e, ao invés de dar uma BOA guinada na carreira, passou a ser mais uma cópia da cópia das cantoras pop do momento.

Tudo bem que convidar um ídolo do R&B/rap americano para cantar uma música nem é tão pretensioso, mas Wanessa parece que fez o dever de casa direitinho: desde as parcerias, passando pela produção, lançamento e até os videoclipes, ela tenta ser a mais nova Shakira do pedaço. Não colou. Primeiro, porque claramente ela não tem o carisma nem muito menos a desenvoltura artística de Shakira, isto é, falta-lhe talento. Não que a cantora colombiana seja a sétima maravilha do olimpo pop, mas há uma grande diferença aí. Wanessa força sua entrada no mercado internacional com um disco fraco, sem sustentação. Tenta emplacar uma música que mistura inglês com português, numa produção que só tem o mérito de chegar bem perto das canções pop atuais de cantoras como Madonna, Britney Spears, Rihanna e a própria Shakira.

É uma pena. Porque Wanessa poderia tentar mesclar algo do som brasileiro com as batidas pop do momento; até soaria datada daqui uns 5 anos, mas pelo menos seria um sopro de novidade e criatividade. Ouça o primeiro single, “Fly”, acompanhada de Ja Rule. Agora ouça “Não Me Leve a Mal”, nova “música de trabalho”, em que ela canta parte em inglês e parte em português. O clipe é um absurdo, que copia descaradamente vídeos de Shakira, Jeniffer Lopez e Madonna. O subproduto do subproduto não tem a mínima sustentação. Para quê eu quero ouvir uma brasileira cantar parcamente em inglês uma música que posso ouvir igualzinha em inglês, com uma produção 100 vezes melhor?

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.