Como todos sabem, mais uma vez o Brasil ficou fora da corrida pelo tão sonhado Oscar de melhor filme estrangeiro. Perdemos a disputa para outros bons filmes (Teta Assustada, por exemplo), mas também não levamos um grande concorrente. Mas… E daí? O Oscar é tão importante assim para a indústria cinematográfica brasileira?
Não, não é. Hoje, no estágio de produção em que estamos, o Oscar seria mais um prêmio; só renderia uns milhões a mais para alguns poucos produtores em contratos futuros. Na prática, na “luta diária” por espaço na tão conturbada cena local, o prêmio americano não ajuda ninguém, fora o fato de que ele, em si, não garante qualidade alguma.
Houve um tempo em que ganhar um Oscar de filme estrangeiro ajudava muito. Era a época de poucos filmes, produção em baixa e um cinema nacional totalmente desacreditado. Muitos de vocês devem ter vivido isso lá pelos meados dos anos de 1990, mas foi com bastante competência que Central do Brasil rompeu o marasmo. Um filme humano, simples e com atuações espetaculares. Tocou o mundo, tocou o Brasil de dimensões territoriais e sociais desproporcionais. Naquele momento um Oscar era mais do que bem vindo, era praticamente necessário. Seria a vitrine mundial. Como todos sabem, não ganhamos nada, mas os olhos do mundo se voltaram para cá. Mais dinheiro, mais distribuição e muito mais cinema sendo feito em terras tupiniquins.
Sobre a tal “retomada” todos já conhecem a história. Nossa produção cresceu em tamanho e qualidade (há uma crítica imensa, errônea a meu ver, sobre o padrão de filme nacional atual, mas isso é papo pra outro post). Na época de Cidade de Deus (2002), também houve um clamor geral pelo prêmio, mas nada ocorreu. E nosso cinema continuou crescendo, atores brasileiros foram pra fora e diretores, como Walter Salles e Fernando Meireles, ganharam seu espaço.
O problema do Oscar de filme estrangeiro é a indicação. O Brasil indica. E quem seria o “Brasil”? O ministério da cultura, que tem mais preocupações comerciais que qualquer outra coisa. A indicação sempre é feita pensando na possibilidade real de vencer, e não na qualidade do filme. Essa postura rendeu, por exemplo, a aberração de não ter indicado Tropa de Elite, mas sugerir O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (2007) – um bom filme, mas que não passa disso. A intenção é apenas ganhar? E daí?
Café com Pop é uma produção do jornalista baiano Rodrigo Carreiro, 25 anos, atento ao mundo da música e apaixonado pelo cinema. No cardápio, comentários, notícias, vídeos, sons, fotos e tudo quanto é coisa pop que possa vir acompanhado de um bom e velho cafezinho.














Oscar é uma fraude!!
Falou e disse, e daí?
eheheheh
oscar alho!!
Não curto esse lance de prêmios, competições sobre qualquer manisfestação artística. Mas tenho a impressão que é uma puta hipocrisia quando um diretor diz que é indiferente ao Oscar. Enfim, com ou sem estatueta, o cinema brasileiro precisa melhorar pra caralho, sobretudo em roteiro e interpretação.
grande abraço, Carreiro