Crítica de Filme – Amor Sem Escalas (2009)

Crítica de Filme – Amor Sem Escalas (2009)

nota08

direção: Jason Reitman
elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Ana Kendrick
país: EUA
gênero: romance/drama
ano: 2009
título original: Up In The Air

“Amor Sem Escalas” tem um aspecto bastante interessante: ao mesmo tempo que é leve e divertido, acessível a todos, também consegue apresentar um tema profundamente dramático. E, claro, ainda é palco para uma atuação de gala de George Clooney.

O filme segue a trajetória do executivo Ryan Bigham (Clooney), que viaja ao redor dos EUA com a ingrata missão de demitir pessoas. Vive uma vida sem destino e descompromissada, até encontrar duas mulheres que vão lhe fazer repensar seus valores.

Clooney é, definitivamente, o grande astro do time de grandes atores de “Amor Sem Escalas”. Ele está solto, leve, divertido, sensual e sempre um passo à frente em relação às decisões da sua vida. Um homem solitário, mas que tem nisso um grande trunfo para a vida: um cotidiano sem privações e livre de qualquer intromissão alheia. Não, ele não é do tipo aventureiro, é sim um homem que escolheu viver pela profissão e para a profissão e, diante disso, tirou o melhor proveito que pôde de suas viagens ao redor da América.

No entanto, essa predileção pela solidão fez com que as pessoas se afastassem dele, muito embora Ryan seja uma pessoa amável e agradável com todos. Menos, claro, com aqueles demitidos. Uma profissão realmente ingrata e que revela muito da personalidade do personagem. Nesse instante da trama, no começo, em que somos apresentados à Ryan e sua rotina, a profissão de “agente de demissão” lhe cai muito bem. É o momento do afastamento, das relações meteóricas. Isso só muda quando duas mulheres aparecem em sua vida. A também executiva Alex (Vera Farmiga), que é exatamente igual a ele, e sua parceira de demissões, Natalie (Ana Kendrick). Clooney é o protagonista, mas são as duas que movem a história.

São as duas que fazem com que Ryan repense sua vida, seus valores e, principalmente, suas escolhas. E esse parece ser a essência do filme: até que ponto nossas escolhas nos seguem para o resto de nossas vidas? Ou melhor: solidão é companheira até um momento das nossas vidas em que nos deparamos com a “pessoa certa”? São questionamentos que dificilmente eu ou você poderemos responder, mas que certamente vai sempre nos acompanhar. Se nós escolhemos a família, nunca saberemos como seria da outra forma, e vice-versa. É um dilema e tanto!

Alex questiona Ryan em sua vida amorosa, no sentido do apego aos outros e no investimento do amor. Claro, amor é, entre outras coisas, investimento numa relação que pode dar errado – mas que também pode dar muito certo. Ryan não consegue enfrentar isso. Não consegue enfrentar também o real objetivo de seu trabalho miserável, que Natalie lhe chacoalha a mente. O personagem de Clooney é o tipo de cara que tem como Hobby colecionar milhagens de voo, muito diferente de todos mortais, que colecionam chaveiros, latas, selos etc.

Esse caos dramático, no entanto, é mostrado de forma divertida e leve, outro grande ponto para o promissor diretor Jason Reitman. Sem grandes melodramas ou cenas chorosas, “Amor Sem Escalas” é um verdadeiro passatempo que faz refletir.

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