direção: Fabio Barreto
elenco: Rui Ricardo Diaz, Gloria Pires, Cléo Pires, Juliana Baroni
país: Brasil
gênero: drama
ano: 2009
Impossível não ter sido atingido pelo falatório em cima de “Lula – o filho do Brasil”. E, assim como em Avatar, muita gente está certa, mas também muita gente está errada em relação ao filme. Ele é, sim, fraco e inconsistente na maioria do tempo, porém não é nem um pouco panfletário ou feito para campanha política.
O filme segue os primeiros 35 anos da vida de Luis Inácio da Silva, aquele que todos sabem quem é. O longa trata desde a infância miserável no Nordeste e nas palafitas de Santos, passando por amores e tragédias familiares até chegar à glória operária.
De fato, “Lula – o filho do Brasil” trata do homem Luis Inácio e não do político que hoje conhecemos. Mesmo assim, era de se esperar uma construção mais detalhada e forte do personagem, afinal de contas, ele não é Sandro do Nascimento, o garoto de “Última Parada 174” que realmente ninguém sabia quem era. Ele é Lula, oras. Qualquer Orangotango bem treinado sabe quem ele é – e talvez por isso, num momento em que o tal ainda está vivo e em plena forma, seja tão difícil tentar desvencilhar os dois Lulas. Fabio Barreto, o diretor, e a equipe de roteiro (Fernando Bonassi, Denise Paraná e Daniel Tendler) podem até tentar, mas não conseguem dar um distanciamento entre os dois momentos e, pior ainda, não assumem na tela o que estão fazendo e acabam estragando quase tudo.
A idéia era mostrar o homem por trás do presidente. Louvável até, mas uma tarefa que já foi cumprida pelo elogiado documentário “Entreatos” (2004, de João Moreira Salles). Usar a ficção para tal nem era tão mal assim, até porque, admitamos, a história de Lula é espetacular. Porém, o roteiro de “Lula – o filho do Brasil” é o pior aspecto de todo longa: tentar contar, em um único filme, uma história de 35 anos tão rica em detalhes e acontecimentos importantes é uma tarefa impossível. Não adianta. Acaba-se colocando o carro na frente dos bois uma porção de vezes. No filme, quando estamos nos envolvendo por alguma questão levantada ou por uma situação vivida por Luis, a cena é logo cortada para dar lugar a outro estupendo momento dramático do personagem. E isso é o filme todo, uma chatice sem tamanho.
Então, não conseguimos nos emocionar com o menino que toma o tapa do pai no lugar da mãe ou que se esconde para ir à escola. Isso dura poucos minutos, pois somos logo apresentados ao Lula estudante de curso técnico. Daí – depois de uma excelente cena em que Lula suja propositadamente seu macacão para pode mostrar aos outros que efetivamente está trabalhando -, pulamos para sua história de amor. E aí casa, depois perde a mulher, depois… E quando você menos espera já vê Lula entrando para o sindicato e percebe que o filme já está chegando perto do fim.
Naturalmente, Gloria Pires é uma atriz muito boa e experiente. Sabe usar as histórias para si e faz de Dona Lindu, a mãe de Lula, uma personagem riquíssima, a única, talvez, a qual tenhamos um verdadeiro afeto – e isso é fruto unicamente do talento da atriz. Ali está o verdadeiro enfoque da vida dura do sertão e do clichê do êxodo rural brasileiro. É ali que está a história, mas só conseguimos aproveitar por muito pouco. Se o filme faz uma colagem, um retalhamento da vida de Lula, para Dona Lindu o roteiro reservou bons momentos e uma seqüência lógica de condução dramática. Gloria Pires, claro, é esperta.
E, nessa imensa colcha de retalhos que é “Lula – o filho do Brasil”, sobra pouco espaço para a panfletagem política. Pouca, porque tem sim. No começo, antes do filme efetivamente começar, aparece um aviso idiota de que “o filme foi feito sem nenhuma ajuda financeira pública”, para logo depois aparecer os patrocinadores, empreiteiras (Camargo Correa, OAS e outras) que multiplicaram lucros em obras do Governo e que são financiadoras de campanhas do PT. E o final que é festival de baboseira: mesclando imagens reais com um discurso fake do ator Rui Ricardo Diaz, como se fosse o próprio Lula. Enganação.















Que bom que você foi assistir, agora estou certo que não vou vê-lo de forma alguma.
Obrigado!