direção: Rob Marshall
elenco: Daniel Day-Lewis, Penélope Cruz, Marion Cotillard, Fergie, Kate Hudson, Judi Dench, Nicole Kidman
país: EUA
gênero: musical/drama
ano: 2009
Em sua concepção geral, “Nine” não é um filme de gênero apenas, com seus passos bem definidos e números arranjados. É, mais do que isso, um drama profundo que investe suas fichas num personagem, Guido Contini, e deixa todo resto lhe servir.
“Nine” é a história a adaptada do clássico filme de Frederico Fellini, “Oito e Meio”, em que o famoso cineasta Guido Contini (Daniel Day-Lewis) passa por uma crise de criatividade para realizar seu próximo filme, o que o leva a lidar com amores e desabores.
Caro leitor, me desculpe a intromissão, mas devo dizer que o maior erro que você pode cometer ao ir ver “Nine” é pensar nas musas do elenco: Kate Hudson, Fergie, Penélope Cruz e Nicole Kidman. Elas estão lá, lindas é verdade, mas são apenas “serventes” do grande astro que é Daniel Day-Lewis. Ele comanda as cenas, impera dramaticamente diante de qualquer outro personagem, domina seu cineasta em crise com maestria dos melhores atores de Hollywood. É uma imersão completa na vida e trejeitos do personagem. Se este realmente existisse, com certeza não seria tão perfeito.
A história é um drama fortíssimo, antes mesmo de ser um musical. Esse gênero, obviamente, é bastante presente. Em seu conceito, o diretor Rob Marshall resolveu padronizar a estética dos números musicais com um propósito claro: mostrá-los apenas como divagações de Guido Contini, sejam metáforas expansivas de sua mente ou simplesmente lembranças de sua infância. Não veremos personagens loucos dançando no meio da rua, passos mirabolantes entre carros e transeuntes ou coisa parecida. Até por isso – e muita gente criticou Marshall por esse fato – “Nine” só tenha a parte do musical em um único cenário, justamente o galpão de cenário que Contini prepara para seu novo filme.
O roteiro explora com profundidade a mente do cineasta, suas predileções ao amor por duas belas mulheres, seus encantos, seu charme, motivações e problemas na infância. Somos apresentados a um personagem rico dramaticamente, o que é bastante interessante para entendermos o porquê de suas ações. Ele é charmoso, mas é mimado. Ele é talentoso, mas é preguiçoso. E, principalmente, sofre na mão de mulheres charmosas e intrigantes, como é o caso de Carla (Penélope Cruz) e Luisa (Marion Cotillard). Nicole Kidman faz um papel importante, da atriz-musa de Contini, mas uma participação breve. Já Sophia Loren dá as caras como a mãe do cineasta, e Fergie como uma “musa” do Contini criança. Até Judi Dench empolga, como a leal figurinista. Kate Hudson faz… bem, ela não é importante.
Claro, num filme de gênero musical, as danças e músicas têm papel importante. Todos os números são bastante coesos e apresentam apenas um personagem cantando, dominando a cena. Por isso todos eles têm importância quase igual na parte musical, um problema para “Nine” quando, por exemplo, Kate Hudson entra em cena e estraga tudo. Sua parte é a pior de todas, uma música chata e forçando a barra no idioma*. Os outros conseguem se sair bem, com especial competência do próprio Day-Lewis e Penélope Cruz, numa dança sensual arrasadora. A melhor, no entanto, é Fergie, que canta num número empolgante, cheia de charme e coreografia bem afiada.
* o idioma é um aspecto que realmente me deixou bastante irritado em “Nine”. O filme é todo passado na Itália, os personagens em sua maioria são italianos… E ele é todo falado em inglês! Como pode? Claro, a produção é americana, mas aí eu indago: e daí? Eu, espectador, tenho o quê com isso? Quero saborear o filme em todas suas nuances. Se quisesse falar em inglês, que adaptasse a obra para Nova York ou qualquer outro lugar do mundo onde se fala inglês. O pior: tem cenas em que os personagens falam italiano, misturam as duas línguas… Uma orgia lingüística. Não dá. Por isso não dei uma nota maior.

Café com Pop é uma produção do jornalista baiano Rodrigo Carreiro, 25 anos, atento ao mundo da música e apaixonado pelo cinema. No cardápio, comentários, notícias, vídeos, sons, fotos e tudo quanto é coisa pop que possa vir acompanhado de um bom e velho cafezinho.














Concordo com você! A parte de Kate Hudson é péssima.. aliás, a personagem é uma merda!
E sobre o que vc falou no final, o que me deixou intrigado também é que a legenda na hora da parte em inglês das músicas saia beleza em português. O problema é que quando eles cantavam em italiano, a legenda aparecia em italiano! Que estupidez!!!!!
E Fergie, que é maravilhosa, está horrível no filme….
Só por ser um musical (mesmo você falando em sua crítica que é um pouco mais que simplesmente isto) eu devo deixar passar.
Sem muitos interesses em assistir
Man, esse filme é muito fraco, não vi nada desse drama aí que você falou.
ehehehehehehe
E eu repito, a música de Kate Hudson é a melhor, tanto que repete no final nos créditos. heheheheheh
É vei.. não tem jeito ehehe
O personagem de Kate é muito fraco mesmo.
Acabei contrariando os meus gostos, e aceitando os da patroa e fui ver Nine. Ramon tem razão, o melhor número musical é o da Kate Hudson. Quanto a atuação dela é realmente dispensável, mas ainda sim é o melhor número hehehe
Filme(?) muito chato. Sou culpado por assistir esse filme sem antes ter lido seu estilo musicado (não suporto filmes musicais). Me deixei levar pelo elenco. Todos ou a maioria, de primeira linha. Mas que desperdício! Não acrescenta nada em termos de história. Não faz pensar, não entretem, não encanta, não tem conteúdo. Creio que seja o tipo de produção artística feita de diretores para diretores mais um punhado de intelectulóides que oscilam entre puxa sacos e desorientados. Gosto demais de cinema. Mas quero sair de um filme com a sensação que valeu a pena. Que pena, com todo esse elenco, não valeu.
Magnifico o filme! Critica excelente!