
direção: Ana Muylaert
elenco: Glória Pires, Paulo Miklos
país: Brasil
gênero: romance/drama
ano: 2009
Grata surpresa da temporada, “É Proibido Fumar” não trata de nenhum grande assunto, não traz nenhuma grande invenção cinematográfica, não é de rachar o bico, nem muito menos é um apanhado de atores de peso. É, sim, um filme simples em sua essência, condução e atuações.
O filme é a história da professora de violão cinquentona Baby (Glória Pires), que vive uma vida solitária até conhecer seu novo vizinho, Max (Paulo Miklos), que vai viver boas histórias com ela.
É, definitivamente, um filme de cotidiano, que mostra a rotina de pessoas comuns que muito bem poderiam ser eu ou você. Os cenários também acompanham essa lógica; é a padaria da esquina, o prédio, a locadora, as ruas de São Paulo, dentre outros. É o tipo de história difícil de levar à frente, pois há uma grande chance de cair na mesmice ou simplesmente transformar tudo numa grande comédia de costumes. E não é esse o caso. Claro, aqui estamos falando de um filme com Glória Pires como protagonista, uma atriz bem experiente e que sabe escolher seus papéis no cinema. Muito do êxito do longa reside nela, na capacidade de transformar uma mulher comum e sem “sal” numa grande personagem, profunda dramaticamente e cheia de história pra contar.
Na trama, ela vive a solitária Baby, professora ralé de violão, que dá aulas pra aposentadas pé-na-cova e adolescentes. É uma profissão que ela leva com a monotonia de uma mulher solitária que, apesar de ter duas irmãs vivas, não consegue manter com elas uma boa relação. Sua vida é tão “mais ou menos” que ela é capaz de brigar e quase bater numa irmã por causa de um simples sofá velho. É a típica solteirona, que ficou pra “titia” e que faz malhação em casa vendo as dicas dos programas matutinos. Típica, eu diria, da classe média-baixa brasileira, mas que é apaixonada por música e Chico Buarque, o que, veremos durante o filme, diz bastante sobre sua personalidade.
Por outro lado, temos Max, um tipo malandro e descolado vivido por Paulo Miklos. Também na faixa dos 50, ainda consegue curtir a vida, e parece muito mais interessado nisso do que em casar ou ter filhos – essa, aliás, um sentimento escondido de Baby. Se ela curte Chico, ele é fã de Jorge Ben, dois cantores da mesma época, mas que aludem a ritmos diferentes: um é lento, outro é ágil; um é contemplativo, outro é balanço etc. Essa é a metáfora dos dois mundos que se encontram em “É Proibido Fumar”: de um lado uma mulher mais tradicional e adepta de uma vida mais calma e do outro um cara mais rock ´n roll e que não poupa esforços para se divertir.
A relação dos dois cresce e vemos boas cenas, em que esse choque de personalidades é bem evidenciado. Os dois apartamentos vizinhos, aliás, funcionam para evidenciar essas diferenças. Num certo nível, são essas diferenças que acabam atraindo os dois, mesmo que o conflito final do filme aponte para uma outra direção – mas assim se revela um final convincente.
Ana Muylaert, a diretora, consegue filmar de maneira a não estragar as belas atuações de Miklos e Glória Pires. Inventa pouco e coloca a câmera aonde ela realmente precisa estar, sempre realçando seus protagonistas. Uma grata surpresa, pois, a julgar pelo seu outro trabalho como diretora (Durval Discos), eu não esperava boa coisa. Naquele filme, Ana se perde numa história sem pé nem cabeça e constrói uma trama sem sentido algum, com péssimas atuações e desfecho sem noção. Justamente o contrário de “É Proibido Fumar”, que tem um grande defeito: durar pouco tempo.














Eu queria ter visto, mas acabei perdendo.
Tava rolando na sesssão promocional do Cinemark, mas perdi também.