Crítica de Filme – Guerra ao Terror (2009)

nota091

direção: Kathryn Bigelow
elenco: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Ralph Fiennes, Guy Pierce
país: EUA
gênero: guerra/drama
ano: 2009
título original: The Hurt Locker

É difícil imaginar o porquê de “Guerra ao Terror” ter passado direto para DVD no Brasil. Tenso e extremamente eficiente em seu encadeamento narrativo, o filme desperta grande curiosidade ao explorar a profundidade de sentimentos e impressões de homens por trás das roupas de guerra.

O filme segue a rotina diária de um pelotão anti-bombas do exército americano no Iraque, mostrando suas relações pessoais, convicções e sonhos.

Numa análise geral, dificilmente alguém conseguirá apontar um protagonista. Em “Guerra ao Terror”, o protagonista é o soldado médio americano, aquele que passa as noites ouvindo rock n roll nas alturas para durante o dia desarmar bombas como se estivesse consertando a tomada quebrada de casa. Aliás, estava faltando alguém com coragem, como a diretora Kathryn Bigelow e o roteirista Mark Boal, para levar à frente uma história tão humana. Nós nos sensibilizamos com aqueles homens, muito embora sejamos totalmente contra a guerra.

Curioso até que a primeira cena do filme seja de um robô, um excelente contraponto de reflexão para o público. O longa investiga a condição humana levada ao extremo em situação de guerra, momentos realmente tensos. Como Bigelow usa pouca trilha sonora, a tensão fica a cargo unicamente do que vemos na tela, sem grandes explosões ou perseguições, mas sim com uma investigação particular dos homens. Will James (Jeremy Renner), Sanborn (Anthony Mackie) e Eldridge (Brian Geraghty) são os homens, os soldados a serviço de uma guerra que para nós pode parecer sem sentido, mas que para eles, por algum motivo – e cada um tem o seu -, aquilo tudo faz sentido.

O roteiro de Boal deixa de lado qualquer pretensão de discussão política ou conchavos entre altos coronéis. Isso praticamente não existe e somos apresentados, por exemplo, à estreita relação entre James e o garoto Beckham, um iraquiano que vende DVD na porta do pelotão e que, de alguma forma, desperta interesse no soldado. Temos ainda Sanborn e seu fiel serviço aos EUA, mesmo que em diversos momentos ele até questione o porquê de tudo aquilo e, caso morra, quem irá chorar em seu funeral. Já Eldridge parece o mais desequilibrado, muito jovem e com todas as desconfianças possíveis do mundo na cabeça.

Com essas três pontas, “Guerra ao Terror” traça um perfil detalhado de quem está na guerra: solitário, tenso e desesperado – por mais que os personagens demonstrem o contrário. Mesmo assim, a diretora ainda consegue mostrar cenas de guerra com extrema eficiência. Os momentos em que James vai desarmar bombas é sempre tenso: você nunca sabe o que realmente vai acontecer. Ele vai morrer? Possível. Ele vai sobreviver? Muito possível também. E aquela troca de tiros no meio do deserto é de um suspense incrível, um momento inclusive que é utilizado para aproximar Sanborn e James.

O único aspecto estranho é a conclusão da história. Tudo tem a ver com a frase de epílogo que aparece no começo do filme, que seria a justificativa para o desfecho da história. Talvez sem a frase não entendêssemos a escolha final do personagem, mas mesmo com a tal explicação tudo soa um pouco estranho. O que o soldado fez é aceitável?

Você também pode se interessar por:

About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.