
direção: Lee Daniels
elenco: Gabourey Sidibe, Mo´Nique, Mariah Carey, Paula Patton
país: EUA
gênero: drama
ano: 2009
título original: Precious
2010 parece ser o ano marcado pelas trajetórias individuais de superação. Temos o garoto Michael de “Um Sonho Possível”, Nelson Mandela em “Invictus” e Clareece em “Preciosa”. Todos têm em comum, além de serem negros, a mudança de realidade através da ajuda de terceiros. “Preciosa” segue o mesmo caminho, embora com características bem peculiares.
O filme conta a história da garota Clareece Precious (Gabourey Sidibe), 16 anos, grávida do seu segundo filho e constantemente abusada verbalmente pela mãe e sexualmente pelo pai.
A temática do filme já é bastante pesada. Pensar numa garota monstruosamente gorda, negra, pobre e moradora do subúrbio americano já é pensar em diversos problemas sociais. Impressionamos-nos mais ainda quando vemos em cena Sidibe como a protagonista, com cara de poucos amigos, mas ao mesmo tempo de uma infantilidade que não condiz com sua condição de mãe. É o contraponto e a realidade que nós do Brasil conhecemos bem: preta, pobre e sem perspectivas de vida, o que fazer então para continuar vivendo?
A própria Precious já pensou na morte – e quem não pensaria? A realidade desgraçada dela ainda é pior se analisada à luz de sua relação materna. A mãe da protagonista é interpretada com assustadora realidade pela comediante Mo´Nique, uma atuação que rouba todos os holofotes. É nela que vemos refletida um sistema social e econômico bárbaro, a personificação de todos os erros do capitalismo. O ambiente em que Precious vive, portanto, é o pior possível. Na escola, ela não encontra nada. Na rua, só desprezo e solidão. Em casa, só o que salva são seus sonhos e a televisão.
Para tentar suavizar toda essa camada grossa de crueldade, o diretor Lee Daniels apostou em contrapontos de cena, ou seja, ao mostrar alguma coisa ruim que acontece com Precious, ele mostra ao mesmo tempo os sonhos da garota. Por um lado funciona, mas como isso se repete inúmeras vezes, torna-se um recurso enfadonho e cansa espectador. A “suavizada” de Daniels funciona, porém, quando estamos diante da relação entre Precious e Sra. Rain, a professora interpretada por Paula Patton. Ela se sai muito bem, não parece se esforçar para demonstrar carinho nem eficiência em seu posto de mentora para a jovem.
O roteiro escorrega em alguns momentos e passa a explorar em demasia diálogos que não vão a lugar algum. Assim a história fica um pouco chata, repetitiva, pois os acontecimentos simplesmente não se desenrolam. Repare nos diálogos com a assistente social interpretada por Mariah Carey. Elas conversam, falam, dialogam e nada. O “nada” vai a “lugar algum”. Somente no final, na última cena, Carey mostra a que veio. Mesmo assim, ela força muito a barra para conseguir dar uma clareza e realidade à sua personagem – e o pior é quando ela é posta na mesma cena que Mo´nique, justo a cena que dará o Oscar à atriz.
Mesmo com um desfecho coerente e esperançoso – depois de tanta realidade nua e crua, o que esperar, não é verdade? -, a impressão muitas vezes é que estamos diante de um programa de Oprah Winfrey. Com depoimentos longos e choros descompensados, “Preciosa” flui, em diversos momentos, como se estivéssemos vendo uma das milhares de entrevistas sensacionalistas da estrela da TV americana. Ainda bem que é só em alguns instantes.














É um bom ótimo filme, mas se não tivesse visto na pré-estréia acho que dificilmente arriscaria assistir.
Acredito piamente que Precious é um dos filmes mais inspiradores que já assisti em toda minha vida, uma verdadeira obra de arte; muitas vezes resenhar filme não é só crítica ruim, mas ver o que verdadeiramente há por trás daquilo, minha vida valeu a pena quando assisto filmes como este, pois me dá esperança de continuar lutando pois tem pessoas que por mais sofridas que são sempre tem anjos que as ajudam a proceguir. Obrigado pelo espaço.
Leoh
É realmenteum filme tocante e profundo, uma história de vida incrível.
Apesar das boas indicações estou pensando ainda se vou ou não conferir.
Tá aí, Carreiro. Além das atuações, o que gostei de Preciosa foi justamente o texto, os diálogos, mesmo os não-verbais. E sinceramente não achei tão sensacionalista assim. Achei até que iria ficar. Mas curti pra caramba. E acho que não ficou parecido com as entrevistas sensacionalistas justamente por causa do texto, enfim.
grande abraço, man
Bono
Com relação a Oprah, foi uma referência que percebi em alguns momentos. Talvez o jogo de câmera e Mariah como se fosse a apresentadora. Só uma percepção mesmo. De qualquer forma, a história do filme se sobrepõe a tudo mesmo.
Não é que eu não goste de dramas acerca de superações(até gosto bastante de alguns, como “À Procura da Felicidade”), mas só de ler a sinopse de Precious eu fico um pouco depressivo.Sei lá, parece muito problema pra uma pessoa só, teria aflição em assistir, acho que passo. =D