Crítica de Filme – Um Olhar do Paraíso (2009)

direção: Peter Jackson
elenco: Saoirse Ronan, Mark Whalberg, Rachel Weizs, Stanley Tucci
país: EUA
gênero: drama
ano: 2009
título original: The Lovely Bones

Um olhar de fora e menos apurado pode acreditar que “Um Olhar do Paraíso” é um excelente filme. Ganhadores do Oscar no elenco, atriz mirim promissora, direção de Peter Jackson… Mas basta começar para tudo se tornar uma grande confusão e uma viagem sem sentido por uma trama sem pé nem cabeça.

“Um Olhar do Paraíso” é a trajetória da menina Susie Salmon (Saoirse Ronan), morta aos 13 anos e que conta sua história e tenta ajudar sua família a superar a perda, achar o assassino e consertar problemas do passado.

Difícil apontar qual o grande erro de Jackson. Talvez tenha sido o infeliz momento em que aceitou fazer o filme. Não, não é. Porque a história original parece apontar para grandes resultados. O diretor de grandes projetos, como Senhor dos Anéis e King Kong, dessa vez entrou numa viagem pessoal psicodélica que nem o próprio entendeu direito. Provavelmente nem a protagonista Saoirse, promissora atriz de “Desejo e Reparação”, conseguiu entrar no clima que Jackson queria. O resultado é um apanhado de cenas que pouco dizem ao espectador e muita enrolação.

O roteiro, escrito pelo próprio diretor e por Fran Walsh e Philippa Boyens, não sabe o que quer. Em um certo momento investe numa trama de suspense, o que de certo modo até funciona, apesar de alguns clichês do gênero. Mas depois de um tempo, ele passa a acompanhar Susie no tal “paraíso”, um retalho de cenas que, sinceramente, ainda não consegui engolir. A menina flutua por um mundo de sonhos, uma realidade quase a lá Pequeno Príncipe, um mundo de cenários belíssimos e inóspitos. Parece até com o céu descrito em “A Viagem”, onde Antonio Fagundes deu uma passeada por um tempo. Tudo isso misturado a bobagens sem nexo, como os barcos em garrafas gigantes, o gazebo onipresente, o pântano, dentre outros.

Num terceiro momento, existem os alívios cômicos da avó interpretada por Susan Surandon, que são patéticos e só fazem corar de vergonha alheia. Aí no final tudo se mistura e não conseguimos entender nada. O filme passa uma idéia, em certo ponto, de que estamos diante de uma história de luta por justiça, a busca frenética de um pai pelo paradeiro da filha. Não. O roteiro esquece disso e vai atrás da garota no “outro lado”. Depois volta para o assassino, Sr. Harvey (Stanley Tucci), que até consegue uma atuação razoável, mas sempre recai em cenas descartáveis. Nunca sabemos, ao certo, qual a motivação de tudo aquilo.

Nesse sentido, o pior que pode acontecer é o motivo pelo qual a garota Salmon não conseguiu ultrapassar o limiar e chegar ao tão sonhado “paraíso”. Ela precisa terminar algo na Terra – e esse algo é realmente risível. Se você pensa que é afagar a mãe, esqueça. Consolar a o pai, nem um pouco. Tentar fazer justiça e guiar alguém para que ache seu assassino, muito menos. A menina estava mesmo é preocupado em beijar o namoradinho da escola. Inacreditável! Garoto esse que mais parece um integrante do Jonas Brothers.

Como se não bastasse, o desfecho para Harvey é algo constrangedor de tão tosco, assim como o reencontro de Salmon com o namoradinho e o destino final da irmã. Hei, desde quando gravidez na adolescência é comemorada?

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.