Crítica de Filme – O Livro de Eli (2010)

nota06

direção: Hughes Brothers
elenco: Denzel Washington, Gary Oldman, Mili Kuns, Tom Waits
país: EUA
gênero: drama/ficção científica
ano: 2010
título original: The Book Of Eli

“O Livro de Eli” trata de um assunto comum a todos, mesmo que se passe num futuro distante de tudo que vivemos. Terra arrasada, humanos desprezíveis e interesses em conflito, a verdade é que o filme mostra a velha e surrada luta entre o bem e o mal.
O longa é a história de Eli (Denzel Washington), que vaga pelo mundo pós-aprocalíptico e protege um livro misterioso. Ao chegar a uma vila, vê seus planos dificultados pelo ganancioso Carnegie (Gary Oldman), que pretende usar o tal livro para fins pessoais.
O centro da história é o tal livro – que, na verdade, tem seu conteúdo revelado logo, mas não vou contar aqui – e como pessoas de mundos diferentes podem utilizá-lo. A velha história de que nada na vida é bom ou ruim, desde que sofra a influência do homem. Verdade. Mas jogar com essa premissa do começo ao fim não é bem a melhor maneira de contar a história em “O Livro de Eli”. Claramente repousando em lugares opostos na trama, Oldman e Washington atuam de forma linear, apenas esse último consegue um pouco mais de êxito. O embate entre as duas realidades traz sempre um Eli concentrado, determinado e pronto para qualquer tipo de batalha. Já Carnegie se apresenta afoito e obcecado pelo objeto, como todo vilão básico é em histórias clichês – sim, ele é daquele tipo capaz de entregar a filha da própria esposa para o inimigo somente para conseguir o que deseja.
O manequeísmo, aliás, segue a lógica central do tal livro. Uns justos têm de se sacrificar pelo bem dos demais, porém após uma longa jornada de sofrimento e privações. Nesse sentido, o roteiro peca ao focar apenas nesse aspecto e pouco desenvolve outros personagens, como a bela Solara (Mila Kunis). Ela toma decisões que são impossíveis de serem entendidas; não sabe ler uma palavra, mas mesmo assim é magnetizada pelo livro em poucas horas, a ponto de morrer pelo dito cujo. Além disso, outros personagens passam pela história sem que possamos entender um pouco sobre eles, o que seria interessante para mantermos um contato mais direto com a história geral do filme. Não. O filme é só Eli vs Carnegie. Contudo, há um ponto de êxito: a trama não gasta muito tempo explicando o que aconteceu para o mundo e a humanidade chegarem àquele ponto. Pelo contrário, aponta para o que pode ser feito no futuro.
Os cenários vistos seguem a lógica Bladerunner e, principalmente, Mad Max. Claro, Denzel Washington não é como o Max de Mel Gibson, mas dá lá suas cacetadas. Aliás, as cenas de luta são muito bem realizadas, pena que são poucas, apenas três. Porque não investir mais nesse aspecto? Os Irmãos Hughes ainda realizam um cena com plano sequência bem tensa e eficiente, mas param por aí. Colocam sua câmera sempre nos ângulos mais óbvios e usam um excesso de slow motion que chega dar raiva. Esse recurso é que dá o sentido de lentidão da trama. O filme promete a todo tempo, mas não cumpre. Você fica esperando mais explicações, e nada. Você fica esperando mais embates e lutas (já que Eli é tipo um Jedi altamente evoluído), e nada. E tudo se resolve já na falada bem executada cena de ação e pronto.
Na sua conclusão, “O Livro de Eli” se enrola ainda mais. Dá um destino sem noção a Solara e uma reviravolta típica, que já era esperada como é comum nesse tipo de filme, mas que se mostra incoerente com o restante da história. Preste atenção nas ações de Eli e veja que é muito improvável acontecer o que é mostrado no final.

“O Livro de Eli” trata de um assunto comum a todos, mesmo que se passe num futuro distante de tudo que vivemos. Terra arrasada, humanos desprezíveis e interesses em conflito, a verdade é que o filme mostra a velha e surrada luta entre o bem e o mal.

O longa é a história de Eli (Denzel Washington), que vaga pelo mundo pós-aprocalíptico e protege um livro misterioso. Ao chegar a uma vila, vê seus planos dificultados pelo ganancioso Carnegie (Gary Oldman), que pretende usar o tal livro para fins pessoais.

O centro da história é o tal livro – que, na verdade, tem seu conteúdo revelado logo, mas não vou contar aqui – e como pessoas de mundos diferentes podem utilizá-lo. A velha história de que nada na vida é bom ou ruim, desde que sofra a influência do homem. Verdade. Mas jogar com essa premissa do começo ao fim não é bem a melhor maneira de contar a história em “O Livro de Eli”. Claramente repousando em lugares opostos na trama, Oldman e Washington atuam de forma linear, apenas esse último consegue um pouco mais de êxito. O embate entre as duas realidades traz sempre um Eli concentrado, determinado e pronto para qualquer tipo de batalha. Já Carnegie se apresenta afoito e obcecado pelo objeto, como todo vilão básico é em histórias clichês – sim, ele é daquele tipo capaz de entregar a filha da própria esposa para o inimigo somente para conseguir o que deseja.

O manequeísmo, aliás, segue a lógica central do tal livro. Uns justos têm de se sacrificar pelo bem dos demais, porém após uma longa jornada de sofrimento e privações. Nesse sentido, o roteiro peca ao focar apenas nesse aspecto e pouco desenvolve outros personagens, como a bela Solara (Mila Kunis). Ela toma decisões que são impossíveis de serem entendidas; não sabe ler uma palavra, mas mesmo assim é magnetizada pelo livro em poucas horas, a ponto de morrer pelo dito cujo. Além disso, outros personagens passam pela história sem que possamos entender um pouco sobre eles, o que seria interessante para mantermos um contato mais direto com a história geral do filme. Não. O filme é só Eli vs Carnegie. Contudo, há um ponto de êxito: a trama não gasta muito tempo explicando o que aconteceu para o mundo e a humanidade chegarem àquele ponto. Pelo contrário, aponta para o que pode ser feito no futuro.

Os cenários vistos seguem a lógica Bladerunner e, principalmente, Mad Max. Claro, Denzel Washington não é como o Max de Mel Gibson, mas dá lá suas cacetadas. Aliás, as cenas de luta são muito bem realizadas, pena que são poucas, apenas três. Porque não investir mais nesse aspecto? Os Irmãos Hughes ainda realizam um cena com plano sequência bem tensa e eficiente, mas param por aí. Colocam sua câmera sempre nos ângulos mais óbvios e usam um excesso de slow motion que chega dar raiva. Esse recurso é que dá o sentido de lentidão da trama. O filme promete a todo tempo, mas não cumpre. Você fica esperando mais explicações, e nada. Você fica esperando mais embates e lutas (já que Eli é tipo um Jedi altamente evoluído), e nada. E tudo se resolve já na falada bem executada cena de ação e pronto.

Na sua conclusão, “O Livro de Eli” se enrola ainda mais. Dá um destino sem noção a Solara e uma reviravolta típica, que já era esperada como é comum nesse tipo de filme, mas que se mostra incoerente com o restante da história. Preste atenção nas ações de Eli e veja que é muito improvável acontecer o que é mostrado no final.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.