Crítica de Filme – Um Sonho Possível (2009)

nota05

direção: John Lee Hancock
elenco: Sandra Bullock, Quinton Aaron, Tim McGraw
país: EUA
gênero: drama
ano: 2009
título original: The Blind Side

Em vários momentos de “Um Sonho Possível”, o espectador é jogado para fora do cinema. A sensação é de já termos visto aquilo mais de uma vez, muito embora possa ser difícil lembrar em qual situação. Mas sim, filmes iguais a ele temos aos montes.

“Um Sonho Possível” é a história do jovem Michael Oher (Quinton Aaron), negro, pobre e desabrigado que muda de vida quando uma família, comandada por Leigh Anne (Sandra Bullock), passa a ajudá-lo na educação e com grandes lições de vida.

A trama desse filme passa longe de qualquer originalidade. É bom, aliás, diferenciar história de trama. A história de Michael é espetacular, de superação, humana, viva. Aconteceu de verdade, talvez se te contassem num bate papo rápido você nem acreditasse. Mas, para o cinema, é preciso ter uma narrativa, uma trama bem desenhada – e é principalmente nesse aspecto que “Um Sonho Possível” escorrega. O diretor e roteirista John Lee Hancock aposta nos mais aclamados clichês do gênero: homem pobre e preconceitos na escola, garoto gigante fisicamente e com coração “de ouro”, reviravoltas etc etc. É um recorte do que Hollywood produziu de mais clichê em filmes de superação.

Michael é o menino pobre da periferia que muda de vida quando uma mulher resolve ajudá-lo. Só que, em momento algum, somos avisados do motivo pelo qual uma mulher resolve ajudar um garoto sem paradeiro, sem família, sem roupas, sem nada. Porque ela fez? Culpa? De quê? Pura solidariedade? Ninguém sabe. Aí fica difícil do espectador se projetar nela. Claro, pessoas costumam se sensibilizar por outras de menor nível social, mas daí a botar o garoto em casa e dar de tudo é demais. Tem que ter algo mais. Sandra Bullock faz uma decoradora normal, sem grandes sobressaltos, sem grandes invencionices e convence até certo ponto. Não ultrapassa o limiar da boa atuação.

Por outro lado, Quinton Aaron como o garoto Michael consegue entrar no personagem e convence muito bem como o menino pobre que tentar superar todos os problemas possíveis de um adolescente: drogas, falta dos pais, má educação, dentre outros. Apesar disso, por dentro da casca de um enorme garoto, está um menino sensível e avesso à violência. O problema é que Hancock retrata isso com cenas descartáveis, diálogos superficiais e pouca criatividade. O envolvimento de Michael só é eficiente mesmo com os filhos de Leigh Anne, SJ e Collings, em que conseguem manter uma boa relação de irmandade e compaixão mútua.

A condução da história e a trajetória bem sucedida de Michael segue seu caminho, sempre nos mostrando lições interessantes de vida, de superação, porém mais pela força que a própria história tem do que pela trama que é vista na tela.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.