Crítica de Filme – Coração Louco (2009)

Embora tenha inúmeros acertos, é impossível dissociar o êxito de “Coração Louco” da atuação irreparável de Jeff Bridges. Adotando uma postura única, mas que reflete a trajetória de diversos artistas ao redor do mundo, o filme consegue criar uma ótima história em seu componente humano.
“Coração Louco” é a história de Bad Blake (Jeff Bridges), um velho cantor de country que roda os EUA tocando em locais decadentes, transando com mulheres duvidosas e bebendo muito. Vê sua trajetória mudar ao conhecer a jornalista Jean (Maggie Gyllenhall) e reencontrar o antigo parceiro Tommy Sweet (Collin Farell).
Basta ver o trailer de “Coração Louco” pra perceber uma semelhança óbvia com outro longa, “O Lutador”. A comparação me parece inevitável, ainda mais que o intervalo entre o lançamento de um e do outro aqui no Brasil foi de apenas um ano. Os dois tem sua trama baseada na trajetória de auto-conhecimento e mudança de um homem. Não que essa mudança seja da água para o vinho; de forma alguma, mas apenas ambos passam de um estado de acomodação e aceitação da vida para um estado de questionamento pessoal. Micley Rourke é fenomenal em seu filme, assim como Bridges, e ambos conseguem pontuar de forma brilhante as nuances de seus personagens. Não vou me alongar mais nesse assunto, mas você pode ler aqui a crítica de “O Lutador”.
Aqui, Bridges é o cantor em decadência, o trapo humano que percorre as estradas americanas e bebe um gole de uísque a cada intervalo de uma baforada de cigarro. A personificação em decadência, ainda mais quando o vemos chegar aos locais toscos em que toca: salão de boliche, botecos etc. No entanto, essa é apenas uma faceta do homem, já que num passado longíquo ele já fez muito sucesso. Gastou tudo em mulheres e bebida, e vive um momento de total entrega a esse universo. Asituação só muda quando ele enfrenta dois fatos: conhece uma bela e sedutora jornalista, Jean, muitos anos mais jovem que ele; e reencontra o antigo amigo e também cantor Tommy, o qual ainda insiste em formar parceria com ele.
Bridges encarna o verdadeiro Bad Blake, um badass de verdade. Rouco, de andar trôpego, bêbado e pronto para qualquer parada. Típico dos bares de beira de estrada dos EUA. É o espaço perfeito para Bridges expor seu talento, criando um personagem único e ao mesmo tempo uma síntese de “rock stars” (no sentigo clichê da palavra: sexo, drogas e rock n roll) do mundo todo. Ele não fala, grune. Não anda, rasteja. Não canta, encanta. É assim o mundo de Blake: de bar em bar, tocando sempre para públicos decantes suas antigas músicas de sucesso. Na direção, Scott Cooper faz o trabalho mais óbvio do mundo: prepara a tela para o grande astro brilhar: Jeff Bridges. Não há muito o que fazer, basta ligar a câmera e deixar que a trama e Bad falem por si só.
O roteiro é bem simples e explora essas duas questões na vida de Bad – embora outra apareça durante o filme, mas não seja explorada: o caso amoroso com Jean e a parceria com Tommy. Na primeira situação, ambos estão em momentos parecidos da vida, ocasião que torna o destino a explicação perfeita para o encontro. A jornalista que vira a amante, o artista que vira amante. Maggie é uma atriz no máximo esforçada e não consegue acompanhar o tom dramático do filme. Uma pena. Já Collin Farell simplesmente resolve largar de mão e faz de Tommy um tipo parecido com ele próprio: famoso, desligado e preocupado com o futuro (financeiro) de sua carreira. Nada muito distante do mundo glamuroso de Hollywood. E Bad, claro, costura sua vida pré-60 anos dividido entre essas duas questões: o amor de Jean e a parceira com Tommy.
É essa simplicidade, portanto, que faz com que a trama siga seu rumo natural. É até compreensível que já saibamos como a história vai se desenrolar – e isso não parece ser um problema. O que importa está ali: a história de um homem em busca de sua própria identidade, perdida em meio a acontecimentos que ele julgava como naturais. E, claro, um astro em sua atuação plena.

nota091

direção: Scott Cooper
elenco: Jeff Bridges, Maggie Gyllenhall, Robert Duvall, Collin Farell
país: EUA
gênero: drama
ano: 2009
título original: Crazy Heart

Embora tenha inúmeros acertos, é impossível dissociar o êxito de “Coração Louco” da atuação irreparável de Jeff Bridges. Adotando uma postura única, mas que reflete a trajetória de diversos artistas ao redor do mundo, o filme consegue criar uma ótima história em seu componente humano.

“Coração Louco” é a história de Bad Blake (Jeff Bridges), um velho cantor de country que roda os EUA tocando em locais decadentes, transando com mulheres duvidosas e bebendo muito. Vê sua trajetória mudar ao conhecer a jornalista Jean (Maggie Gyllenhall) e reencontrar o antigo parceiro Tommy Sweet (Collin Farell).

Basta ver o trailer de “Coração Louco” pra perceber uma semelhança óbvia com outro longa, “O Lutador”. A comparação me parece inevitável, ainda mais que o intervalo entre o lançamento de um e do outro aqui no Brasil foi de apenas um ano. Os dois tem sua trama baseada na trajetória de auto-conhecimento e mudança de um homem. Não que essa mudança seja da água para o vinho; de forma alguma, mas apenas ambos passam de um estado de acomodação e aceitação da vida para um estado de questionamento pessoal. Micley Rourke é fenomenal em seu filme, assim como Bridges, e ambos conseguem pontuar de forma brilhante as nuances de seus personagens. Não vou me alongar mais nesse assunto, mas você pode ler aqui a crítica de “O Lutador”.

Aqui, Bridges é o cantor em decadência, o trapo humano que percorre as estradas americanas e bebe um gole de uísque a cada intervalo de uma baforada de cigarro. A personificação em decadência, ainda mais quando o vemos chegar aos locais toscos em que toca: salão de boliche, botecos etc. No entanto, essa é apenas uma faceta do homem, já que num passado longíquo ele já fez muito sucesso. Gastou tudo em mulheres e bebida, e vive um momento de total entrega a esse universo. Asituação só muda quando ele enfrenta dois fatos: conhece uma bela e sedutora jornalista, Jean, muitos anos mais jovem que ele; e reencontra o antigo amigo e também cantor Tommy, o qual ainda insiste em formar parceria com ele.

Bridges encarna o verdadeiro Bad Blake, um badass de verdade. Rouco, de andar trôpego, bêbado e pronto para qualquer parada. Típico dos bares de beira de estrada dos EUA. É o espaço perfeito para Bridges expor seu talento, criando um personagem único e ao mesmo tempo uma síntese de “rock stars” (no sentigo clichê da palavra: sexo, drogas e rock n roll) do mundo todo. Ele não fala, grune. Não anda, rasteja. Não canta, encanta. É assim o mundo de Blake: de bar em bar, tocando sempre para públicos decantes suas antigas músicas de sucesso. Na direção, Scott Cooper faz o trabalho mais óbvio do mundo: prepara a tela para o grande astro brilhar: Jeff Bridges. Não há muito o que fazer, basta ligar a câmera e deixar que a trama e Bad falem por si só.

O roteiro é bem simples e explora essas duas questões na vida de Bad – embora outra apareça durante o filme, mas não seja explorada: o caso amoroso com Jean e a parceria com Tommy. Na primeira situação, ambos estão em momentos parecidos da vida, ocasião que torna o destino a explicação perfeita para o encontro. A jornalista que vira a amante, o artista que vira amante. Maggie é uma atriz no máximo esforçada e não consegue acompanhar o tom dramático do filme. Uma pena. Já Collin Farell simplesmente resolve largar de mão e faz de Tommy um tipo parecido com ele próprio: famoso, desligado e preocupado com o futuro (financeiro) de sua carreira. Nada muito distante do mundo glamuroso de Hollywood. E Bad, claro, costura sua vida pré-60 anos dividido entre essas duas questões: o amor de Jean e a parceira com Tommy.

É essa simplicidade, portanto, que faz com que a trama siga seu rumo natural. É até compreensível que já saibamos como a história vai se desenrolar – e isso não parece ser um problema. O que importa está ali: a história de um homem em busca de sua própria identidade, perdida em meio a acontecimentos que ele julgava como naturais. E, claro, um astro em sua atuação plena.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.