Crítica de Filme – O Segredo de Seus Olhos (2009)

nota091

direção: Juan José Campanella
elenco: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Guillhermo Francella
país: Argentina
gênero: drama
ano: 2009
título original: El Secreto de Sus Ojos

Existem filmes excelentes, cheios de nuances, ótimas atuações, roteiro afiado, uma direção fina e muitos outros grandes atributos. E existem filmes como “O Segredo de Seus Olhos” que, além disso tudo, lhe deixa embasbacado e com vontade de assistir tudo de novo, apenas um minuto após o apagar das luzes do cinema.
O filme é a história do policial federal Benjamin Espósito (Ricardo Darín), que vê sua vida mudar a partir de dois fatos opostos: a investigação de um brutal assassinato e a chegada de uma nova colega de repartição, a bela Irene Hastings (Soledad Villamil).
Não há momento descartável em “O Segredo de Seus Olhos”. Mesmo em situações em que o leve humor impera, tudo é milimetricamente arrumado para que a história corra seu curso natural. E o curso natural é surpreender o espectador a todo momento. Nada de sustos ou reviravoltas sem sentido. O surpreender que eu me refiro é a própria moral da vida de Espósito, um homem comum igual vemos todos os dias na rua (ou nós mesmos, é óbvio). A moral de convivência ou a moral da não-convivência. Ou simplesmente como nós deixamos a vida passar sem que nos perceber das conseqüências de escolhas que tomamos. É vida pura e o roteiro do próprio Campanella (baseado na obra de Eduardo Sacheri) conseguiu captar isso de maneira única.
O filme tem dois aspectos de análise. A história do estupro seguido de assassinado de Liliana Coloto é uma, e é o que vai nos conduzir para entender toda problemática de vida de Espósito e sua relação com o fiel amigo Sandoval (Guilhermo Francella) e com a advogada Irene. Somos, na verdade, “enganados” pelo roteiro, que nos leva a acreditar que estamos diante de uma trama de assassinato e investigação – claro, com toda uma bagagem fílmica que esse tipo de filme tem. Não, não estamos acompanhando uma simples história de assassinato. Espósito é um homem sagaz, firme e tem noção exata de onde está se metendo. Sua inteligência é confirmada em diversas cenas, principalmente naquela em que ele consegue descobrir uma pista escondida no olhar de determinado personagem. Incrível percepção e metáfora de vários acontecimentos do filme.
Em sua lógica de lacunas a serem preenchidas pelo espectador, Campanella dá seu show particular ao colocar a câmera a serviço desses espaços vazios que vemos em tela. Ou então ao, em vários momentos, colocar a câmera atrás de objetos e personagens. Somos testemunhas de quê, afinal? De uma perseguição policial ou de uma perseguição pelo sentido da vida? Sim, é piegas falar isso, mas o tal “significado da vida” é algo intrínseco a qualquer ser humano. Não é diferente de Espósito, seja na relação forte que ele mantém com Sandoval ou na falta de habilidade de trato com as mulheres – evidenciado numa cena no início do filme e em outras quando contracena com Irene. Ele passa o filme todo investigando e correndo atrás de pistas, mas não percebe o que exatamente ele tem que recuperar: sua própria vida. Nós espectadores, obviamente, também somos jogados nesse meio, uma forma deliciosa de se perder no filme e se achar a cada momento na  cena seguinte.
Campanella, o diretor por trás de outro grande sucesso argentino “O Filho da Noiva”, faz tudo isso de maneira ágil e maliciosa (no bom sentido). Tanto é que consegue filmar momentos líricos, cheios de emoção e também uma cena de ação e perseguição de tirar o fôlego – simplesmente uma das melhores cenas que vi nos últimos tempos, um plano-sequência tão perfeito que chega ser didático. Sua habilidade é proporcional ao trabalho obsessivo de Darín e seu Espósito, assim como ótimas atuações do restante do elenco.
Não há como negar que “O Segredo de Seus Olhos” é poesia pura, em que as rimas se dão mais pelo jogo de surpresas que qualquer outra coisa. E surpresa como a vida, que nos presenteia a cada momento com momentos ruins e bons e com momentos que só nos deixam o beneplácito da escolha. E haja escolha.

Existem filmes excelentes, cheios de nuances, ótimas atuações, roteiro afiado, uma direção fina e muitos outros grandes atributos. E existem filmes como “O Segredo de Seus Olhos” que, além disso tudo, lhe deixa embasbacado e com vontade de assistir tudo de novo, apenas um minuto após o apagar das luzes do cinema.

O filme é a história do policial federal Benjamin Espósito (Ricardo Darín), que vê sua vida mudar a partir de dois fatos opostos: a investigação de um brutal assassinato e a chegada de uma nova colega de repartição, a bela Irene Hastings (Soledad Villamil).

Não há momento descartável em “O Segredo de Seus Olhos”. Mesmo em situações em que o leve humor impera, tudo é milimetricamente arrumado para que a história corra seu curso natural. E o curso natural é surpreender o espectador a todo momento. Nada de sustos ou reviravoltas sem sentido. O surpreender que eu me refiro é a própria moral da vida de Espósito, um homem comum igual vemos todos os dias na rua (ou nós mesmos, é óbvio). A moral de convivência ou a moral da não-convivência. Ou simplesmente como nós deixamos a vida passar sem que nos perceber das conseqüências de escolhas que tomamos. É vida pura e o roteiro do próprio Campanella (baseado na obra de Eduardo Sacheri) conseguiu captar isso de maneira única.

O filme tem dois aspectos de análise. A história do estupro seguido de assassinado de Liliana Coloto é uma, e é o que vai nos conduzir para entender toda problemática de vida de Espósito e sua relação com o fiel amigo Sandoval (Guilhermo Francella) e com a advogada Irene. Somos, na verdade, “enganados” pelo roteiro, que nos leva a acreditar que estamos diante de uma trama de assassinato e investigação – claro, com toda uma bagagem fílmica que esse tipo de filme tem. Não, não estamos acompanhando uma simples história de assassinato. Espósito é um homem sagaz, firme e tem noção exata de onde está se metendo. Sua inteligência é confirmada em diversas cenas, principalmente naquela em que ele consegue descobrir uma pista escondida no olhar de determinado personagem. Incrível percepção e metáfora de vários acontecimentos do filme.

Em sua lógica de lacunas a serem preenchidas pelo espectador, Campanella dá seu show particular ao colocar a câmera a serviço desses espaços vazios que vemos em tela. Ou então ao, em vários momentos, colocar a câmera atrás de objetos e personagens. Somos testemunhas de quê, afinal? De uma perseguição policial ou de uma perseguição pelo sentido da vida? Sim, é piegas falar isso, mas o tal “significado da vida” é algo intrínseco a qualquer ser humano. Não é diferente de Espósito, seja na relação forte que ele mantém com Sandoval ou na falta de habilidade de trato com as mulheres – evidenciado numa cena no início do filme e em outras quando contracena com Irene. Ele passa o filme todo investigando e correndo atrás de pistas, mas não percebe o que exatamente ele tem que recuperar: sua própria vida. Nós espectadores, obviamente, também somos jogados nesse meio, uma forma deliciosa de se perder no filme e se achar a cada momento na  cena seguinte.

Campanella, o diretor por trás de outro grande sucesso argentino “O Filho da Noiva”, faz tudo isso de maneira ágil e maliciosa (no bom sentido). Tanto é que consegue filmar momentos líricos, cheios de emoção e também uma cena de ação e perseguição de tirar o fôlego – simplesmente uma das melhores cenas que vi nos últimos tempos, um plano-sequência tão perfeito que chega ser didático. Sua habilidade é proporcional ao trabalho obsessivo de Darín e seu Espósito, assim como ótimas atuações do restante do elenco.

Não há como negar que “O Segredo de Seus Olhos” é poesia pura, em que as rimas se dão mais pelo jogo de surpresas que qualquer outra coisa. E surpresa como a vida, que nos presenteia a cada momento com momentos ruins e bons e com momentos que só nos deixam o beneplácito da escolha. E haja escolha.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.