Crítica de Filme – Um Homem Sério (2009)

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direção: Joel e Ethan Coen
elenco: Michael Sthulbarg, Richard Kind, Sari Lennik
país: EUA
gênero: drama/comédia
ano: 2009
título original: A Serious Man

Assim como outros grandes diretores, assistir a filmes dos irmãos Coen é sempre uma experiência própria. Mesmo que o filme de alguma maneira não seja bom, você sabe que está vendo uma história de Joel e Ethan Coen e, claro, em “Um Homem Sério” não é diferente.

“Um Homem Sério” segue a história do professor de física Larry Gopnik (Michael Sthulbarg), que vive uma vida perfeitamente linear, com mulher e filhos, mas que vê sua trajetória mudar devido a uma série de acontecimentos estranhos.

Como base, os irmãos Coen usam o drama de uma família típica de classe média americana, só que aqui estamos falando da década de 70. Assim como vimos em diversos outros longas, como “Foi Apenas um Sonho” ou “Beleza Americana”, a rotina dessa família é o centro da história, mesmo que o protagonista seja mesmo Larry.

Porém, “Um Homem Sério” não aposta somente no drama, ele vai além e trata o assunto de maneira divertida, mais pelo surreal do que pelas piadas. O filme faz rir pelo ridículo de várias situações, mas não tem uma piada sequer.

Larry é o cara que vive bem sua vida hermeticamente perfeita. E aí surgem os pontos de conflito do filme, que são muito bem trabalhados por um roteiro afiado, que nunca perde o fio da meada das cenas. As situações na vida de Larry vão acontecendo de forma que ninguém acredita que está acontecendo e nem mesmo o próprio, isto é, apesar de serem problemas típicos que podem acontecer com qualquer um, o espectador parece não acreditar que estão acontecendo justamente com Larry. E é aí que ele enfrenta um caso de suborno, a separação da mulher, os problemas com o filho, seu irmão estranho etc.

Para que tudo isso dê certo é fundamental três pontos. Primeiro, a bela atuação de Michael como um Larry afundado em seus problemas, com seus óculos característicos e suas contas. Ah, as contas, a física e a matemática, uma metáfora perfeita para o não controle que ele tem para a própria vida. Segundo, a direção de arte é perfeita, não apenas por conseguir retratar a década de 70, mas por se conectar ao fluxo de acontecimentos do filme. As casas e salas são organizadas de maneira obsessiva, limpas e bem formadas. Só se alteram de acordo com o roteiro, com o que a história clama para ter em cena. Esse casamento é ainda mais perfeito quando pensamos na direção dos Coen, que também acompanham essa exatidão da trama. A câmera é lenta e deixa ótimas lacunas para o espectador, mas em momento nenhum torna o filme chato. A sugestão dá o tom.

E aí entra o sarcasmo de Joel e Ethan, que brincam com tudo, desde a loucura de um homem gordo, até o judaísmo. Pitadas de autobiografia dão o tom, sempre com um texto afiado e um humor negro, é verdade, mas sem ultrapassar o patamar do ridículo.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.