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Crítica de Filme – Quincas Berro D´Água (2010)

nota08

direção: Sergio Machado
elenco: Paulo José, Mariana Ximenes, Flavio Bauraqui, Irandhir Santos, Luis Miranda
país: Brasil
gênero: comédia
ano: 2010

Transpor obras literárias para o cinema não é simples e há sempre a idéia de que muita coisa ficou para trás. Fazer isso com um livro de Jorge Amado é, talvez, ainda mais difícil, pois ele traz peculiaridades bem baianas e pertencentes à literatura sua única. Mas é em Quincas Berro D´Água que essa lógica é subvertida.

O filme é uma adaptação do seminal “A Morte e a Morte de Quincas Berro D´Água”, que traz a história contada pelo defunto Quincas (Paulo José), rei da boemia e sacanagem baiana na década de 50 e que morre bem no dia de seu aniversário. A trama envolve muita confusão entre amigos, parentes e mulheres apaixonadas.

Jorge Amado é aclamado mundialmente, representante de uma cultura única baiana e de tradição que perdura até hoje. Muitas de suas obras viraram seriados, novelas e filmes e isso se deve ao estilo novelístico do autor (uma fase de sua carreira, obviamente. Sua obra é extensa e cheia de fases e nuances): Gabriela, Cravo e Canela, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Mar Morto, Terra Sem Fim, Capitães de Areia (que já virou filme e será lançado em breve) etc etc. O livro em questão é uma ode à picardia e um tapa na cara do status quo que conhecemos como vida bem sucedida: emprego, casa, mulher e filhos. E para viver esse personagem ninguém melhor que Paulo José.

O autor dá a seu personagem uma autenticidade impressionante. Se formos levar em consideração que ele passa a maior parte do tempo morto, o resultado conseguido por Paulo e o diretor Sergio Machado é mais incrível ainda. Quincas é um boêmio diferente: chutou o pau da barraca já velho e trocou a vida pacata da cidade alta pela putaria das ruas do Pelourinho. Vive bebendo, jogando e correndo atrás das mulheres fáceis. Faz tudo isso acompanhado de sua turma: Pastinha, Pé de Vento, Cabo Martim e Curió. São eles, aliás, o grande ponto cômico da trama. Claro, a própria situação do roteiro é surreal, mas os quatro amigos estão quase impecáveis em seus personagens, cada um com uma característica diferente e, até por isso, formam um mosaico interessante.

O realismo fantástico de Jorge se materializa nas ruas de Salvador. Nesse ponto, Sergio Machado é irreparável: como bom baiano, foge dos estereótipos fáceis, sotaques exagerados e atitudes sem sentido (sim, tudo de ruim de “Ó Paí Ó”, um desastre da recente cinematografia brasileira). Machado segue a lógica Amadiana e foca sua lente na inventividade dos pobres, na ginga do povo. E faz tudo isso com muito bom humor. As cenas trazem um humor afiado, exagerado quando é para ser, e comedido e certeiro na maioria das vezes. O quarteto de amigos faz de tudo: sobe e desce ladeira, briga, bebe, come, faz algazarra, é preso, dança e corre a cidade toda. E, claro, tudo acompanhado do morto.

A condução da história segue a lógica comentada acima, mas é acrescida pela conturbada relação entre Quincas e sua filha, Vanda (Mariana Ximenes). Infelizmente a atriz não segue o bonde de boas atuações do restante do elenco, mas não chega a comprometer. O mais importante, no entanto, é que o filme se encerra exatamente como deveria ser: fiel ao mestre Jorge Amado. Se você já leu obras como “Gabriela, Cravo e Canela” e “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, vai entender perfeitamente. A herança de Quincas é o que Vanda leva para o restante de sua vida, nada material, mas sim seu principal ensinamento – que você verá, obviamente, quando assistir ao filme.

Transpor obras literárias para o cinema não é simples e há sempre a idéia de que muita coisa ficou para trás. Fazer isso com um livro de Jorge Amado é, talvez, ainda mais difícil, pois ele traz peculiaridades bem baianas e pertencentes à literatura sua única. Mas é em Quincas Berro D´Água que essa lógica é subvertida.
O filme é uma adaptação do seminal “A Morte e a Morte de Quincas Berro D´Água”, que traz a história contada pelo defunto Quincas (Paulo José), rei da boemia e sacanagem baiana na década de 50 e que morre bem no dia de seu aniversário. A trama envolve muita confusão entre amigos, parentes e mulheres apaixonadas.
Jorge Amado é aclamado mundialmente, representante de uma cultura única baiana e de tradição que perdura até hoje. Muitas de suas obras viraram seriados, novelas e filmes e isso se deve ao estilo novelístico do autor (uma fase de sua carreira, obviamente. Sua obra é extensa e cheia de fases e nuances): Gabriela, Cravo e Canela, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Mar Morto, Terra Sem Fim, Capitães de Areia (que já virou filme e será lançado em breve) etc etc. O livro em questão é uma ode à picardia e um tapa na cara do status quo que conhecemos como vida bem sucedida: emprego, casa, mulher e filhos. E para viver esse personagem ninguém melhor que Paulo José.
O autor dá a seu personagem uma autenticidade impressionante. Se formos levar em consideração que ele passa a maior parte do tempo morto, o resultado conseguido por Paulo e o diretor Sergio Machado é mais incrível ainda. Quincas é um boêmio diferente: chutou o pau da barraca já velho e trocou a vida pacata da cidade alta pela putaria das ruas do Pelourinho. Vive bebendo, jogando e correndo atrás das mulheres fáceis. Faz tudo isso acompanhado de sua turma: Pastinha, Pé de Vento, Cabo Martim e Curió. São eles, aliás, o grande ponto cômico da trama. Claro, a própria situação do roteiro é surreal, mas os quatro amigos estão quase impecáveis em seus personagens, cada um com uma característica diferente e, até por isso, formam um mosaico interessante.
O realismo fantástico de Jorge se materializa nas ruas de Salvador. Nesse ponto, Sergio Machado é irreparável: como bom baiano, foge dos estereótipos fáceis, sotaques exagerados e atitudes sem sentido (sim, tudo de ruim de “Ó Paí Ó”, um desastre da recente cinematografia brasileira). Machado segue a lógica Amadiana e foca sua lente na inventividade dos pobres, na ginga do povo. E faz tudo isso com muito bom humor. As cenas trazem um humor afiado, exagerado quando é para ser, e comedido e certeiro na maioria das vezes. O quarteto de amigos faz de tudo: sobe e desce ladeira, briga, bebe, come, faz algazarra, é preso, dança e corre a cidade toda. E, claro, tudo acompanhado do morto.
A condução da história segue a lógica comentada acima, mas é acrescida pela conturbada relação entre Quincas e sua filha, Vanda (Mariana Ximenes). Infelizmente a atriz não segue o bonde de boas atuações do restante do elenco, mas não chega a comprometer. O mais importante, no entanto, é que o filme se encerra exatamente como deveria ser: fiel ao mestre Jorge Amado. Se você já leu obras como “Gabriela, Cravo e Canela” e “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, vai entender perfeitamente. A herança de Quincas é o que Vanda leva para o restante de sua vida, nada material, mas sim seu principal ensinamento – que você verá, obviamente, quando assistir ao fi

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  1. 4, junho, 2010 em 15:06 | #1

    Gostei bastante também, e olhe que estava com um pé atrás.

  2. 4, junho, 2010 em 16:07 | #2

    O filme é muito bem construído e a cara da Bahia, sem os exageros e estereótipos como você falou. Jorge Amado bem feito.

    P.S. Você chegou a ver outra vez além daquela especial para blogueiros? Pergunto isso porque naquela sessão também achei Mariana Ximenes muito fraca, e quando vi a segunda vez não achei tanto, achei apenas contida e já vi várias criticas elogiando sua atuação. Minha suposição é que reeditaram muita coisa depois daquela primeira exibição (inclusive cortaram os takes onde era possível ver Paulo José respirando) e isso influenciou na construção geral dela… Mas, isso é só uma suposição…

  3. 4, junho, 2010 em 16:30 | #3

    Amanda
    Realmente só vi naquela pré-estreia, fiz a crítica logo e só agora, quase 2 meses depois, fui pegar pra revisar e publicar. Pelo que lembro, ainda acho ela no máximo razoável

  4. 4, junho, 2010 em 19:26 | #4

    É, ainda estou na dúvida se vou encarar ou não, mas depois desse texto fiquei até curioso.

  5. mayara
    7, junho, 2010 em 15:09 | #5

    Eu assisti o filme, e gostei !
    ele tem seus pontos comicos, dá para rir bastante se prestar atenção…
    e ainda termina com uma linda frase do nosso grande poeta Jorge Amado .

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