Crítica de Filme – Mary & Max (2009)

nota091

direção: Adam Elliot
elenco: Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana, Barry Humphries
país: EUA
gênero: drama
ano: 2009

Nunca fui grande fã de filmes em animação. Os da Pixar, por exemplo, são 90% ruins, embora a maioria das pessoas venere os caras (bem, discutir isso não é a intenção do post…). Além do que, animação não é gênero cinematográfico, e sim uma técnica. Esse nariz de cera básico para dizer que fiquei satisfeito com o ganhador do Oscar “Mary & Max”, um drama em animação de fazer cortar os pulsos daqueles mais sensíveis.
A técnica utilizada pelo diretor Adam Elliot foi a de “massinha”, uma escolha pertinente pois casa perfeitamente com o roteiro de descrença, desiluções com a vida e esperança tardia demonstrada pelos personagens. Mary, a criaturinha perdida no mundo, que não se encontra nos padrões da sociedade, e Max, o coroa obeso e também fora de qualquer encaixe social. O que os une, obviamente, é essa falta de maleabilidade social, mas principalmente a capacidade que ambos têm de projetar no outro aquilo que desejam ser. Um erro bastante comum em relacionamentos amorosos e que podem também se manifestar em relações sociais mais amistosas, como o caso dos dois. E o filme vai mais fundo nessa questão, explora cada detalhe dessa projeção de individualidade.
Interessante também perceber que Mary sente-se dona da relação que estabelece com Max. Perceba que a maioria das trocas de mensagens é ela quem está no comando – e até por isso desperta os ataques de pânico em Max. Esse, por sua vez, é mais submisso e não consegue se relacionar com mais ninguém, somente com uma vizinha cega que não abre a boca pra nada. Tanto é que essa submissão “velada” vai ganhando contornos trágicos até chegar ao ápice nas cenas finais. Na verdade, com poucos minutos de filme já dá para perceber que a história terá um final trágico, embora algumas pessoas nem tenham achado isso.
Eu disse lá em cima que o filme faz cortar os pulsos dos mais sensíveis porque, na realidade, a história pega um pouco de cada um de nós para questionar o quanto nos “editamos” em relacionamentos dos mais diversos, seja de forma deliberada, seja de forma inconsciente. Por isso me lembrei de mais três filmes que tocam (em maior ou menor grau) nessa questão: Anti-heroi Americano, Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças e Amelie Polan. Esses três exemplos trabalham a mesma questão e conseguem resultados igualmente reveladores, intrigantes e extremamente fieis das relações humanas. E Mary & Max vai junto.

Nunca fui grande fã de filmes em animação. Os da Pixar, por exemplo, são 90% ruins, embora a maioria das pessoas venere os caras (bem, discutir isso não é a intenção do post…). Além do que, animação não é gênero cinematográfico, e sim uma técnica. Esse nariz de cera básico para dizer que fiquei satisfeito com o ganhador do Oscar “Mary & Max”, um drama em animação de fazer cortar os pulsos daqueles mais sensíveis.

A técnica utilizada pelo diretor Adam Elliot foi a de “massinha”, uma escolha pertinente pois casa perfeitamente com o roteiro de descrença, desiluções com a vida e esperança tardia demonstrada pelos personagens. Mary, a criaturinha perdida no mundo, que não se encontra nos padrões da sociedade, e Max, o coroa obeso e também fora de qualquer encaixe social. O que os une, obviamente, é essa falta de maleabilidade social, mas principalmente a capacidade que ambos têm de projetar no outro aquilo que desejam ser. Um erro bastante comum em relacionamentos amorosos e que podem também se manifestar em relações sociais mais amistosas, como o caso dos dois. E o filme vai mais fundo nessa questão, explora cada detalhe dessa projeção de individualidade.

Interessante também perceber que Mary sente-se dona da relação que estabelece com Max. Perceba que a maioria das trocas de mensagens é ela quem está no comando – e até por isso desperta os ataques de pânico em Max. Esse, por sua vez, é mais submisso e não consegue se relacionar com mais ninguém, somente com uma vizinha cega que não abre a boca pra nada. Tanto é que essa submissão “velada” vai ganhando contornos trágicos até chegar ao ápice nas cenas finais. Na verdade, com poucos minutos de filme já dá para perceber que a história terá um final trágico, embora algumas pessoas nem tenham achado isso.

Eu disse lá em cima que o filme faz cortar os pulsos dos mais sensíveis porque, na realidade, a história pega um pouco de cada um de nós para questionar o quanto nos “editamos” em relacionamentos dos mais diversos, seja de forma deliberada, seja de forma inconsciente. Por isso me lembrei de mais três filmes que tocam (em maior ou menor grau) nessa questão: Anti-heroi Americano, Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças e Amelie Polan. Esses três exemplos trabalham a mesma questão e conseguem resultados igualmente reveladores, intrigantes e extremamente fieis das relações humanas. E Mary & Max vai junto.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.