Crítica de Filme – Tetro (2009)

nota08

direção: Francis Ford Coppola
elenco: Vicent Gallo, Alden Ehrenreich, Maribel Verdú, Rodrigo de La Serna
país: EUA/Argentina
gênero: drama
ano: 2009

Frans Ford Coppola não é o tipo de diretor que faz filme fácil, fato que pode ser bom ou ruim. No caso de “Tetro”, sem ou com expectativas, o diretor aposta suas fichas numa história familiar que começa comum e, com o passar do tempo, vai tomando proporções cada vez mais intrigantes.
O filme segue Bennie (Alden Ehrenreich) e Tetro (Vicent Gallo), dois irmãos que se separaram há algum tempo e que tentam retomar a relação anos depois em Bueno Aires, muito mais pelo esforço do primeiro. O elo entre eles envolve intriga familiar, amor, ódio e muitas surpresas.
“Tetro” é em tom escuro e preto e branco na maior parte do tempo, o que pode afastar muita gente dos cinemas. Mas esse é um elemento fundamental para a história: nada está às claras, tudo é perfeitamente dubitável. Os personagens têm uma áurea dramática muito forte. Bennie, o irmão mais novo, é tomado por uma certa infantilidade que é realçada pelo fato dele vestir roupa de marinheiro mesmo sendo apenas um garçom de navio. Já Tetro é envolto em dúvidas e rancor, que serão lentamente explorados ao longo do filme. Aliás, essa é uma característica marcante: o filme é lento, mas não chato. É lento porque não tem pressa de ser contato e as linhas paralelas da história vão sendo desmembradas aos poucos.
Particularmente, a história do “filho querer superar o pai” parece clichê, mas é contada por Coppola – que também é o roteirista – de forma natural, mesmo com os rompantes de melodrama em diversos momentos. O pai dos protagonistas é um maestro famoso, típico patriarca bem sucedido e que não consegue transpor para os filhos sua “genialidade”. E aí, obviamente, o desenrolar do filme vai contar o resto: reviravoltas, intrigas, traição, loucuras e amor em cheque. Tudo, mais um vez repito, de maneira natural e sem pressa, feito para o espectador digerir com calma. É o caso, por exemplo, das referências visuais: a luz e o espelho.
O contraponto à essa densidade é dada pelo mise en scène típico dos filmes italianos – como bem lembrou o colaborador Bruno, toques de Fellini ecoam em diversas cenas, principalmente naquelas passadas no teatro comandado pelo personagem de Rodrigo de La Serna. A mistura desses dois elementos mais fortes é que dá liga a “Tetro”, que é pontuado por essa história familiar bem típica e tradicional, mas que, como vê-se com o passar dos minutos, vai ficando cada vez mais intrigante e passional.
Se é para citar momentos irregulares, então fica impossível não pensar que o final do filme poderia ter sido melhor amarrado. O desfecho é exagerado demais e se arrasta, embora não comprometa o resultado geral. As cenas de forte acento italiano não comprometem, pelo contrário, dão o tom de dramalhão que é necessário à história. Talvez o grande público não esteja tão acostumado a essas intervenções, mas é claro que Coppola trabalhou feito um artesão para esculpir essas cenas de maneira minuciosa. Ponto para o mestre.

Francis Ford Coppola não é o tipo de diretor que faz filme fácil, fato que pode ser bom ou ruim. No caso de “Tetro”, sem ou com expectativas, o diretor aposta suas fichas numa história familiar que começa comum e, com o passar do tempo, vai tomando proporções cada vez mais intrigantes.

O filme segue Bennie (Alden Ehrenreich) e Tetro (Vicent Gallo), dois irmãos que se separaram há algum tempo e que tentam retomar a relação anos depois em Bueno Aires, muito mais pelo esforço do primeiro. O elo entre eles envolve intriga familiar, amor, ódio e muitas surpresas.

“Tetro” é em tom escuro e preto e branco na maior parte do tempo, o que pode afastar muita gente dos cinemas. Mas esse é um elemento fundamental para a história: nada está às claras, tudo é perfeitamente dubitável. Os personagens têm uma aura dramática muito forte. Bennie, o irmão mais novo, é tomado por uma certa infantilidade que é realçada pelo fato dele vestir roupa de marinheiro mesmo sendo apenas um garçom de navio. Já Tetro é envolto em dúvidas e rancor, que serão lentamente explorados ao longo do filme. Aliás, essa é uma característica marcante: o filme é lento, mas não chato. É lento porque não tem pressa de ser contado e as linhas paralelas da história vão sendo desmembradas aos poucos.

Particularmente, a história do “filho querer superar o pai” parece clichê, mas é contada por Coppola – que também é o roteirista – de forma natural, mesmo com os rompantes de melodrama em diversos momentos. O pai dos protagonistas é um maestro famoso, típico patriarca bem sucedido e que não consegue transpor para os filhos sua “genialidade”. E aí, obviamente, o desenrolar do filme vai contar o resto: reviravoltas, intrigas, traição, loucuras e amor em cheque. Tudo, mais um vez repito, de maneira natural e sem pressa, feito para o espectador digerir com calma. É o caso, por exemplo, das referências visuais: a luz e o espelho.

O contraponto à essa densidade é dada pelo mise en scène típico dos filmes italianos – como bem lembrou o colaborador Bruno, toques de Fellini ecoam em diversas cenas, principalmente naquelas passadas no teatro comandado pelo personagem de Rodrigo de La Serna. A mistura desses dois elementos mais fortes é que dá liga a “Tetro”, que é pontuado por essa história familiar bem típica e tradicional, mas que, como vê-se com o passar dos minutos, vai ficando cada vez mais intrigante e passional.

Se é para citar momentos irregulares, então fica impossível não pensar que o final do filme poderia ter sido melhor amarrado. O desfecho é exagerado demais e se arrasta, embora não comprometa o resultado geral. As cenas de forte acento italiano não comprometem, pelo contrário, dão o tom de dramalhão que é necessário à história. Talvez o grande público não esteja tão acostumado a essas intervenções, mas é claro que Coppola trabalhou feito um artesão para esculpir essas cenas de maneira minuciosa. Ponto para o mestre.

.

Você também pode se interessar por:

About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.