
Os fãs de James Bond tiveram mais uma notícia empolgante em menos de uma semana (leia o post sobre o novo filme). Finalmente foi revelado o nome do novo livro protagonizado pelo agente 007. A obra se chama “Carte Blanche” (Carta Branca, em tradução literal) e será lançada em maio, na Inglaterra, e em novembro, no Brasil, pela Editora Record.
A família de Ian Fleming – criador do personagem – escolheu um autor renomado para escrever a nova aventura de James Bond. E o felizardo foi o premiado autor americano Jeffery Deaver, que tem mais de 20 livros, sendo o mais conhecido “O Colecionador de Ossos” – que virou filme com Angelina Jolie e Denzel Washington.
Depois do fraquíssimo “A Essência do Mal”, de Sebastian Faulks, escrito em 2008 para comemorar os 100 anos de Fleming, espera-se que Deaver aproveite a oportunidade única e escreva da mesma forma objetiva e atraente do criador do personagem. Ele já começou com uma mudança drástica: a ação vai se passar nos dias atuais. Mas não espere um James Bond velhinho. O agente 007 vai continuar jovem e, em vez de ter lutado na 2º Guerra Mundial, provavelmente terá enfrentado os terroristas no Afeganistão.
Essa alteração temporal do personagem é benvinda. A Guerra Fria já é algo de um passado distante e atualizar as questões políticas tornará o livro mais interessante e atraente para um novo público. E para quem escreve, é mais “fácil” falar do tempo em que vive do que de um passado que não vivenciou, o que pode favorecer o enredo. Aliás, maiores detalhes da história ainda não foram revelados, a não ser que a ação vai se passar na exótica Dubai e, para alegria dos nostálgicos, o carro de James Bond será um Bentley – o carro do 007 nos livros.
Deaver não pode cair no erro de “reverter a adaptação”. Isso aconteceu com os escritores dos livros de James Bond pós-Fleming. Ao invés de manterem a essência do personagem literário, utilizaram o cinematográfico como fonte. Sim, o personagem é o mesmo, mas há diferenças perceptíveis. Nos livros, Bond é muito mais humano e não é um comedor – pelo contrário, se apaixona fácil. Isso o torna mais chato? Não mesmo!
As histórias de Ian Fleming possuem suspense, ação e pitadas de romance. Esqueçam as gadgets do personagem “Q”, que, inclusive, só aparece no – espetacular – livro “Moscou contra 007″. O Bond literário é puro cérebro. Flerte com a secretária MoneyPenny? Ela aparece, se muito, em três páginas, contabilizando os 14 livros. Martini batido, não mexido? Não, obrigado. 007 prefere conhecer novas bebidas sempre que possível ou tomar um Dom Pérignon. Espero que Deaver traga de volta essas especificidades do Bond literário, perdidas há 45 anos, desde a última obra de Ian Fleming: Encontro em Berlim (Octopussy and The Living Daylights).
Se você ainda não teve a oportunidade de ler nenhum livro de Fleming, comece pelo início: Cassino Royale, à venda em qualquer livraria. E boa leitura!












