Crítica de Filme – Amor e Outras Drogas (2010)

nota08

direção: Edward Zwick
elenco: Jaake Gyllenhaal, Anne Hathaway, Oliver Platt, Josh Gad
país: EUA
gênero: romance/drama
ano: 2010

O apelo sexual talvez leve muita gente aos cinemas para ver “Amor e Outras Drogas”, já que, naturalmente, homens querem ver Anne Hathaway nua e mulheres clamam pelo nu de Jake Gyllenhaal. Isso tudo está lá, mas o filme apresenta diversos outros elementos positivos, envolvendo romance, drama e comédia.

O filme conta a história de amor entre um mulherengo representante farmacêutico (Jake Gyllenhaal) e uma insaciável garçonete (Anne Hathaway). Os dois lutam para se dar bem em meio a diversos empecilhos, como a rara doença que ela tem, as inseguranças dele e os bastidores da indústria farmacêutica e seus representantes.

O que é uma comédia romântica? A julgar pela centena de filmes que invadem as telas a cada ano, podemos pensar no tradicional “água com açúcar”, recheado de clichês e piadas prontas. Na verdade, podemos até encarar “Amor e Outras Drogas” como comédia romântica, mas definitivamente não é isso. O filme até começa bem solto, várias piadas e situações cômicas, mas vai ganhando contornos dramáticos ao passar dos minutos ao ponto de, lá pelo meio do filme, já estarmos diante de uma história bem mais madura que aquela que iniciou. E isso é muito bom.

Jamie, garanhão nato, começa a mudar sua atitude ao encontrar uma mulher nada convencional: magra, cabelos desarrumados e portadora de mal de Parkinson. A combinação nada animadora, no entanto, mostra ao representante farmacêutico um outro lado da vida que ele não conhece, ou pelo menos tentava se esconder atrás da casca de pegador máximo. Ao se relacionar com Maggie, ele vai descobrindo seu lado “humano”, palavra essa usada pelos próprios personagens como forma de entender que o amor entre os dois estava por florescer. Maggie, por sua vez, é bem mais explícita em suas atitudes e também tem no sexo casual e selvagem o escape da tristeza de sua doença precoce.

O pano de fundo para essa história “clássica” de amor improvável é o cenário dos propagandistas (representantes farmacêuticos) e sua relação promíscua com os médicos. Claro, essa questão delicada não é explorada a fundo, mas é possível ver bastante coisa dos bastidores sórdidos de vendas de remédios tradicionais, como Xanax, Zitromax e o Viagra. Esse último tem função essencial no filme, pois é a mola propulsora de várias outras questões. Interessante que dá para fazer alguns paralelos entre a vida de Jamie e Maggie e a luta dele por conseguir espaço no mercado. Nesse ponto o roteiro é bem encadeado.

Como eu falei no início, o lado comédia também é explorado e é particularmente eficiente porque o elenco de apoio está irreparável. Josh Gad como o irmão rico e instável garante boas risadas e Oliver Platt segura bem como o chefe de Jamie. No entanto, a pedra no sapato dos “comédia romântica” pega “Amor e Outras Drogas” de assalto no final, ao preferir um desfecho bem clichê, mas aí o “estrago” positivo já estava feito.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.