Crítica de Filme – Bravura Indômita (2010)

Não há como negar o esforço estético dos Irmãos Coen nesse novo filme, que transporta o espectador direto para uma caçada típica do faroeste americano. Mas só isso já vale uma boa história e 1 hora e 50 minutos do meu tempo?
“Bravura Indômita” conta a história da pequena XX (XX), 14 anos, que resolve contratar um pistoleiro (Jeff Bridges) para vingar a morte de seu pai. Na caçada, ainda encontra a ajuda do Texas Ranger X (Matt Damon).
O roteiro é bem simples – e os diretores não fazem questão alguma de negar isso. Afinal, a filmografia western está cheia desse tipo de história. É bom lembrar também que é uma adaptação do livro XX de XX e que em 1969 John Wayne, mito dos faroeste, levou o Oscar pelo papel de Mr. Cogburn. Dessa vez quem assume o posto é o (quase) sempre competente Jeff Bridges. Sua voz, seus movimentos, sua falta de traquejo… Quase dá para sentir o hálito fétido do personagem. Talvez não acha ninguém melhor do que ele para o papel. Ele é o aparentemente herói da trama, que vai ajudar a mocinha a conquistar seu objetivo. Papel esse que não é o protagonista. Embora seja muito bem realizado, a história é mesmo conduzida pela surpreendente XX.
Sempre determinada e segura de si, mesmo aos 14 anos, X é o destaque do filme. Quando eu vi a primeira cena dela, ajeitei-me na poltrona do cinema. Minutos depois, ao negociar com um experiente comerciante (e se dar bem), não tive dúvida de que estava diante de uma estrela. Atuação espetacular, sempre à frente do seu próprio personagem. Quando vemos, então, ela interpretar ao lado de Bridges, é um júbilo só. Tanto é que os irmãos Coen lavam as mãos e fazem de tudo para que os dois permaneçam o maior tempo possível em tela. Matt Damon, no entanto, faz mais um papel bom, mas que não arranca aplausos de ninguém.
Estamos falando de Western, então temos o personagem bom, o ruim e a mocinha. A mocinha encontra obstáculos em sua jornada que só será possível ultrapassar com a ajuda de um pistoleiro casca-grossa. Só que no caso de “Bravura Indômita” não há a história de amor, até porque a menina tem apenas 14 anos. Mas há a história do vínculo afetivo entre eles, que vai sendo criado aos poucos, com pitadas típicas do código de honra dos habitantes do mundo mágico dos faroestes.
Se as atuações são ótimas, não dá para dizer o mesmo do ritmo adotado na trama. Conversava com Bruno Porciuncula e ele me dizia que filme de Western é assim mesmo, lento e com um ritmo bem diferente do que estamos acostumados hoje. Concordo, mas ainda acho que faltou pegada. As cenas de ação são bem realizadas, mas falta o “algo a mais”. Quando, por exemplo, X encontra o algoz do seu pai, a magia do encontro é quebrada por uma sequência fraca. Não há vínculo. Já outras cenas, como a da cabana – entre ela, Bridges e dois malandros -, é tensa, rica em detalhes e explode na hora certa. Como eu disse, a dinâmica entre Cogburn e X existe, é bonita e bem feita, mas o restante da trama não goza de tamanha eficiência.

Claro que temos boas cenas de ação, como o duelo final e mais duas ou três. Um dos bandidos, vivido por X, também dá um toque especialíssimo à terceira parte do filme. No final, os Coen ainda saúdam a bela história western americana com uma sequência propositadamente “mal feita”.

nota07

direção: John e Ethan Coen
elenco: Jeff Bridges, Matt Damon, Hailee Steinfield, Josh Brolin
país: EUA
gênero: western
ano: 2010

Não há como negar o esforço estético dos Irmãos Coen nesse novo filme, que transporta o espectador direto para uma caçada típica do faroeste americano. Mas só isso já vale uma boa história e 1 hora e 50 minutos do meu tempo?

“Bravura Indômita” conta a história da pequena Mattie Ross (Hailee Steinfield), 14 anos, que resolve contratar um pistoleiro, Rooster Cogburn (Jeff Bridges), para vingar a morte de seu pai. Na caçada, ainda encontra a ajuda de um Texas Ranger, Lebouf (Matt Damon).

O roteiro é bem simples – e os diretores não fazem questão alguma de negar isso. Afinal, a filmografia western está cheia desse tipo de história. É bom lembrar também que esta é uma adaptação do livro de mesmo nome (Charles Portis) e que em 1969 John Wayne, mito dos faroeste, levou o Oscar pelo papel de Mr. Cogburn. Dessa vez quem assume o posto é o (quase) sempre competente Jeff Bridges. Sua voz, seus movimentos, sua falta de traquejo… Quase dá para sentir o hálito fétido do personagem. Talvez não acha ninguém melhor do que ele para o papel. Ele é o aparentemente herói da trama, que vai ajudar a mocinha a conquistar seu objetivo. Papel esse que não é o protagonista. Embora seja muito bem realizado, a história é mesmo conduzida pela surpreendente Hailee Steinfield.

Sempre determinada e segura de si, mesmo aos 14 anos, Mattie Ross é o destaque do filme. Quando eu vi a primeira cena dela, ajeitei-me na poltrona do cinema. Minutos depois, ao negociar com um experiente comerciante (e se dar bem), não tive dúvida de que estava diante de uma estrela. Atuação espetacular, sempre à frente do seu próprio personagem. Quando vemos, então, ela interpretar ao lado de Bridges, é um júbilo só. Tanto é que os irmãos Coen lavam as mãos e fazem de tudo para que os dois permaneçam o maior tempo possível em tela. Matt Damon faz mais um papel bom, mas que não arranca aplausos de ninguém.

Estamos falando de Western, então temos o personagem bom, o ruim e a mocinha. A mocinha encontra obstáculos em sua jornada que só será possível ultrapassar com a ajuda de um pistoleiro casca-grossa. Só que no caso de “Bravura Indômita”, não há a história de amor, por exemplo, até porque a menina tem apenas 14 anos. Mas há a história do vínculo afetivo entre eles, que vai sendo criado aos poucos, com pitadas típicas do código de honra dos habitantes do mundo mágico dos faroestes – e potencializado pelas mãos dos irmãos Coen.

Se as atuações são ótimas, não dá para dizer o mesmo do ritmo adotado na trama. Conversava com o colaborador da casa, Bruno Porciuncula, e ele me dizia que filme de Western é assim mesmo, lento e com um ritmo bem diferente do que estamos acostumados hoje. Concordo, mas ainda acho que faltou pegada. As cenas de ação são bem realizadas, mas falta o “algo a mais”. Quando, por exemplo, Mattie encontra o algoz do seu pai, a magia do encontro é quebrada por uma sequência fraca. Não há vínculo. Já outras cenas, como a da cabana – entre ela, Bridges e dois malandros -, é tensa, rica em detalhes e explode na hora certa. Como eu disse, a dinâmica entre Cogburn e Mattie existe, é bonita e bem feita, mas o restante da trama não goza de tamanha eficiência.

Claro que temos boas cenas de ação, como o duelo final e mais duas ou três. Um dos bandidos, vivido por Barry Pepper, também dá um toque especialíssimo à terceira parte do filme. No final, os Coen ainda saúdam a bela história western americana com uma sequência propositadamente “mal feita”.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.