Crítica de Filme – O Vencedor (2010)

Filme de boxe tem (quase) sempre a mesma estrutura narrativa. Invariavelmente há uma história de superação, volta por cima, resignação etc. Parece ser o esporte preferido do americano para tal. “O Vencedor”, claro, segue a mesma linha, embora tenha alguns outros elementos eficientes.
O filme conta a história de dois irmãos, Dick Ecklund (Cristian Bale) e Mickey Warrd (Mark Whalberg). Dick, veterano e porra louca, tenta passar seus ensinamentos para o promissor Mickey, cenário esse que ainda comporta brigas familiares e a velha tentativa de resignação.
Boxe, muito popular especialmente nos EUA, é um esporte com um código de honra todo especial, que geralmente perpassa a vida do boxeador durante toda sua vida. Mesmo depois de encerrar a carreira profissional, o boxe permanece preso à pessoa. Na extensa filmografia tendo o esporte como pano de fundo ou como tema central vemos isso claramente. “O Vencedor”, mais uma vez, volta ao assunto, ao jogar uma lupa nítida sobre a vida de Dick Ecklund. Agora entregue às drogas e vivendo no limbo asfaltando rua (quando consegue se levantar da cama), o ex-boxeador parece só se importar com a vida em dois momentos: quando está com seu filho e quando sobe ao ringue para ajudar seu irmão a aprender a “arte”. Porque, ao que parece na lista de filmes sobre o tema, o boxe é uma arte só alcançável para poucos. Um desses poucos é Dick ou Mickey?
O irmão mais novo parece ser a salvação da família no quesito sucesso. Ele tem irmãs que mais parecem clones de si mesmas, bêbadas e sem trabalho, e uma mãe histérica e deslumbrada com o “sucesso”: de Dick, que teve lá um brilhareco nos anos 70, e Mickey, promissor, mas que não consegue passar da promessa. Talvez nós brasileiros estendêssemos mais o fascínio desse tipo de história se ela se valesse do futebol. Mas mesmo assim dá para se emocionar, claro, isso se você não se importar com o dramalhão que o roteiro de XX apresenta. Ele até funciona em alguns momentos – as cenas com Melissa Leo, que faz a mãe dos atletas, são sempre bem vindas -, mas é meio chato em diversas outras horas.
X consegue mostrar bem o lado da história de Dick. Viciado em crack, ele não perde oportunidade de falar bem de si mesmo e de seu irmão. Não para de falar de uma luta com o mito Sugar Ray Leonard, em que, você verá de forma sutil ao longo de várias cenas, que não foi bem aquilo que ele conta que aconteceu. Já o lado de Mickey é engolido, talvez pela apatia natural de Whalberg ou pela fraqueza mesmo dessa parte do roteiro. Na verdade, pra ser bem sincero, quem manda no filme é Cristian Bale, excelente no papel – não pelo emagrecimento, que nem é importante, mas pela maneira real com que ele vive o personagem.
A irregularidade do filme é mais latente quando vemos cenas de luta. Claramente tentando se inspirar em dois mitos dos filmes de Boxe, “O Vencedor” escorrega feio. Tudo bem, a cena em que Mickey treina ao som de rock n roll é referência aceitável a Rocky (afinal, ele está vestido com um moletom idêntico ao personagem de Stallone). Porém, tentar igualar o mestre Scorsese foi demais, pois X não conseguiu repetir o êxito de “Touro Indomável” nas cenas de golpes em close e câmera lenta. Dá dó.
A história é repetida e clichê? É, mas lembremos que trata-se de um filme baseado em fatos reais. Acontece mesmo

nota07

direção: David O. Russel
elenco: Cristian Bale, Mark Whalberg, Amy Adams, Melissa Leo
país: EUA
gênero: drama
ano: 2010

Filme de boxe tem (quase) sempre a mesma estrutura narrativa. Invariavelmente há uma história de superação, volta por cima, resignação etc. Parece ser o esporte preferido do americano para tal. “O Vencedor”, claro, segue a mesma linha, embora tenha alguns outros elementos eficientes.

O filme conta a história de dois irmãos, Dick Ecklund (Cristian Bale) e Mickey Warrd (Mark Whalberg). Dick, veterano e porra louca, tenta passar seus ensinamentos para o promissor Mickey, cenário esse que ainda comporta brigas familiares e a velha tentativa de resignação.

Boxe, muito popular especialmente nos EUA, é um esporte com um código de honra todo especial, que geralmente perpassa a vida do boxeador durante toda sua vida. Mesmo depois de encerrar a carreira profissional, o boxe permanece preso à pessoa. Na extensa filmografia tendo o esporte como pano de fundo ou como tema central vemos isso claramente. “O Vencedor”, mais uma vez, volta ao assunto, ao jogar uma lupa nítida sobre a vida de Dick Ecklund. Agora entregue às drogas e vivendo no limbo asfaltando rua (quando consegue se levantar da cama), o ex-boxeador parece só se importar com a vida em dois momentos: quando está com seu filho e quando sobe ao ringue para ajudar seu irmão a aprender a “arte”. Porque, ao que parece na lista de filmes sobre o tema, o boxe é uma arte só alcançável para poucos. Um desses poucos é Dick ou Mickey?

O irmão mais novo parece ser a salvação da família no quesito sucesso. Ele tem irmãs que mais parecem clones de si mesmas, bêbadas e sem trabalho, e uma mãe histérica e deslumbrada com o “sucesso”: de Dick, que teve lá um brilhareco nos anos 70, e Mickey, promissor, mas que não consegue passar da promessa. Talvez nós brasileiros estendêssemos mais o fascínio desse tipo de história se ela se valesse do futebol. Mas mesmo assim dá para se emocionar, claro, isso se você não se importar com o dramalhão que o roteiro apresenta. Ele até funciona em alguns momentos – as cenas com Melissa Leo, que faz a mãe dos atletas, são sempre bem vindas -, mas é meio chato em diversas outras horas.

David O. Russel consegue mostrar bem o lado da história de Dick. Viciado em crack, ele não perde oportunidade de falar bem de si mesmo e de seu irmão. Não para de falar de uma luta com o mito Sugar Ray Leonard, em que, você verá de forma sutil ao longo de várias cenas, que não foi bem aquilo que ele conta que aconteceu. Já o lado de Mickey é engolido, talvez pela apatia natural de Whalberg ou pela fraqueza mesmo dessa parte do roteiro. Na verdade, pra ser bem sincero, quem manda no filme é Cristian Bale, excelente no papel – não pelo emagrecimento, que nem é importante, mas pela maneira real com que ele vive o personagem.

A irregularidade do filme é mais latente quando vemos cenas de luta. Claramente tentando se inspirar em dois mitos dos filmes de Boxe, “O Vencedor” escorrega feio. Tudo bem, a cena em que Mickey treina ao som de rock n roll é referência aceitável a Rocky (ele está vestido com um moletom idêntico ao personagem de Stallone). Porém, tentar igualar o mestre Scorsese foi demais, pois David O. Russel não conseguiu repetir o êxito de “Touro Indomável” nas cenas de golpes em close e câmera lenta. Dá dó.

A história é repetida e clichê? É, mas lembremos que trata-se de um filme baseado em fatos reais. Acontece mesmo.

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About Rodrigo Carreiro

Editor do blog e apaixonado por música, cinema e cultura pop em geral. Para pagar as contas, é jornalista e pesquisador de comunicação, política e internet.