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direção: Banksy
elenco: Banksy, Thierry Guetta, Obey, Shepard Fairey
país: EUA/Inglaterra
gênero: documentário
ano: 2010
- porque a lata de ‘tomato soup’ aparece dessa maneira, em forma de spray de tinta?
- É… faz parte da cultura pop. Andy Wharol morreu e… bem, aqui estou eu.
A segunda parte do diálogo é uma frase simples e aparentemente irrisória, mas que resume muito bem parte da cultura pop (cinema, música, arte em geral) que se formou no mundo ocidental a partir da segunda metade do século passado. O autor de tão singelas palavras? Thierry Guetta, o personagem principal (?) do documentário “Exit Trhough the Gift Shop”.
Na verdade, o filme conta a história de alguns artistas da street art, essa forma marginalizada de cultura que cresceu nas grandes cidades e morreu nelas mesmas. Morreu, veja bem, como forma de se eternizar – um aspecto curioso que esses elementos urbanos nos trazem e que são perfeitamente compreendidos através do documentário. Para entender “Exit Through…” é preciso ter em mente quem foi Andy Wharol, um artista multimídia que viveu seu auge durante as décadas de 1960 e 1970, famoso por frases como “no futuro, todo mundo terá seus 15 minuto de fama” e outras pérolas. Mais do que isso, foi o primeiro de sua geração a questionar o valor da arte diante uma sociedade que via crescer uma cultura do entretenimento fugaz.
Embora o nome de Wharol mal seja pronunciado no filme, é importante ter essa dimensão histórica, pois a street art feita por Banksy, Obey, Mr. Brainwash e tantos outros é filha legítima do movimento de contra-cultura iniciado na década de 60. No documentário, por sua vez, acompanhamos a vida de Thierry Guetta, um louco que é viciado em filmar tudo. Simplesmente tudo. Acaba topando com uma turma de grafiteiros e artistas de rua e os segue por todo o submundo de Los Angeles. O “viveu e morreu em si mesmo” comentado lá em cima no texto é subvertido pelas lentes de Thierry. Isto é, a street art é fugaz, pois se apropria de elementos urbanos para recriar tais elementos e se perpetuar, mas é dizimada rapidamente. Afinal, estamos falando de grafite em locais públicos, desenhos em prédios e colagens em muros. Tudo rapidamente apagado pelas autoridades. Como é que fica tudo registrado?
É esse o questionamento que a cena atual (década de 90) se apropria de Wharol e que Banksy explora em seu filme. A arte que eles fazem é para ser de consumo imediato, questionadora e desafiadora dos padrões estéticos estabelecidos. Recriação da recriação – prática que é retomada em tempos de internet e música eletrônica (remix culture). Mas as lentes de Thierry flagram tudo e o documentário é uma maneira de mostrar ao mundo peças de arte que ficaram esquecidas. E é um alento ver a ação acontecendo: grafiteiros escalando prédios, artistas invadindo parques e colando seus adesivos furtivamente etc etc. Um dos destaques é Shepard Fairey, que é mais conhecido atualmente por ter criado o famoso cartaz que traz Obama estilizado em vermelho e azul com a frase “Hope” escrita abaixo. Além dele, muitos outros anônimos aparecem, como Banksy – que, na verdade, não tem a identidade revelada, aumentando ainda mais o mito em cima de si próprio.
Porém, o destaque mesmo é a segunda parte do filme. Se na primeira o foco é na street art e em alguns artistas, a outra metade a atenção é para Thierry aka Mr Brainwash. De mero cinegrafista dos artistas a centro das atenções do mundo artístico contemporâneo. Incentivado por Banksy, o doido se convenceu que era artista, vendeu tudo que tinha e montou um mega estúdio de art pop. Além disso, contratou 20 pessoas para trabalhar para ele. Isto é, transformou a ideia de arte plástica em um processo industrial de verdade. Ele não botava a mão na massa, pois tinha a ideia e passava a seus funcionários. Quadros, colagens, esculturas, instalações… Tudo feito em escala industrial, com o intuito de ser exposto numa exposição gigantesca em Los Angeles. Em certo momento, um produtor e curador do meio artístico americano chega a dizer que nunca na história houve uma exposição com tantas obras. Era Mr. Brainwash no olho do furacão da cultura pop.
“Exite Through The Gift Shop” é mais um meio de divulgação e questionamento do valor que se dá à arte, seja as antigas obras alçadas ao posto de intocáveis de valor inestimável, seja a arte contemporânea. Mr. Brainwash vendeu mais de U$ 1 milhão em menos de duas semanas, um artista que não existia na verdade, que não criou nada de novo, pois 100% do que ele fez foi recriar o que já tinha sido feito (em certo momento, um de seus funcionários mostra um livro de pop art com várias anotações do ‘artista’, justamente as obras que ele iria ‘remixar’). Banksy, o nome mais famoso e caro dessa turma, chegou a vender uma de suas obras por U$550 mil. Alguma obra de arte vale isso tudo?
P.S.: Importante ressaltar que o termo “documentário” pode não ser o mais adequado para definir “Exit Through…”, pois não há comprovação de que todos os relatos do filme sejam reais. Isto é, parte da obra tem grandes chances de ter partes manipuladas para parecerem reais, bem ao estilo Borat.
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Parece muito bom… já estou baixando….
Banksy é fodástico!!! #mito
show de bola!
*andy wahrol