Filme Que Todo Mundo Gosta… Menos Eu – Episódio II

Por Bruno Porciuncula (atenção, não foi Rodrigo Carreiro que escreveu, portanto, poupem-no dos xingamentos porque ele amou o filme)

Eric Roth. Ele é o responsável. Tinha uma obra-prima em mãos para adaptar e conseguiu estragar tudo com frases de quinta categoria como “Aproveite, só se é jovem uma vez”, “Nunca deixe ninguém contrariá-lo. Você deve fazer o que está destinado a fazer” e “Nós estamos destinados a perder as pessoas que amamos. Do contrário, como saberíamos que são importantes para nós?”, dentre outras. Eric Roth é o roteirista de O Curioso Caso de Benjamin Button, longa que é o segundo da nossa seção Filme que Todo Mundo Gosta… Menos Eu.

Baseado no sensacional conto de F. Scott Fitzgerald, escrito em 1920, o longa conta a história de Benjamin Button, que nasce velho e rejuvenesce a medida que envelhece. Para falar a verdade, isso é a única coisa que resta do original. A grande sacada, que é Button nascer não só com a aparência de um idoso, mas o tamanho e, o melhor de tudo, a consciência, ficou deixada de lado. E aí vemos no filme o idoso brincando com bonequinhos, aprendendo a falar e tomando atitudes infantis. Na verdade, Eric Roth transformou tudo em uma história de amor, e aí conseguiu levar milhões ao cinema e fazer homens e mulheres chorarem. Nada contra alterar uma história, mas que seja para melhor, não para pior, como é o caso.

Um dos problemas é começar na atualidade – mostrando a tensão de New Orleans à época do furacão Katrina (nada a ver com nada) – e voltar ao passado, através da leitura do diário de Button pela filha. Isso é um spoiler, mas acredito que só criança de 10 anos não descubra isso em 5 minutos de projeção. As cenas nada acrescentam, apenas quebram o clima. A primeira história contada pela Daisy, já idosa e enferma, a de um homem que cria um relógio no qual os ponteiros andam para trás, é uma pataquada danada.

Importante lembrar que Benjamin Button é onipresente. Em uma determinada cena, a que a personagem Daisy é atropelada, ele conta uma lonnnnnga história para mostrar os pequenos acontecimentos que causaram o acidente. “O motorista se atrasou porque a mulher que fazia o cafezinho tinha brigado com o namorado, que blá blá”, muito ruim.

A atuação de Brad Pitt é fraca, mas ele concorreu ao Oscar e ainda achavam que tinha chance de ganhar. Ele só está excelente quando Benjamin Button é idoso. Mas tem um motivo. O rosto dele foi alterado por computação, então, obviamente, os carinhas da informática aproveitaram e deram expressão ao ator, que é bom, mas funcionou no piloto automático aqui. Há dois momentos que mostram isso: quando o Sr. Button conta que é o pai dele e quando a mãe adotiva morre. Por falar nela, uma boa mulher, que adotou um bebê idoso, mas chata… fala em Deus em 9 de cada 10 palavras? Tudo é “graças ao Senhor”… o roteirista queria evangelizar a galera?

Ah, e o final? Depois de 167 minutos de pataquada melodramática – e o único alívio cômico era um velhinho que tinha sido atingido por raio sete vezes – ainda me vem uma cena dos personagens da história aparecendo e Button, em off, narrando “Algumas pessoas nascem para ficar sentadas na beira do rio, outras para nadar, outras para ser mães….” é bem fraca. O texto parece que foi escrito psicografado por Zíbia Gaspareto.

Pode ter ganhado todas as estrelas dos críticos, feito milhões chorarem, vencido prêmios… eu ainda poderia apontar diversos erros, mas o texto ficaria maior ainda… o que interessa, para mim, é que O Caso de Benjamin Button é um filme que todo mundo gosta… menos eu. E podem atirar as pedras.

Afinal, guardo todas, um dia vou construir um castelo. Se o roteirista conhecesse essa frase, certamente a usaria no longa…

PS: leiam o conto original.

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