direção: Pola Ribeiro
elenco: Antonio Godi, Érico Braz, João Miguel, Harildo Dêda, Sergio Guedes
país: Brasil
gênero: drama
ano: 2011
Envolto em muita expectativa, “Jardim das Folhas Sagradas” demorou 11 anos para ficar pronto. O que o diretor baiano Pola Ribeiro nos apresenta mescla tons autorais e documentais com toques de história comercial, abordando um tema rico em detalhes e muito atrelado à cultura baiana.
O filme conta a história de Bonfim (Antonio Godi), funcionário padrão de um banco que tem sua raiz num terreiro de candomblé e que luta internamente para se decidir entre a vida “normal” e seu destino inexorável.
O grande mérito de Pola Ribeiro é transportar o público para o universo do candomblé, suas crenças e valores, práticas e rituais. Afora algumas poucas pessoas, a grande maioria da população brasileira tem pouco ou nenhum contato com a religião, o que tornaria a experiência do filme pouco factível. Mas isso não acontece, pois o filme busca a todo momento transparecer que aquele mundo é natural e está no escopo da vida de todos nós. Além disso, o roteiro se preocupa em explicar diversas situações, sem que isso ganhe um tom de didatismo comum em obras sobre culturas tão particulares. É prazeroso, portanto, mergulhar nas rotinas de um candomblé e conhecer mais a fundo rituais religiosos, tão belos em seus movimentos quanto ricos em seu teor cultural.
A história principal aborda uma questão universal, embora num mundo tão particular: devemos fugir do nosso destino? No caso desse filme, talvez a pergunta seja outra: será que podemos fugir do nosso destino? No candomblé esse assunto é sério e perpassa gerações. A continuidade de um projeto religioso (contando que estamos dentro de um terreiro específico) envolve muito mais do que escolha pessoal, pois dá conta de outras famílias e situações que fogem ao individual. O lado coletivista aqui é muito importante, mostrado de forma clara por Pola em diversas cenas do filme, principalmente a partir da segunda metade da trama quando Bonfim segue seu caminho particular.
A pedra no sapato de “Jardim das…”, no entanto, aparece a todo o momento. A fragmentação excessiva do roteiro atrapalha a cadência da história e convoca o espectador para uma tarefa cansativa de juntar os pedaços. Óbvio que o entendimento geral não é comprometido, mas muitos detalhes da história ficam sem desenvolvimento – ou então se desenvolvem de maneira não tão clara. Como bem observou nosso colaborador Bruno Porciuncula, o filme tenta tratar de diversos assuntos paralelos, mas os abandona rapidamente para se dedicar ao mote principal do longa. Legítimo, até, porém essa prática constante borra razoavelmente o cadenciamento da trama. Então, assuntos paralelos como preconceito racial, intolerância religiosa, especulação imobiliária, cultura popular e outros têm breves passagens e até compõem o escopo geral de “Jardim das..”, mas ficam soltos no ar.
Ainda assim, o filme é uma viagem agradável e reveladora ao universo do candomblé, sem que isso represente uma história fechada em si própria.
.
*O Café com Pop agradece à ComunikaPress pelo convite à concorrida sessão do filme durante o VII Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador.
.














Nem preciso comentar, vc já comentou o que eu comentei….
Queria muito ver esse filme, Rodrigão! Alê, da Comunika, é uma amiga que adoro! Pelo que escreveu, não gostou do longa. Quando assistir, te digo o que achei.
Grande abraço!
O que gostei foi que a forma como ele transporta o público para o universo do candomblé como você falou, é bastante flúida, feita de forma simples. Eu realmente gostei do conjunto da obra, não senti o roteiro tão fragmentado assim.
P.S. Você não comentou o metrô!! Finalmente vimos o metrô de Salvador funcionando, hehe. Só em filme mesmo.
Amanda
O metrô foi a cena mais hilária do filme. A sala inteira riu hhheehhe Ainda rolou a estação Bonocô. Só em filme mesmo…
Aguardo a próxima oportunidade de conferir esse grande filme.
Perdi o panorama de cinema =(
Roteiro fraco. Abordagem de um tema polêmico, que é o sacrifício de animais, de forma boba e com argumentos fracos e bizarros até.
Transporta pro mundo do Candomble??!!! como???!! o mundo do candomble, q o filme transporta é da sexualidade, do uso de drogas e por ai vai.. nao gostei do filme, quer dizer a maioria das pessaos q estavam assitindo foram embora com + ou – 30 minutos de filme..
Pelo amor de Deus, o filme ´r muito ruim… fui pensando que iria saber um pouco sobre a cultura bahia, mais oq aprendi foi q não irei conhecer tão cedo um terreiro, se for aquilo que o filme passa … to fora
Concordo plenamente com antonio
Gostei do filme, realmente só o cinema para por o metrô para funcionar. Acho que a qualidade do filme poderia ter sido melhor, parecia um filme feito na década de 1970, não só na imagem como no áudio.
Adriana, Antonio e Letti, ainda não assisti o filme pois em Sp ele só estreia em 25/11, não sei como é abordado exatamente o terreiro, mas posso te dizer que como alguém que faz parte desta religião que o candomblé não é um local de sexualidade e drogas, muito pelo contrario o candomblé é uma religião muito bonita que quem um dia conhece se apaixona, existem muitos boatos e julgamentos feitos por quem não conhece a religião, mas isso é normal, aconselho a cada um conhecer o culto aos orixás e depois comentar,ninguém é obrigado a cultuar algo que não goste, mas respeito é fundamental…….não estou dizendo que alguém não respeitou para deixar claro a quem ainda irá ler nossos comentários.
Antonio e Leti
É claro que um terreiro tem homessexual. E sabe por quê? Porque o terreiro está dentro do planeta terra. Em qualquer lugar do mudno vai ter gay e drogas, não há problema nenhum nisso.
@Rodrigo Carreiro </a
Rodrigo,
Em nenhum momento, disse que o homossexual é algo ruim… oq falei foi a ideia erronia que o filme passa sobre o assunto..
O candomble é bonito, tem seus cultos muitos bem feitos e com muito respeito.
Independente da sexualidade dos frequentadores.
Oq achei foi que somente abordaram estes temas.
O filme nao tem conteudo, nao tem começo, meio e fim
Em qual cinema de São Paulo esta pssando este filme. Fiquei com agua na boca com os comentarios.
@VIVIAN CASTILHO
De 0 a 10…
Nota -10000
Antonio,o candonblé faz parte apenas da cultura baiana?