
Clooney e Reitman discutem a cena
A cena escolhida dessa vez parece simples – e é -, mas se revela muito importante para a construção do personagem principal. Estamos falando de Ryan Bingham, vivido por George Clooney, em “Amor sem Escalas”, a divertida história de um executivo metódico que não se prende a nenhuma cidade ou amor.
Como vocês sabem, Ryan viaja os EUA com um objetivo único: demitir pessoas. Ele é o cara que tem todos os cartões preferenciais de companhias aéreas, locadoras de carro, hotéis, restaurantes etc. É o típico viajante sem destino, pulando de uma cidade para outra e levando seu charme e beleza às mulheres americanas. Parte da construção desse personagem está nessa cena de apenas 59 segundos. Rápida e sem enrolação, como explica o diretor Jason Reitman, a sequência precisaria deixar claro quem era aquele cara, como ele é tratado, qual seu estilo e como ele trata as mulheres. Tudo isso em menos de um minuto, mas não pensem que foi coisa fácil de fazer.
Confira aqui o vídeo “Anatomy of a Scene – Up in The Air“
No vídeo do Anatomy of a Scene do NY Times, Reitman explica que a dúvida era se a filmagem seguiria uma lógica mais lenta e metódica – mostrando cada detalhe separadamente e com mais lentidão, para mostrar ao espectador como era aquele “ritual” – ou se seria ágil e sem rodeios. Ele filmou das duas maneiras, mas escolheu a última opção, acrescentando edição e montagem rápidas. Na tela, vemos Ryan arrumando a mala com precisão cirúrgica, dando aula de organização; Ryan chegando ao Aeroporto de carro alugado; fazendo check-in na área super VIP, onde ele ainda joga seu charme irresistível à comissária; e Ryan passando pelo raio X, de maneira sincronizada, como se ele repetisse aquilo dezenas de vezes por mês.
Esses 59 segundos custaram cerca de cinco horas de gravação. Reitman diz que gravar num aeroporto real das 23h às 4 da matina foi uma das experiências mais difíceis para ele como diretor, afinal, o filme conseguiu permissão especial para filmar seguindo as normas de segurança da TSA (Transportation Security Administration). “Geralmente, filma-se num lobby de hotel ou algo parecido, acrescenta-se uma máquina de raio x e tudo parece real”. Aqui, não. Tudo real, pois embora pareça algo banal, a cena é imprescindível para que o espectador conheça o básico do personagem, que vai guiá-lo pelo resto do filme.
Outro detalhe curioso. Em vários momentos não vemos o rosto de Clooney; é apenas sua mão ou pés que aparecem. O normal seria que essas cenas fossem dirigidas por diretores assistentes ou diretores de segunda unidade, mas aqui é diferente. Reitman acompanhou tudo de perto e ficou feliz porque em todos os momentos é Clooney que está em cena, e não um dublê de mãos ou pés – o que também é bastante comum na Hollywood das aparências.
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Interessante mesmo, Rodrigo, a cena é aparentemente banal, mas na verdade é essencial para apresentar o personagem e o clima do filme. Acho que valeram essas cinco horas de trabalho, hehe.
Excelente!!! ALiás, esse filme é excelente!!! Vou até vê-lo em Blue-Ray… vale a pena!